Voto aberto ou fechado de conselheiros para eleger presidente dividem São Paulo por novo estatuto

Fonte Globo Esporte
11 de Novembro de 2016
Atual presidente, Leco vota na eleição do São Paulo em 2015 (Foto: Rubens Chiri/saopaulofc.net)
O novo estatuto do São Paulo gera movimentos intensos nos bastidores do clube. O texto final causa divergências entre situação e oposição. Uma reunião extraordinária do Conselho Deliberativo, no próximo dia 16, vai debater o documento, posteriormente submetido à assembleia geral de sócios, em dezembro. Os conselheiros poderão recomendar aprovação ou rejeição, mas a decisão final sobre o estatuto caberá aos associados.
O presidente Carlos Augusto de Barros e Silva, o Leco, acredita que o novo estatuto será fundamental para a modernização do São Paulo. O “Defenda o SPFC”, composto por cinco grupos políticos da oposição, também se mostra favorável à aprovação nas redes sociais. Mas situação e oposição divergem em dois pontos.
De acordo com o novo estatuto, a diretoria eleita em abril de 2017 terá um ano para encomendar um estudo sobre votação direta dos sócios e sócios-torcedores, hoje mais de 110 mil, e depois decidir o que fazer. Os opositores, segundo o coordenador do "Defenda o SPFC", o ex-presidente Fernando Casal de Rey, discordam.
– Acho um absurdo. É para daqui um ano, depois que a eleição foi realizada. Por que depois da eleição, e não antes? – questiona Casal de Rey, que disse que não pretende ser candidato à presidência do clube.
De acordo com membros da comissão responsável pela reforma estatutária, mudar o sistema de eleição para presidente a poucos meses do pleito poderia atropelar o processo e torná-lo falho. Entre os próprios integrantes da comissão não houve um consenso sobre a questão e, por isso, foi decidido realizar o estudo.
Todas as regras novas passarão a valer a partir de abril de 2017, depois da eleição da nova diretoria. Atualmente, o pleito é indireto e decidido por maioria simples entre os conselheiros. Hoje, há 240 cadeiras.
A tese de Fernando Casal de Rey sobre a inclusão do voto direto do associado e do sócio-torcedor para presidente também é defendida por Newton Ferreira, candidato da oposição derrotado por Leco na última eleição. Ele é favorável a rejeitar o novo estatuto caso os sócios não possam já votar diretamente para o presidente do clube.
Em uma conversa por meio de um grupo de WhatsApp de conselheiros, Newton diz que, se o voto direto do associado não constar no novo estatuto, haverá uma campanha nunca vista antes no clube, aponta Leco como inimigo e se diz disposto a se juntar até ao "demônio" para vencê-lo. Procurado pela reportagem, ele deu sua versão.
– Foi uma expressão política forte para dizer que estimulo todos a se engajarem nessa briga pelo bem do São Paulo. Podem interpretar de uma maneira ruim, negativa. Fui contundente na luta em prol do São Paulo – disse Ferreira.
Voto aberto ou secreto: eis a questão
Situação e oposição divergem sobre a questão do voto aberto ou fechado por parte dos conselheiros para eleger o presidente do clube. O novo estatuto mantém o voto aberto, como ocorre atualmente. Leco e sua base aliada apoiam esse modelo. O “Defenda o SPFC”, não: é a favor da votação fechada e secreta.
Fernando Casal de Rey argumenta que o voto secreto é um direito universal e uma conquista das pessoas para não serem vítimas de patrulhamento na hora da escolha do voto. A tese é compartilhada por Newton do Chapéu. Eles dizem ter uma lista com 70 conselheiros que declaradamente defendem o voto secreto.
– Voto aberto inibe a pessoa de votar, mesmo que ela pense diferente. Contra isso, defendo voto secreto, que é a forma de se expressar sem ser constrangido. A ausência disso no estatuto anula qualquer benesse que ele tenha. Isso praticamente decide a eleição. Isso anula. Torna o novo estatuto arcaico desde a sua origem. Fica uma coisa viciada. O estatuto se destruiu com a ausência do voto secreto – afirmou Casal de Rey.
Por conta da argumentação a favor do voto secreto e de suposta inconstitucionalidade do voto aberto, Leco pediu um parecer a Ives Gandra da Silva Martins, conselheiro vitalício e jurista respeitado no Brasil. Em e-mail encaminhado ao presidente e repassado aos demais conselheiros, ele defendeu a manutenção do modelo vigente, mesma opinião dos grupos aliados ao presidente.
– Tenho, há anos, defendido o voto secreto – de resto cláusula pétrea na lei suprema (artigo 60, §4º, inciso II) – para os eleitores e voto aberto para quem os represente nas casas legislativas. Os conselheiros são representantes dos associados, por esta razão, o voto deve ser aberto. A tese que albergo é que o eleitor deve conhecer de que forma vota seu representante – escreveu o jurista.
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