Ex-diretor de Leco defende 'não' e fala em coação contra funcionários

Fonte ESPN
Luiz Cunha ao lado do presidente Leco
Um vídeo do ex-diretor de futebol do São Paulo, Luiz Cunha foi encaminhado para sócios e conselheiros tricolores nos últimos dias. Membro da diretoria até junho deste ano, ele afirma na gravação de quase dois minutos que votará "não" na assembleia pela reforma estatutária do clube, que ocorrerá neste sábado, no Morumbi, e pede aos sócios que façam o mesmo - ou seja, posição contrária à campanha da direção que ele apoiava há dois meses.
A reportagem da ESPN entrou em contato com Luiz Cunha para entender a decisão dele. O cartola explicou que a escolha pelo voto negativo não significa que tenha virado opositor do presidente Carlos Augusto de Barros e Silva, o Leco, ou da diretoria atual.
"Eu não voto em diretoria. Eu voto pelo São Paulo. O 'não' é pelo São Paulo. Eu tenho amigos na diretoria, mas o elo que nos une é o São Paulo e eu fico sempre do lado do São Paulo. Escolho o melhor pelo São Paulo", explicou o ex-diretor de futebol.
"Fui muito amigo do Juvenal Juvêncio, mas quando ele decidiu fazer o terceiro mandato me afastei dele. Ele me disse: 'Você é meu amigo, e me abandona?'. Eu respondi a ele que o respeito continuaria o mesmo, mas o elo que nos unia como amigos era o São Paulo e ao fazer algo que não era bom ao São Paulo ele me afrontava", completou.
Luiz Cunha revelou que a escolha pelo "não" até fez com que alguns diretores o questionassem, mas ressaltou que ninguém o desrespeitou.
"Em um grupo de Whatsapp que eu participo ao lado de alguns vices e diretores gerou discussão. Alguns não gostaram da minha escolha, mas é um debate saudável. Me perguntaram e discordaram da minha posição. Mas foi tudo respeitoso. Ninguém me ofendeu", explicou.
No vídeo que gravou, Luiz Cunha utiliza a expressão "pegadinha" ao falar da convocação da assembleia no Morumbi que votará a reforma do estatuto e as alterações feitas após 2003 - há um processo na Justiça contestando medidas dos anos que se passaram -, mas quem votar só poderá escolher uma opção para as duas perguntas: sim ou não.
"Eu não posso concordar em dar uma resposta para duas perguntas", disse Cunha.
Questionado pela reportagem sobre as alegações de quem defende o "sim" de que a oposição e os simpatizantes do "não" tem feito "terrorismo", Cunha não concordou.
"O 'sim' representa a manutenção do status quo. Eu não sou apegado a cargos. O pessoal do 'sim' tem feito terrorismo pressionando os funcionários, dizendo: 'Se o 'não' for aprovado, vocês vão perder os empregos porque os contratos a partir de 2003 serão invalidados, então trabalhem pelo 'sim'.' Estão divulgando essa mentira para conseguir o 'sim' querendo dizer que os contratos assinados vão ser anulados. Não vão. Não é assim que funciona. Se o 'não' vence todo mundo sai no outro dia? Claro que não".
"Mesmo que seja nomeado um interventor supostamente não são-paulino ele estará intervindo em nome da Justiça. Ele terá a missão de arrumar a casa, colocar o São Paulo dentro da legalidade, convocar uma assembleia constintuinte para discutir um novo estatuto. Ele não dará descontinuidade ao clube como quem é a favor do 'sim' afirma."
Quando questionado sobre o uso do vídeo que gravou pelos conselheiros do grupos da oposição, Luiz Cunha disse não ser aliado de lados políticos. Mas aliado do São Paulo - ele não faz parte do conselho deliberativo.
"A primeira vez que tive contato com essa turma [oposição] foi quarta de manhã quando gravei o vídeo pelo 'não'. Na parte da noite eles me convidaram para ir a uma pizzaria para jantar. Eu fui e me senti sem jeito. Não é a minha turma, não conheço as pessoas. E eu disse a eles que minha posição pelo 'não' é pelo São Paulo. Eu sou apolítico, não tenho bandeira. Estou do lado que apresenta o melhor discurso para o São Paulo."
"Eu deixei o São Paulo, eu abri mão do meu cargo. Não fui demitido. Se eu tivesse sido demitido alguns poderiam até dizer que minha escolha pelo 'não' é uma mágoa, mas não é o caso. E escolher o 'não' não me torna antagonista da diretoria. Não sou opositor. Tenho amigos na atual direito. Mas o 'não' é o caminho correto", concluiu.
OUTRO LADO
Procurado pela reportagem, o São Paulo, por meio da sua assessoria, enviou a seguinte mensagem sobre a declaaração do ex-diretor do clube sobre o "terrorismo contra funcionários'.
"O São Paulo Futebol Clube foi procurado pela reportagem da ESPN às 18h36 de quinta-feira para se posicionar sobre uma suposta declaração de um ex-diretor, segundo a qual funcionários do clube estariam sendo coagidos a trabalhar pelo Sim na Assembleia do próximo sábado. Numa medida de total transparência - que tem sido a marca desta gestão -, a Diretoria de Comunicação convidou os repórteres a virem ao clube conversar com qualquer colaborador ou funcionário que desejassem, de qualquer área, sem acompanhamento da assessoria de imprensa, para atestarem por eles mesmos o tamanho da mentira. A reportagem da ESPN rejeitou o convite, com a alegação de não sentir segurança em fazer o contato direto com os funcionários.
A resposta do clube às supostas declarações é simples: isso nunca existiu. Obviamente nunca existiu. Requisitar ao São Paulo que se posicione não exime a ESPN da responsabilidade de apurar, verificar e evitar que uma mentira seja levada em consideração. O São Paulo não apenas nega: repudia esta mentira e reitera que bastaria apurar os fatos para atestar a verdade."
NOTA DA REDAÇÃO: O ESPN.com.br publica as acusações de Luiz Cunha por considerá-lo importante na vida política do clube, tanto que até há pouco tempo fazia parte da diretoria atual. Apenas relata sua opinião, dando espaço para quem defende o "não" no plebisicto deste sábado, assim como fez com os defensores do "sim".
CONFIRA O DISCURSO DE LUIZ CUNHA NO VÍDEO DIVULGADO AOS SÓCIOS:
"Olá, sócio do São Paulo, eu sou o Luiz Cunha. Diretor de futebol da base vencedor no final do ano passado. Da Copa Votorantim sub-15, do Campeonato Paulista sub-17, da Copa do Brasil sub-20, da Copa Rio Grande do Sul sub-20 e coroamos com a Copa Libertadores sub-20, um título inédito para o nosso clube. Depois eu fui convidado para assumir o futebol profissional e encontrei a equipe em último lugar na chave de grupos da Copa Libertadores e a três pontos da zona de descenso no Campeonato Paulista. Deixei a diretoria quando estavámos na semifinal da Copa Libertadores. Eu venho aqui agora falar do nosso encontro de sábado, lá no Morumbi. Nós fazem duas perguntas e exigem apenas uma resposta. Você acha isso certo? Não parece uma pegadinha de se perpetuar no poder? Eu não gostei disso, não. E vou dizer para você: eu voto "não" porque até agora nós, associados, desde 2003, tudo que aconteceu, ninguém nos perguntou o que deveríamos opinar: se sim, se não ou se muito pelo contrário. Agora eles querem que a gente ratifique todos os erros que a Justiça já condenou. Erro não se ratifica. Erro se retifica. Não estou de acordo com isso e votarei "não" e peço seu voto no mesmo sentido. Um abraço".
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