José Francisco Manssur, vice de comunicação e marketing do São Paulo
A assembleia geral extraordinária que ocorre no São Paulo neste sábado para a aprovação e a elaboração do novo estatuto social dividiu o clube do Morumbi nos últimos dias entre os que vão votar "sim" e os que pretendem votar "não". O vice-presidente de comunicação e marketing tricolor, José Francisco Manssur, é um dos defensores da aprovação do tema no referendo e explicou para a reportagem do ESPN.com.br o porque.
"A reforma do estatuto é uma promessa de campanha do Leco [presidente do São Paulo] e o ‘sim' é a forma como juridicamente os advogados do São Paulo, da diretoria, o próprio presidente, que também é advogado, e o presidente do conselho entenderam ser a mais segura [para isso acontecer]. Isso porque o associado vai dizer que quer a reforma estatutária e vai manter o estatuto atual em vigor por 120 dias para que quem for fazer a reforma estatutária tenha legitimidade jurídica", explicou Manssur, por telefone.
Na assembleia deste sábado, uma das reclamações de grupos simpatizantes do "não" é que a votação permitirá apenas uma resposta para duas perguntas. Questionado sobre esse polêmico ponto, Manssur explicou que somente assim haveria legalidade em todo o processo.
"A gente entende que as duas perguntas são absolutamente interligadas. Uma depende essencialmente da outra. Falei na primeira resposta: se vamos fazer um estatuto novo, nos precisamos pelo prazo de 120 dias... esse estatuto atual já está há 12 anos, nós precisamos estendê-lo pelo prazo de 120 dias, ratificandos o atos anteriormente praticados, para que o estatuto seja feito por gente que tenha legitimidade."
"Se a gente votar de uma forma que a ação transite em julgado é possível que todos os atos, inclusive as eleições de conselho, sejam anulados, considerados inválidos, aí você não terá legitimidade para o grupo de conselheiros que vai fazer essa sistematização [do novo estatuto]. Se não fizer as duas perguntas em uma, você pode fazer uma reforma estatutária inócua. Eu acredito que quem está propondo essa divisão em duas perguntas e porque não quer a reforma estatutária. Até porque o patrono da ação já disse para uma reportagem do Uol que entende que o assocado não tem de ser consultado sobre nada. Se ele entende isso, ele entende que a reforma estatutária não tem de ser feita pelo associado, algo pelo qual ele ele brigou nesses 12 anos. Absoluta contradição. Se fizer a reforma sem consultar o associado vamos fazer contra o Código Civil", completou o dirigente.
A ação que Manssur se refere é movida pelo conselheiro Francisco de Assis Vasconcellos, que pede a anulação de todas as eleições presidenciais e atos administrativos do São Paulo após 2003. O argumento dele é que várias alterações no estatuto foram feitas nesse período sem que ocorresse uma assembleia geral, o que fere o artigo 59 do Código Civil.
Atualmente a ação está tramitando no Superior Tribunal Federal (STF), em Brasília.
Questionando se a ação é motivo de desespero para a diretoria, negou.
"A ação que foi ajuizada em 2003 realmente está numa fase final de julgamento e o resultado tende a ser favorável aos autores. Mas isso não causa nenhum desespero [na diretoria] porque nós entendemos que ao fazer o referendo aprovando o 'sim' vamos estar fazendo exatamente o que os autores pediram na ação. Quer dizer submetendo os atos à assembleia geral. Acho que quando uma parte faz o que a outra pede na ação significa que ela reconheceu o pedido. De forma nenhuma isso é motivo de desespero. Eu pareço estar desesperado para vocês?, retrucou o cartola são-paulino.
Sobre a possível nomeação de um interventor, caso o "não" seja aprovado na assembleia e o São Paulo perca a ação na Justiça, Manssur pediu cautela para abordar o assunto.
"Acho que qualquer previsão sobre isso é precipitada. Porque se eventualmente a ação que está no STF transitar em julgado ela vai voltar para serem modulados os efeitos da decisão. Aí o magistrado que der essa decisão pode eventualmente nomear um interventor. Acho que é algo muito distante da realidade atual", assegurou o cartola.
Por fim, ao falar do clima no clube do Morumbi, com debates entre os lados que querem o "sim" contra os favoráveis ao "não", fez uma crítica à oposição.
"A oposição via nessa ação a possibilidade de tomar o poder sem voto. Estão descobrindo que isso é impossível. Para tomar o poder eles vão ter de ganhar a eleição. Quando eles ganharem, eles serão democraticamente aceitos como a nova diretoria do São Paulo. Enquanto isso, manobra para ganhar [eleição] sem voto não vai ser permitida no clube."
Vice do São Paulo defende 'sim' e diz que oposição quer tomar poder sem voto
Fonte ESPN
5 de Agosto de 2016
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