Um empresário de muito sucesso, vendedor de bijuterias e cosméticos, pode ser decisivo para os destinos de São Paulo e de Paulo Henrique Ganso na temporada.
Trata-se do argentino Armando Pérez, 72 anos, dono da Tsu Cosméticos, empresa fundada há quatro décadas em Buenos Aires e que é uma das maiores fabricantes de produtos de beleza da América Latina. Fanático por futebol, ele o hermano foi responsável por salvar um clube da falência certa, e agora é um dos responsáveis por tentar tirar o futebol argentino da lama em que se encontra.
Em 2005, ele assumiu a gerência do tradicional Belgrano, equipe da cidade de Córdoba, que estava quase para fechar as portas. Pérez saneou as finanças do clube, arrumou a casa e recolocou o time na primeira divisão, rebaixando o gigante River Plate na disputa pelo acesso, em 2011. Desde então, ele é considerado um herói na segunda maior cidade da Argentina.
Além de ter recolocado o Belgrano no mapa, ele ainda ajudou na contrução de um CT de primeiro mundo para a equipe, que hoje é usado até mesmo pela seleção nacional para se preparar para as partidas das eliminatórias para a Copa do Mundo de 2018.
Homem de sucesso nos negócios, ele também já foi dono de rádios e teatros, e desde meados de julho, é "o cara" para tentar resolver o caos que reina na AFA (Associação de Futebol Argentino).
Desde o ano passado, a entidade está sem presidente, sendo comandada por interventores nomeados pela Justiça comum, teve eleições anuladas e adiadas e chegou ao fundo do poço financeiro, com o técnico da seleção principal, Gerardo "Tata" Martino, ficando oito meses sem receber salários, e a seleção olímpica quase desistindo de vir aos Jogos Olímpicos do Rio 2016 por falta de verbas.
Pérez é o cabeça do grupo de quatro interventores que foram colocados para comandar a federação (o chamado Comitê Normalizador) enquanto um novo presidente não é eleito. Ele trabalhará ao lado do dirigente esportivo Pablo Toviggino, do advogado Javier Medín (ex-cartola do Boca Juniors) e da empresária de atletas Carolina Cristinziano, uma das mais poderosas agentes da Argentina.
Este quarteto será o responsável por tomar as rédeas da AFA até uma nova eleição chancelada pela Fifa, que impôs 30 de junho de 2016 como data limite para isto. A disputa é ferrenha, envolvendo nomes fortes do futebol local, como Nicolás Russo, presidente do Lanús, além de celebridades da TV, como o apresentador Marcelo Tinelli, e sindicalistas, como o caminhoneiro Hugo Moyano, que comanda o Independiente.
Enquanto isto não ocorre, o dono da Tsu Cosméticos é quem tem que escolher quem será o novo técnico da Argentina, já que "Tata" Martino deixou o cargo após o vice na Copa América Centenário. Atualmente, ele pende principalmente para dois nomes: Edgardo Bauza, do São Paulo, e Jorge Sampaoli, do Sevilla.
Ambos já deixaram claro que, se chamados, irão aceitar. O são-paulino, inclusive, já foi chamado para uma entrevista prévia na AFA, na semana passada.

No caso de Bauza, isso pode estremecer o São Paulo, deixando a equipe sem técnico em meio ao Campeonato Brasileiro, e logo depois de contratar dois reforços argentinos que foram pedidos específicos do Patón: o meia-atacante Chávez, ex-Boca Juniors, e o lateral Buffarini, ex-San Lorenzo.
No caso da saída do bicampeão da Libertadores, o clube paulista se veria em uma busca por um novo treinador sem grandes nomes disponíveis no mercado, já que Mano Menezes, o único técnico considerado top que estava desempregado, foi apresentado na última quarta-feira pelo Cruzeiro. O favorito para assumir nesse caso seria o colombiano Reinaldo Rueda, campeão da Libertadores com o Atlético Nacional de Medellín.
Caso Sampaoli deixe o Sevilla, por sua vez, o clube andaluz deve ficar bastante decepcionado, já que o ex-comandante da seleção chilena não chegou nem a fazer sua estreia oficial pelo time, marcada para 9 de agosto, contra o Real Madrid.
Quem também sofreria é o meia Paulo Henrique Ganso, contratado recentemente do São Paulo justamente a pedido do careca, que é fã de seu futebol. Sem o apoio do argentino, o armador provavelmente teria mais dificuldades em sua adaptação inicial ao futebol europeu, já que poderia não ser tão querido assim pelo novo comandante.

Tirar Sampaoli do Sevilla, contudo, é tarefa difícil, já que a cláusula de rescisão é alta e a AFA atualmente está na bancarrota, tendo passado até cheques sem fundo recentemente. Uma solução seria que o treinador conciliasse os dois empregos (como fazia, por exemplo, Leonid Slutsky, que comandou ao mesmo tempo o CSKA e a seleção russa).
Outros nomes que aparecem na lista de Pérez são Diego Simeone, do Atlético de Madri, que disse topar dividir-se entre time e seleção, e Mauricio Pochettino, do Tottenham, que refutou a possibilidade de assumir a Argentina, dizendo que "ainda não é hora" de dar este passo na carreira.
Marcelo "El Loco" Bielsa foi outro que já recusou o cargo.