São Paulo confia em validação da Fifa por lateral após 'cochilo' e 'barganha'

Tricolor arrastou as negociações com o San Lorenzo (ARG) até os últimos instantes para tentar baratear a compra, agiu no último minuto para bater o martelo e ficou refém da CBF

Fonte LANCE!Net
A madrugada desta quarta-feira já havia começado quando o São Paulo divulgou nota oficial para anunciar a contratação do atacante Andrés Chávez, do Boca Juniors (ARG). No mesmo comunicado, com destaque inclusive no título, o Tricolor dizia estar à espera da Fifa para oficializar o também argentino Julio Buffarini, do San Lorenzo (ARG), como outro reforço.
"Por uma divergência no sistema TMS FIFA o registro do atleta ainda não foi concretizado. O São Paulo já enviou à CBF (responsável pelo encaminhamento à FIFA), toda a documentação necessária para consumar a transferência, o que deverá ocorrer nos próximos dias", explicava a nota do clube paulista, sobre o conflito no sistema remoto de transferências internacionais.
Mas qual a razão para tal divergência, que agora ameaça a contratação do lateral-direito? Uma das versões é que o diretor-executivo Gustavo Oliveira tentou barganhar ao máximo com o San Lorenzo, tentando reduzir os U$ 2 milhões (cerca de R$ 6,5 milhões) exigidos para ter Buffarini. Os argentinos pediam o valor desde segunda-feira, mas o dirigente tricolor era resistente.
O cabo de guerra se estendeu por horas na terça-feira, quando Gustavo resolveu ceder para atender o desejo do técnico Edgardo Bauza. Os clubes se acertaram, prepararam a documentação e concluíram a operação no TMS às 23h59, segundos antes do fim da janela de contratações internacionais no Brasil. Mas para a novela terminar feliz era preciso mais um passo.
A Confederação Brasileira de Futebol tem como dever monitorar transações do tipo, principalmente quando o prazo é curto para a resolução. A validação da entidade, no entanto, foi registrada no TMS somente nos primeiros minutos desta quarta, ultrapassando a data-limite para os clubes brasileiros contratarem reforços de outros países.
O São Paulo, então, se defende ao dizer que cumpriu o prazo exigido e, como mostra a nota oficial, transfere a responsabilidade para a CBF. Caberá à entidade argumentar com a Fifa sobre o próprio "cochilo", em discussão que deve se arrastar nos próximos dias. Como, na teoria, os clubes não tiveram culpa, uma "validade de exceção" pode ser concedida pela Fifa.
E há confiança entre os tricolores para que o processo seja autorizado, mesmo que a estratégia de barganhar também tenha colaborado com o desencontro no fim da operação. Para a CBF, não resolver o caso significará deixar na mão um de seus associados mais influentes e aumentará a imagem de que deixa os clubes sempre à deriva. É com essa pressão que o São Paulo espera triunfar.
O caso pode ser resolvido somente na próxima semana, já que é mais complexo do que o da venda de Alan Kardec na última sexta-feira. Na ocasião, foi o próprio TMS que saiu do ar minutos antes do fim da janela de transferências para a China. O clube paulista precisou tirar um "print" da página que apresentava o erro no sistema, reconhecido pela Fifa. Quatro dias depois, a venda ao Chonqing Lifan foi sacramentada.
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