Árbitro não marcou o pênalti em Hudson: lance mudou o eixo da partida
O São Paulo já entrou em campo Atanasio Girardot com 2 a 0 de sobrepeso na bagagem. O time estava remendado e desconfigurado taticamente com as ausências de Maicon, Kelvin e Ganso. Mesmo diante de tantas dificuldades, o Tricolor lutou com as armas que possuía nas mãos. Perdeu por 2 a 1, com interferência direta do árbitro. Em resumo, o Tricolor morreu atirando.
Pilhado, o São Paulo entrou pegando os calcanhares. Logo aos 4 minutos Hudson chegou firme e tomou amarelo. Sem bola e entrosamento para competir com os colombianos, o Tricolor tentou povoar o meio-campo que, sem Ganso para fazer a articulação do ataque, partia para cima na base do jeito que dava.
Numa dessas investidas mal costuradas, aos 8/1T, Michel Bastos recebeu uma bola pela esquerda, enfiou o pé em direção à área. A bola, resvalada, tirou o tempo do zagueiro colombiano e deu brecha para que Calleri – guerreiro e matador – subisse como nunca, metesse a cabeça na bola, no contrapé de Armani e abrisse o placar. Nem o mais otimista Tricolor pensaria em um gol aos 8 do primeiro tempo.
Mas a vantagem do São Paulo durou apenas 7 minutos. Aos 15/1T, uma bola perdida no meio-campo sobrou nos pés do bom Berrio, que, rapidamente, viu a defesa Tricolor desorganizada, meteu um lançamento perfeito para Borja, entre Bruno e Lugano, o atacante saiu na cara do gol, em velocidade, bateu forte, cruzado, empatando a partida.
Com uma garra que há tempos não se via, o São Paulo não se entregou. O jogo estava aberto, franco. Três minutos depois do empate colombiano, aos 18/1T, Mena cruzou da esquerda em direção à área, bola foi tocado e sobrou para novamente Calleri tocar de cabeça, tirar de Armani, que foi salvo pela trave. Grande chance para o Tricolor.
Aos 26/1T, um incansável São Paulo tenta de novo. Centurión, no meio, abriu para Michel Bastos, que cruzou para a área. A bola, rasteira, atravessou toda a meta colombiana, mas Calleri chegou atrasado diante de um gol escancarado.
O Atlético, jogando em casa, inverteu a pressão, principalmente com jogadas via linha lateral esquerda Tricolor, onde Mena muito avançava e não conseguia recompor o sistema defensivo. Com isso, o atacante Moreno perdeu também dois gols feitos.
O jogo era bom, aberto, um duelo. E quando todo mundo já tomava fôlego para encarar o segundo tempo, aos 47 minutos, Michel Bastos recebeu uma bola na meia-lua, tocou na medida para Hudson que, na cara do gol, foi empurrado e tocado por Bocanegra. Pênalti escandaloso, com direito à expulsão do defensor colombiano. O árbitro chileno, que não merece ter o nome citado, ignorou o lance que mudou todo o eixo da partida.
O São Paulo poderia voltar para o segundo tempo vencendo por 2 a 1, tendo a missão de fazer mais um gol para classificar-se à final da Libertadores. Não fosse o mal-intencionado árbitro, o que era quase impossível, ganharia 45 minutos para se materializar. Sem mi-mi-mi, a possibilidade seria real.
Revolta, indignação, sinal de que o pior estava por vir. E veio…
No segundo tempo, o São Paulo, como sempre acontece, caiu de rendimento. O Atlético cresceu e perdeu inúmeras oportunidades. Cansado e desequilibrado emocionalmente, o Tricolor destemperou aos 32, quando Carlinhos meteu a mão na bola, dentro da área. O justo pênalti para o Atlético fez emergir a lembrança do pênalti não dado em Hudson.
Era tudo o que o árbitro mal-intencionado queria. Um fato, que estava criado. Com as reclamações, mandou Lugano e Wesley para o vestiário. Mais revolta. O apitador atingiu seu objetivo, viu o Atlético marcar o segundo, virar a partida e, para ter a certeza absoluta de que o improvável não entraria em campo, expulsou dois jogadores. A partida acabara ali. Nem seria preciso jogar os minutos finais.
O São Paulo, perdeu na emoção. No Morumbi com a expulsão de Maicon e o vacilo do bom Bauza ao não recompor a defesa na primeira partida. Na Colômbia, foi assaltado de forma vergonhosa.
Para um time que enfrentou defenestração de presidente, corrupção, salários atrasados, turbulência política, apatia, má vontade, falta de comprometimento, sem dúvida, chegar à semifinal da Libertadores, que significa estar entre os 4 melhores da América, o São Paulo morreu atirando e saiu fortalecido para dar sequência ao projeto de reconstrução de um clube gigante.
Os jogadores, Bauza, comissão técnica merecem o respeito da torcida, pois conduziram o São Paulo até onde ninguém imaginaria. O presidente Leco, quando chorou ao ver o Tricolor passar pelo Galo, no Independência, mostrou que realmente ama o Tricolor e tem o desejo de reconduzir o clube à sua grandeza.
Liberta16 | SPFC perde no apito para o Atlético, mas morre atirando na Liberta
POR RICARDO FLAITT
Fonte LANCE!Net
14 de Julho de 2016
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