Lugano acha que tem mais importância agora do que em 2005

Contratado para dar sua identidade à equipe, zagueiro partiu de embate com Ganso e companhia para se tornar

Fonte GE
Lugano será titular contra o Atlético Nacional, em razão da suspensão de Maicon (Foto: Érico Leonan / saopaulofc.net)

Em 2005, Lugano era titular do São Paulo que conquistou a Libertadores e tornou-se, pela segurança na zaga e personalidade forte que amedrontava adversários, um dos maiores ídolos da torcida naquela geração vitoriosa.
Em 2016, Lugano só vai jogar a semifinal porque Maicon, um dos titulares – o outro é Rodrigo Caio –, foi expulso no primeiro jogo. Ele faz parte de um revezamento na defesa, mas nas partidas mais importantes, começa no banco.
Mesmo assim, o uruguaio tem certeza de que sua importância pessoal para o time é maior em 2016 do que era em 2005.
Parece difícil explicar, mas Lugano, em 2005, era mais um. Estava inserido no contexto de um time de jogadores que buscavam se livrar do rótulo de “promessas”, independentemente de suas idades, e se tornarem vencedores: ele, Cicinho, Josué, Mineiro, Danilo, Grafite, Rogério Ceni, e por aí vai.
Contratado no início deste ano para ser a identidade do clube após a aposentadoria de Ceni, Lugano teve de fazer “trabalho de formiguinha” que o São Paulo ganhasse sua cara. Não foi fácil. Logo no início, uma divergência grande com Paulo Henrique Ganso, outro tipo de líder do grupo.
Lugano comanda preleção do São Paulo (Foto: Rubens Chiri/saopaulofc.net)

Ganso era o líder técnico, mas também tinha influência sobre outros jogadores. Em 2014, no melhor momento do São Paulo nos últimos anos, o do vice-campeonato brasileiro, ele formou com Rogério Ceni, Kaká, Souza e Alan Kardec um “colegiado” de lideranças, uma turma que se formou em volta do jogo de pôquer, um hobby comum aos envolvidos.
Quando Ceni parou de jogar, o camisa 10 era o capitão, embora jamais tenha sido exercido o posto com Edgardo Bauza. No conhecido embate sobre dar ou não entrevistas depois da derrota para o The Strongest, Lugano e Ganso eram comandantes de lados opostos.
O meia achava que os jogadores tinham de manter o pacto e não falar, já que o São Paulo devia direitos de imagens ao grupo. O uruguaio, recém-contratado, defendeu a ideia de que depois de duas derrotas marcantes, para o Corinthians e os bolivianos na estreia da fase de grupos da Libertadores, o gesto de silenciar por pagamentos daria ao grupo a pecha de “mercenários”, que jogam por dinheiro.
Denis, Alan Kardec e Calleri concordaram com Lugano. Os quatro falaram após o vexame no Pacaembu. O restante se manteve em silêncio, e o clima ficou ruim durante um bom tempo.
A missão de Lugano era mostrar que ele não estava ali para colocar os demais jogadores contra a torcida, e que sua condição de ídolo faria justamente o contrário. Em suas entrevistas, o uruguaio enaltecia um a um dos companheiros. Principalmente aqueles que, em tese, estavam “do outro lado”. Ganso e Michel Bastos, sobretudo. Tornaram-se cúmplices.
A partir do momento em que estreou e pôde ajudar o São Paulo em campo, suas palavras ganharam peso diferente. Ele passou a ser mais visto como um companheiro. Suas entrevistas costumam acontecer em momentos estratégicos. Quando quer um banho de realidade, como na véspera dos confrontos da semifinal com o Atlético Nacional, o clube recorre a ele.
Foi Lugano também o elo em atitudes como voltar ao gramado do Independência para comemorar a classificação sobre o Atlético-MG com os torcedores, ou descer do ônibus no estacionamento do Morumbi para que a torcida, em festa na chegada dos jogos pela Libertadores, pudesse ter algum contato com os jogadores.
As mensagens são para os tricolores e os outros atletas, quando invariavelmente enaltece o peso da camisa do São Paulo. Depois do treino da última terça-feira, Lugano passou pelo campo e conversou com todos os companheiros. Ele tem a missão de fazê-los acreditar na vitória por dois ou mais gols de diferença em Medellín, e na classificação para a final.
A semifinal terá início às 21h45 desta quarta-feira, no estádio Atanasio Girardot, com transmissão da TV Globo e do SporTV. O GloboEsporte.com acompanhará a equipe desde a manhã até o pós-jogo, em Tempo Real.
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