Há 2 meses atrás, Edgardo Bauza “não era tão bom assim” e o elenco do São Paulo, incluindo Michel Bastos, era todo “mau-caráter” porque perdia jogos.
O São Paulo que perdeu de 2x0 do Palmeiras e de 1x0 do The Strongest joga da mesma forma que o São Paulo que chega à semifinal da Libertadores. Patón Bauza não propõe um modelo inovador, moderno ou mirabolante: a equipe joga sempre no 4-2-3-1, se defendendo com 2 linhas de 4. Com a bola, procura muito os lados com Michel, Kelvin e o apoio dos laterais, que ou jogam na área ou vêem Ganso, o meia criativo que acha o passe para quem entra na área.
É um erro culpar o técnico, o “sistema tático” ou o jogador quando as coisas não dão certo. Porque futebol não é linha de produção, onde é fácil identificar arestas no processo. Futebol é complexo, dinâmico e inter-relacionado: se um time perde, perde por vários fatores que se conversam entre si, e não uma situação isolada de um contexto.
Se esse São Paulo que briga, luta e nem parece time brasileiro joga assim, é porque Bauza teve tempo de treino e convívio após a eliminação no Paulista e porque a direção trouxe Pintado para “falar a língua do jogador”. Também porque todo mundo mudou a postura, inclusive o hoje fundamental Michel Bastos. Foi criado um grupo de trabalho e isso não acontece do dia para a noite. Tempo, sempre ele.
Voltando ao modelo, o São Paulo que joga sempre da mesma forma o faz com uma intensidade impressionante. No Horto, ficou a maioria do tempo sem a bola e afastando as jogadas aéreas que o Galo insistiu após Maicon fazer o gol em falha de Victor. Muita pressão na bola, encaixes individuais extremamente rápidos e curtinhos, “matando” a jogada bem antes dela entrar na área, zona de extremo perigo.

A “reação” do Tricolor é tática, comportamental, psicológica e humana também. Pois futebol é feito de pessoas. Transformar mentes diferentes, com vontades e objetivos, leva um bocado de tempo. Seria bom se lembrássemos disso antes de criticar, na maioria das vezes sem embasamento algum, as escolhas e ações de pessoas que vivem esse ambiente.
O tempo novamente dirá. 2 meses é o que distancia dois times distintos, mas é também a distância de hoje para as semis. Até lá tudo pode acontecer…se já era impossível ver o São Paulo na semifinal da Libertadores, é impossível prever o que acontece a partir de agora.