Não posso pensar em nenhuma expressão melhor do que “melancólico” ao ver Rogério Ceni se despedir do SPFC dessa maneira, combalido, desarmado, infeliz.
Por um lado, não posso deixar de pensar que talvez tivesse sido melhor, especialmente para ele, aposentar-se depois Libertadores cuja vaga foi conquistada através do título da Sulamericana em 2012.
Por outro, também não consigo pensar que sem ele em campo, a baderna teria sido ainda maior do que é hoje. O SPFC que já caminhava rumo à deriva, teria se perdido por completo sem seu capitão.
Não obstante, é difícil não concordar que ao mesmo tempo, a obstinação de Rogério foi, talvez, sua maior virtude e sua maior inimiga:
Forçou-se a trabalhar com um grupo claramente aquém do que mereciam os torcedores do SPFC e ele, ao menos no que diz respeito ao tal amor à camisa. Amor esse que sempre caminhou junto à sua trajetória incontestavelmente brilhante sob a meta tricolor. Amor do qual são-paulino algum poderia jamais duvidar.
Exigiu-se demais. Mais do que o corpo poderia suportar no alto de seus 42 anos e mais de 25 de carreira. Mesmo assim, perto do fim, teve momentos de brilhantismo ímpar, momentos esses reservados e eternizados por pouquíssimos como ele, esses, os mitos.
Em alguns momentos, porém, falhou como um ser humano que é, e tenho certeza que cobrou-se mais por isso do que a meia dúzia de torcedores que pediu sua cabeça em tais ocasiões.
Aos poucos viu sua liderança perder o efeito, não por ser menos representativo, mas por fazer parte de um SPFC que já não era nem de longe o SPFC que ajudou a construir dentro de campo durante sua longínqua e vencedora carreira junto ao clube que ama.
Mas hoje, não vou falar de números, de glórias. Todos conhecem Rogério. O mundo conhece Rogério Ceni. Possivelmente ninguém jamais superará a história dessa lenda viva.
Ao começar a escrever esse pequeno texto, só queria agradecer por tudo. Pelas emoções, pelas partidas e preleções memoráveis, por ter sido o capitão de um navio que passou perto de afundar várias vezes mas sob sua tutela manteve-se onde deveria, ao menos. O torcedor são paulino jamais esquecerá tudo que você foi, fez e representou pelo e para o SPFC.
Obrigado, Rogério. Obrigado, 01 único e eterno da meta tricolor.
Que sua vida daqui em diante seja tão iluminada fora dos gramados quanto foi dentro deles.
Você nos deixará, mas seu legado, sua memória e o que você representa para o são-paulino jamais ficará no passado.
Será sempre lembrado como o maior de todos os tempos. Em todos os cantos. Por todos nós. Por todo o mundo. É o mínimo que você merece.
Adeus, Capitão.
O fim de uma era. O adeus mais do que difícil - por JJF
Fonte SPFC.Net
30 de Novembro de 2015
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