Newton Luiz Ferreira após oficializar a candidatura à eleição do São Paulo
O empresário e economista Newton Luiz Ferreira, 57, se considera "azarão" na disputa pela presidência do São Paulo contra Carlos Augusto de Barros e Silva, o Leco, na próxima terça-feira. Como lançou a candidatura na última quarta, o conselheiro vê no tempo curto a principal dificuldade para vencer o pleito e apostará no apoio de dirigentes que levaram o clube ao bicampeonato mundial em 1992/93.
Ferreira pretende convidar os ex-presidentes José Eduardo Mesquita Pimenta, Fernando Casal de Rey (que é sogro do candidato) e Paulo Amaral para compor a nova diretoria tricolor, caso seja eleito.
"A minha campanha tem o propósito de resgatar o São Paulo dos anos 1990, que foi bicampeão da Copa Libertadores e bicampeão do Mundial Interclubes. Faz parte dos meus planos solicitar a ajuda desses dirigentes que participaram de todo aquele processo", disse Ferreira, por telefone, para o ESPN.com.br.
Pimenta foi o presidente nos anos das principais conquista internacionais. Casal de Rey deu continuidade às conquistas internacionais, como Copa Conmebol e Copa Máster da Conmebol, além de um Paulista. Já Amaral deixou o clube com um Estadual, um Torneio Rio-São Paulo e um Superpaulistão.
O candidato disse à reportagem que já tem uma ideia de como formará a diretoria. No futebol, pretende "escalar" o conselheiro Márcio Aranha (ex-aliado do ex-presidente Marcelo Portugal Gouvêa) para ser o vice-presidente, deixando para Casal de Rey um papel de consultor ou supervisor.
Ferreira reconhece que não é um nome popular entre os torcedores são-paulinos, mesmo sendo sócio há 37 anos do clube do Morumbi e candidato a deputado federal pelo PSDB na última eleição. A força dele para tentar derrotar Leco no pleito tricolor está na força dos ex-presidentes.
"Não sou conhecido pelo público e, com pouco tempo para estruturar minha campanha, pretendo direcionar os esforços para apresentar propostas aos conselheiros. Vou utilizar as redes sociais. Minha proposta visa despolitizar as diretorias do clube e recuperar o São Paulo.
"O Leco representa o grupo que está no poder desde 2002 e que teve gestões que desgastaram o São Paulo nos últimos anos. A última, inclusive, moralmente", completou o candidato, citando indiretamente Carlos Miguel Aidar, que renunciou no último dia 13 em meio a acusações de irregularidades.
Planos para o São Paulo
Ferreira não fala em contratações, em troca de técnico no São Paulo. Disse à reportagem que o plano de governo dele terá como metas iniciais uma auditoria interna e a renegociação da dívida do clube, hoje na casa de R$ 270 milhões. Tem como proposta até buscar empréstimos no exterior.
"Vou discutir isso no conselho. A minha ideia é não usar o conselho apenas para ratificar as decisões da gestão, mas sim para aprovar as atitudes que pretendemos tomar. Precisamos de dinheiro para pagar as dívidas atuais e faria um empréstimo com esse propósito, com uma taxa de juros menor e com mais prazo para pagar. Assim, alongaria as dívidas do clube", disse Ferreira.
Sobre a auditoria, disse que pretende aceitar a oferta feita por Abílio Diniz há pouco mais de um mês. Membro do conselho consultivo, o empresário ofereceu bancar a PricewaterhouseCoopers.
"Hoje não tenho informação nenhuma sobre as finanças do São Paulo. O último balanço que vi foi em maio e a situação já era grava", completa.
Tentativa de adiar a eleição
Ferreira disse ao ESPN.com.br que desejava adiar o pleito para 12 de novembro, quando vão ser completados 30 dias da renúncia do ex-presidente Carlos Miguel Aidar. Para ele, o prazo seria o ideal para que os opositores de Leco pudessem concorrer em condições iguais.
"Não se monta uma chapa em dois ou três dias. Leco anunciou a eleição pouco mais de uma semana antes de ela acontecer. Se ele não fosse candidato, ao menos deixaria todos em condição igual. Como ele é candidato, ele legislou em causa própria", disse Ferreira.
O conselheiro disse que consultou os advogados dele para verificar a possibilidade de conseguir uma liminar, mas descartou. "É imoral marcar a eleição em um prazo tão curto, mas é legal", disse.
''Azarão'' na eleição do São Paulo, rival de Leco fala em governar com base do bi mundial
Fonte ESPN
24 de Outubro de 2015
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