Aidar deixará a presidência do São Paulo (foto:Reginaldo Castro)
A renúncia de Carlos Miguel Aidar não transformará automaticamente o São Paulo naquele clube organizado e vanguardista de um passado já nem tão recente, mas já é possível sentir um impacto interno enorme com o ocaso do dirigente que voltou ao poder respaldado por uma administração vencedora nos anos 80 que sairá pela porta dos fundos sob ameaça de ver revelado um escândalo de corrupção sem precedentes na história do clube.
Uma decadência institucional não se forma sozinha ou a partir de um fato isolado (no caso, a alegada gravação comprometedora de Ataíde Gil Guerreiro que incriminaria o presidente). O São Paulo se corroeu também pelo apetite voraz por comissões e benesses, mas o que fez a alma tricolor de fato trincar foi a deterioração de suas vísceras.
A escolha de Juvenal Juvêncio como inimigo a ser combatido deu a Carlos Miguel o oxigênio necessário para ganhar prestígio com a torcida e opositores ao antigo presidente (que, diga-se, teve um desastroso fim de mandato). A partir daí, criou-se o ambiente necessário para que a máquina desenfreada de boatos e fofocas ganhasse corpo e passasse a causar fissuras que só agora devem começar a cicatrizar.
Ninguém passou impune: opositores, aliados e até mesmo jornalistas viram seus nomes em fábulas contadas por interlocutores sem exatamente a credibilidade necessária para falar sobre a vida alheia. O fato não se personifica a atitude em uma pessoa; os "bastidores" espalhavam-se como areia movediça na tentativa de tragar quem fosse contra o sistema.
O clima no Morumbi é de alívio e expectativa com o fim da era Carlos Miguel. Se a torcida esfrega as mãos esperando que o futebol volte a ser regido por interesse técnico e não financeiro, quem faz do São Paulo sua forma de sustento conta as horas para se ver livre de um ambiente contaminado pela mentira. Nos mais variados departamentos, a contagem regressiva para voltar a ser feliz no ambiente de trabalho começou.
Será um trabalho árduo para Leco (se for ele mesmo o próximo presidente) recolocar o clube nos eixos. O São Paulo continua em grave crise financeira, não terá mais Rogério Ceni e possivelmente verá Alexandre Pato dar adeus.
O próprio temperamento por vezes intempestivo e impulsivo do provável sucessor de Carlos Miguel o afastou do sonho de ser presidente antes. Mas nas relações pessoais, ele não é do tipo que costuma faltar com a verdade e prefere uma briga dura e honesta à paz falsa. Para um clube que viu todos os seus valores esfacelados, ter alguém que olha nos olhos das pessoas para falar as coisas é uma qualidade indispensável para reconstruir tudo o que foi implodido nos últimos anos.
Dias melhores no São Paulo
Fonte LANCE!Net
12 de Outubro de 2015
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