Doriva retornou ao São Paulo 21 anos após sua saída como jogador, ao fim da temporada de 1994. Agora técnico, o ex-volante se mostrou muito identificado e feliz com este que considera o maior desafio de sua carreira.
Como jogador, Doriva foi um volante de qualidade, bom passe e muita entrega dentro de campo. Formado na base do clube, muito antes do badalado CT de Cotia, o atleta foi alçado aos profissionais em 1991 pelo técnico Telê Santana, a quem, na sua apresentação, mostrou muita gratidão.

Doriva atuando pelo Middlesbrough
“Com certeza o Telê Santana foi a pessoa que me deu a credibilidade, me deu poder de mostrar o meu trabalho, sou muito grato a ele. O Telê, com certeza, foi uma pessoa que acrescentou muito a minha carreira, tanto dentro quanto fora de campo”, disse o novo comandante tricolor.
Pouco aproveitado em sua primeira temporada, onde conquistou o título do Brasileiro daquele ano, o jogador foi emprestado, em 1992, ao Anapolina, assistindo de longe às conquistas da América e do mundo. Depois de uma passagem pelo Goiânia, retornou ao São Paulo em 1993 para conseguir espaço e brilhar no time, sendo titular na conquista do bi mundial, ante o Milan.
Deixou o clube ao fim do ano seguinte de forma surpreendente, se transferindo para o XV de Piracicaba, que a época tinha investimento de Rolim Amaro, presidente da TAM. Rebaixado no Paulistão, o time se sagraria campeão da série C do Campeonato Brasileiro de 1995. Foi nesta temporada que o jogador chegou pela primeira vez à seleção brasileira, sob as mãos de Zagallo. Com a camisa amarela foi vice-campeão da Copa do Mundo 1998.
A partir daí sua carreira deslanchou. Atlético Mineiro, Porto, Sampdoria e Celta de Vigo entraram no caminho do jogador antes dele chegar ao Middlesbrough onde, reeditando a parceria de sucesso que teve no São Paulo com Juninho (depois Juninho Paulista), conquistou a Copa da Liga Inglesa de 2005. Passou por Blackpool, América-SP e Mirassol, antes de encerrar a carreira em 2008.

Juninho e Doriva jogando Showball pelo São Paulo
Um ano após sua aposentadoria, Doriva chegou ao Ituano a convite de Juninho Paulista, agora presidente da equipe, se tornando auxiliar técnico fixo do time. Em 2013, com a demissão de Roberto Fonseca, assumiu o time e não saiu mais. Salvou a equipe do rebaixamento daquele ano e na temporada seguinte, eliminou Corinthians, Palmeiras e Santos, tendo vencido também o São Paulo, para conquistar o Campeonato Paulista 2014. Passou pelo Atlético-PR antes de vencer o Campeonato Carioca de 2015 pelo Vasco da Gama. Demitido, acertou com a Ponte Preta, pelo qual fazia boa campanha, até ser contratado pelo São Paulo.
Tranquilo, avesso aos palavrões, o treinador procurou deixar claro desde o início que tem muitas diferenças do seu antecessor, Juan Carlos Osório. Com isso o torcedor tricolor pode desacostumar com o rodízio e com as improvisações, marca registrada do colombiano.
“Eu particularmente gosto de repetição. Manter uma equipe base. Claro que em alguns momentos, temos um centro de recuperação muito capacitado, que vai passar informações e no momento adequado que precisarmos fazer alguma troca, faremos. Mas não tenho hábito de mudar. Eu penso que com a repetição, vem o entrosamento” – disse Doriva – “ A gente tem que trabalhar diretamente com atleta. A qualidade deles. Eu não tenho muito o hábito de improvisar jogadores. Mas às vezes as circunstâncias pedem isso. Vamos avaliar isso bem. “, completou o treinador.
Nesta volta ao tricolor, Doriva reencontrará Rogério Ceni, com quem chegou a dividir alojamentos no Morumbi na década de 90. Vinte anos depois, o técnico espera contar com o apoio do arqueiro, que está nos últimos meses de carreira, para conseguir sucesso no clube.
“O Rogério se transformou no personagem do São Paulo. A gente sabe que a história dele é linda e maravilhosa e com certeza, nesse momento, conto muito com a ajuda dele, pois sabemos que ele é um líder nato. Já jovenzinho ele já mostrava esse potencial, me lembro bem, inteligente, diferenciado, sabe articular as palavras e com certeza vai ser um apoio que vou ter juntamente com os companheiros, os jogadores”, afirmou Doriva.
Como jogador, Doriva possui 90 jogos com a camisa do São Paulo, 42 vitória, 28 empates e 20 derrotas, num total de 57% de aproveitamento, tendo marcado apenas um gol.