Dos dentes de Kaká ao soco de Ataíde: a rotina de polêmicas do São Paulo em 10 atos de Aidar

Fonte ESPN
A briga entre Ataíde Gil Guerreiro, agora ex-vice de futebol, e Carlos Miguel Aidar fez ferver os bastidores do São Paulo. A temperatura alta, contudo, está longe de ser novidade: virou regra na gestão do atual presidente tricolor. Entre declarações polêmicas e atitudes questionáveis, o ESPN.com.br traz dez exemplos que mostram como as controvérsias dominaram o dia a dia de um clube que já se orgulhou em dizer que não tinha problemas extracampo.
DENTES DE KAKÁ
Menos de uma semana após ser eleito presidente, Aidar falou sobre a possibilidade de o meia Kaká voltar a vestir a camisa do São Paulo, em entrevista à "Rádio Bandeirantes". Para defender a chegada do reforço, porém, o presidente usou termos que o fizeram ser taxado de preconceituoso.
"Gostaria muito de ter Kaká de volta. Tem a cara do São Paulo, alfabetizado, tem todos os dentes na boca, fala bem, joga bem, faz gols (...) Se der pra trazer, esse é um jogador que cai feito uma luva no São Paulo", disse ele, que, depois, precisou se desculpar, garantindo que estava só brincando.
GUERRA COM O PALMEIRAS
Ainda em seu primeiro mês de gestão, Aidar entrou em guerra com o Palmeiras. Tudo começou com a contratação de Alan Kardec. Com a possibilidade de o atacante não permanecer no clube alviverde, o São Paulo entrou no negócio, fechou com Benfica e jogador e o acabou anunciando como reforço.
Paulo Nobre, presidente palmeirense, se revoltou e chamou o rival de antiético. No dia seguinte, Aidar, comendo banana em entrevista coletiva, respondeu assim: "Queria dizer que a manifestação do presidente Paulo Nobre chega a ser patética, demonstra o tamanho do Palmeiras atualmente, que ano após ano se apequena com manifestações dessa altura."
Na tréplica, Nobre anunciou o "rompimento de qualquer relação política com o São Paulo enquanto o Sr. Aidar estiver à frente da entidade".
MÁFIA ITALIANA
Em seu segundo mês como presidente, Aidar internacionalizou suas polêmicas. Em entrevista à rádio "Jovem Pan", ele falou sobre a possibilidade de Paulo Henrique Ganso ser negociado com o Napoli. Ao rechaçar a hipótese, contudo, o cartola associou o clube italiano com a máfia.
"Nem com a Camorra toda. O são Paulo não está preocupado em vender jogador, é um clube comprador. Eu prometi um time campeão, então, quanto menos eu me desfizer de jogadores, mais chances eu tenho de ser campeão. Não estou preocupado com um caminhão de dinheiro", disparou.
As palavras chegaram aos ouvidos de pessoas ligadas ao Napoli. Os italianos se revoltaram com Aidar e emitiram nota prometendo levar o caso à Justiça.
JUVENAL JUVÊNCIO
Ex-presidente, Juvenal Juvêncio foi um dos grandes cabos eleitorais de Aidar. Mas, no poder, o novo mandatário tricolor rompeu com o antigo aliado, em briga pública em que sobraram trocas de farpas e acusações. O antecessor acabou, inclusive, sendo demitido de seu cargo de homem forte de Cotia.

Carlos Miguel Aidar e Juvenal Juvêncio: de aliados a desafetos no São Paulo
A crise entre os dois ficou clara em entrevista de Aidar à "Folha de S. Paulo", em que disse ter encontrado o clube "parado no tempo" e endividado. Em carta aberta, Juvenal rebateu as críticas e garantiu que não deixaria a direção do futebol de base. Dias depois, porém, acabou demitido pelo ex-aliado.
CASO CINIRA
Cinira Maturana. O nome da namorada de Aidar ganhou os bastidores do São Paulo entre o fim de 2014 e o início de 2015. Em entrevista ao jornal "Folha de S. Paulo", o dirigente confirmou um contrato que previa pagamento de comissão a mulher, por intermédio de negócios no clube.
A situação gerou revolta, mas Aidar chegou a convocar uma entrevista coletiva para defender o acordo. Ele garantiu que Cinira não tinha levado nenhum centavo do clube, já que ainda não tinha fechado nenhum negócio. Diante da pressão, contudo, o presidente acabou rescindindo o contrato polêmico.
PRESSÃO SOBRE MURICY
Não é novidade para ninguém que Muricy Ramalho é um ídolo da torcida do São Paulo. No início de 2015, porém, Aidar foi além da cobrança empregador-empregado e veio a público cobrar o então treinador. Em entrevista à rádio "Jovem Pan", ele disse que o técnico estava "devendo" um título.
"Ele tem contrato até dezembro de 2015 e vai ser campeão com a gente. Ele está devendo essa para a gente. Nós montamos o time que ele quis. Com o que ele tem agora, tem que ganhar. Agora quem vai cobrar dele publicamente sou eu", disse o dirigente. Três meses depois, Muricy deixou o clube.
SALÁRIOS ATRASADOS
A imagem de bom pagador do São Paulo também foi arranhada. Em junho de 2015, os atrasos de salários ao elenco se tornaram públicos, em dívidas que somavam até três meses em alguns casos, segundo apurou o ESPN.com.br. Michel Bastos foi um dos que falou sobre o assunto abertamente.
"Quando vim para cá, todos me falaram que o São Paulo nunca foi clube de atrasar salário, sempre arcou com seus compromissos. Se eu soubesse, tinha colocado tudo na carteira para receber meu dinheiro", disse, diferenciando o pagamento recebido em direitos de imagem (atrasado) e na CLT (em dia).
BRIGA NA JUSTIÇA
Os problemas financeiros são-paulinos podem aumentar caso o Orlando City, time de Kaká nos Estados Unidos, vença a briga judicial que trava com o clube tricolor. Por entender que uma das cláusulas do empréstimo do meia em 2014 não foi cumprida, os norte-americanos cobram quase R$ 14 milhões.
Em meio ao duelo nos bastidores, houve uma proposta do Orlando City por Paulo Henrique Ganso, em negócio rejeitado pelo São Paulo. Na visão do clube brasileiro, trata-se de uma "ação judicial temerária e oportunista", com intuito de facilitar a ida do camisa 10 tricolor aos EUA.
NEGOCIAÇÕES NEBULOSAS
Um dos trunfos do São Paulo para acertar os atrasos era a venda de Rodrigo Caio para o Valencia, em negócio que renderia mais de R$ 40 milhões ao clube. A transferência chegou a ser anunciada, mas, no meio do caminho, regrediu, em episódio que até hoje gera dúvidas nos bastidores.
Não é o único exemplo de negócio nebuloso, no entanto. O caso mais recente envolve o jovem Iago Maidana, contratado em uma enrolada transação envolvendo também o Criciúma, seu ex-time, o pequeno Monte Cristo, de Goiás, e uma empresa, a Itaquerão Soccer, em participação considerada ilegal.
O que era para ser apenas uma contratação para as categorias de base tricolores fez ferver os bastidores do clube - em reunião do Conselho, por exemplo - e foi um dos fatores de desentendimento entre Ataíde e Aidar. O São Paulo, inclusive, corre risco de punição se for constatada a irregularidade.
SOCO DE ATAÍDE
A efervescência dos bastidores são-paulinos atingiu proporções vulcânicas nesta segunda-feira, em que uma reunião de cúpula terminou em briga, com o soco de Ataíde em Aidar. O episódio, em meio à saída do técnico Juan Carlos Osorio, provocou a exoneração do vice de futebol e também a debandada de outros dirigentes...
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