Foram quatro meses de trabalho, inovações, turbulências, desmanche do time, derrotas e vitórias. Juan Carlos Osorio, em pouco tempo de São Paulo, deixará saudades por aqui. Trabalho dedicado e intenso, uma das marcas do técnico colombiano que chegou a liderar o Brasileirão 2015. Ao implantar suas ideias, oscilou, mas estabeleceu sua filosofia.
Osorio foi defendido pelos esperançosos por oxigenação no futebol brasileiro e detonado pelos contentes com o atraso. Desde a chegada do colombiano era sabido que haveria boicote ao trabalho dele. A previsão se cumpriu. Sofreu marcação de árbitros, jornalistas amigos de técnicos 1x7. Foi “perseguido” por defensores do Luxemburgo e azedos. Avisamos antes aqui: CONFIRA
Infelizmente muitos torcedores e jornalistas desvalorizam profissionais honrados que ainda existem no futebol. Osório foi crucificado por ser franco quando o São Paulo o deixou no escuro e em meio a crises. Acostumamo-nos com mau caráter e frases prontas para a torcida. Os sedentos por ideias novas rejeitaram conceitos opostos à mesmice.
O imediatismo imperou em detrimento do desenvolvimento de um trabalho autêntico. Cobramos técnicos diferenciados e modernos após o 7x1, veio um, mas foi questionado por pensar diferente e está indo embora. O trabalho de um técnico estrangeiro foi julgado em poucos meses de atuação. Os “entendedores” caíram no erro recorrente. Impressionante, nada mudou.
Diversos fatores interferiram, todavia Osorio deixou heranças. A marcação de escanteio com quatro defensores, a transformação de zagueiros que saem jogando. A reconstrução da zaga reduzindo a média de gols tomados com uma das duplas de zagueiros mais jovens do Brasil. Promoveu a recuperação do futebol do Pato e do Ganso. Garimpou o atacante Rogério.
El profe colocou Breno de volante e Thiago Mendes de motor no meio. Lucão cresceu ao lado de Rodrigo Caio. O técnico promoveu a subida de vários atletas da base que talvez não tivessem chance com outro treinador. Lyanco foi uma grata surpresa. A lógica de barrar a base foi quebrada. O futebol de alta intensidade foi assimilado.
As laterais melhoraram, Bruno atingiu regularidade e Matheus Reis adquiriu confiança com as chances recebidas. Carlinhos melhorou atuando de meia atacante e solidificou bom futebol quando Osorio explorou suas qualidades ofensivas. O futebol tricolor desenvolveu um sistema tático mutante, facilmente adaptável ao 3-3-1-3, 3-4-3, 3-5-2, 4-2-3-1, 4-3-3.
Quanto ao criticado rodízio de jogadores, Muricy afirmou recentemente: "Rodízio é uma necessidade básica do futebol moderno". O fraco preparo físico da Barra Funda agradeceu. Os jogadores passaram a gostar do Osorio e pediram a sua permanência. Eles entenderam a filosofia considerada incoerente por muitos, mas fundamentada.
Juan Carlos Osorio fez tudo isso em quatro meses dentro de campo. Fora de campo perdemos um técnico que foi diretor, gerente, manager, superintendente, coordenador e psicólogo de futebol. Gracias por todo Osorio.
Wender Peixoto
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Osorio, gracias por todo – por Wender Peixoto
Fonte SPFC.Net
7 de Outubro de 2015
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