Se quer paz, México está longe de ser melhor opção para Osorio

Fonte ESPN
Osorio tem proposta da seleção mexicana
Juan Carlos Osorio está indeciso. O atual técnico do São Paulo afirmou no último sábado que ainda não decidiu se vai deixar o clube paulista imediatamente para comandar a seleção mexicana. Mas certo mesmo é, se ele rescindir seu contrato, dificilmente encontrará paz para fazer seu trabalho.
Se no São Paulo o colombiano teve que engolir um desmanche do elenco e uma cobrança por mensagem de um membro do tricolor - chegando a declarar depois que não confiava na diretoria são-paulina -, no México terá que desafiar a instabilidade do cargo, a exigente imprensa local e os donos dos 18 clubes da primeira divisão mexicana.
O último técnico que sobreviveu a um ciclo de quatro anos na seleção norte-americana, entre uma Copa do Mundo e outra, foi o argentino Ricardo La Volpe, entre 2002 e 2006. Depois dele, nada menos que sete treinadores passaram pelo comando técnico - Hugo Sánchez, Jesús Ramírez, Sven-Goran Eriksson, Efraín Flores, José Manuel de la Torre, Victor Manuel Vucetich e Miguel Herrera.
Atualmente, Ricardo Ferretti, o Tuca, comanda interinamente "El Tri".
Um dos pontos mais sensíveis dentro da estrutura da federação mexicana é o poder dos donos dos times da primeira divisão. São eles que decidem pela contratação e demissão dos treinadores da equipe nacional. E, por vezes, "incomodam" o treinador da seleção, como relatou o sueco Eriksson, hoje no Shangai SIPG, da China, e ex-comandante de Benfica, Lazio, Sampdoria, Roma, seleção inglesa e Manchester City.
Em sua autobiografia, lançada em 2013, o sueco detalha como funcionava a hierarquia e as relações dentro da seleção.
"Foi absurdo. Não podia reportar a pessoas distintas e todos eles tinham interesses distintos. Era importante fazer alianças com gente colocada nos postos mais importantes do negócio do futebol (...). Os donos das equipes decidiam mais ou menos como se operava a seleção", escreveu.
No livro, Eriksson ainda destaca quando foi chamado para conversar com Jorge Vergara, dono do Chivas Guadalajara. Segundo o técnico, foi praticamente um interrogatório. Entre as questões, por que ele não havia demitido o treinador de goleiros e a escolha de um hotel em detrimento de outro.
"Foi quase como se eu estivesse respondendo acusações de uma espécie de tribunal. Cada era pergunta era mais estúpida que a outra", relata.
Vergara é proprietário do Grupo Omnilife, umas das 200 maiores empresas mexicanas. E ele, dono de uma fortuna estimada em US$ 1,5 bilhão, é um dos empresários que encabeçam a procura pelo novo técnico.
Na última semana de setembro, inclusive, Vergara afirmou que Osorio era o principal candidato para assumir a seleção mexicana, segundo a Televisa.
Outro ponto sensível é a imprensa local, extremamente crítica com a seleção. Inclusive, a mídia local acabou sendo, indiretamente, um dos motivos para que Miguel Herrera deixasse o cargo - "El Piojo" agrediu Christian Martinoli, da TV Azteca, a quem acusou na época de ofendê-lo.
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