O clima fora das quatro linhas não anda nada bom no São Paulo. Depois da declaração do técnico Juan Carlos Osorio sobre ?não confiar na diretoria, os dirigentes do clube têm pressionado o presidente Carlos Miguel Aidar a tomar uma posição. Cotado junto à seleção mexicana, especula-se que o treinador poderá vir a pedir sua rescisão a qualquer momento. O colombiano tem dado claros sinais de insatisfação com a cúpula são-paulina, que o teria iludido com um elenco e desfeito parte dele pouco depois.
Algumas situações acabaram por ocasionar nesse sentimento de desilusão de Osorio. Dentre eles, a omissão dos mandatários do São Paulo acerca da condição financeira que vivia (e ainda vive) o clube. Em junho, após perder Paulo Miranda, Denilson e Rodrigo Caio (que acabou retornando), o técnico mostrava surpresa:
"Não mentiram para mim. Mas não falaram da situação econômica tão delicada do clube. Agora entendo melhor, mas não pensava que o problema era tão grande, que teria de vender três jogadores ao mesmo tempo. Achava que era apenas um", disse pouco depois de chegar ao Morumbi.
Passados alguns dias, o treinador ainda perderia Souza e Dória, reduzindo bastante a qualidade do plantel. Mesmo com tantas perdas (oito, ao total), Osorio ainda se chateou com outro fator: uma mensagem que recebeu de um cartola do clube, cobrando bons resultados de maneira muito rude. Naquele momento o técnico cogitou seriamente pedir demissão e foi temporariamente demovido da ideia pelo vice-presidente de futebol Ataíde Gil Guerreiro:
"Recebi uma mensagem de um diretor após a partida e fiquei muito surpreso. Então vou sentar e ver o que é melhor (...) É uma situação delicada. Acho que não é o melhor momento para uma resposta final. Vou avaliar com minha família e decidir", contou, já em agosto.
Até mesmo a situação política do Tricolor foi mencionada por Osorio nos últimos dias, quando o comandante referiu-se à queda de braços pelo poder que culminou na demissão do CEO Alexandre Bourgeois após somente três meses na função:
"A situação conturbada chega aos jogadores. Eles percebem todos os problemas que têm ao redor do time. Em minha humilde opinião (atrapalha) sim, muito. Porque não há estabilidade e você percebe isso", avaliou.
O que parece ser o estopim surgiu nesta semana, com novo interesse do México em contar com os seus serviços. Sem papas na língua, Juan Carlos Osorio foi enfático ao dizer que poderá deixar o comando da equipe e que não confia de fato na diretoria:
"Todos aqui sabem da realidade do futebol brasileiro. Três, quatro maus resultados e eu não estaria aqui. Vou jogo a jogo. Há situações e coisas que eu não gosto, não compartilho. Em nível de clube, estou no melhor. Não quero ir a outro. Uma seleção... estamos falando de outra coisa. Uma possibilidade de Copa do Mundo é algo diferente. Tenho objetivos como qualquer um. Meu coração e minha cabeça estão aqui, mas não posso falar do dia de amanhã", afirmou na última quinta-feira.
Ao final, depois de perguntando se ainda confiava nos dirigentes do São Paulo, Osorio foi taxativo e franco:
"Pelo que fizeram com o elenco e com os desfalques, não".
Entenda como Juan Carlos Osorio deixou de confiar na diretoria do São Pauo
Fonte 90min
27 de Setembro de 2015
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