Olá,
Após o Bem, Amigos! da última segunda feira, o Juan Carlos Osorio, técnico do São Paulo, participou do tradicional jantar que pode ser definido como o terceiro tempo do programa. Ao lado do Juca, assessor de imprensa do futebol do clube, e diante do Casagrande, Marco Antônio Rodrigues, Caio e o que vos escreve, ele discorreu sobre futebol e só aumentou a certeza de que sua presença em terras brasileiras tem que ser muito bem vinda. Em tempos de intolerância explícita e disfarçada e de pouca afeição a troca de ideias de maneira educada e produtiva, o técnico do São Paulo dá um respiro para um tema que se afoga em números, discussões supervalorizadas sobre o papel da arbitragem e um catedratismo irritante. E não pensem que a mídia fica de fora deste traçado nem sempre tão saboroso.
E não apenas pela presença de alguém com a visão do Juan Carlos Osorio que o Campeonato Brasileiro pode ser considerado um dos melhores dos últimos tempos. Há um vento no ar mostrando que a visão dos treinadores mudou. A maioria está preocupada em qualificar o espetáculo. Em dar ao jogo mais atrativos. Ficou para trás a ode ao jogador que entra no campo do adversário e precisa de um GPS para saber o que fazer com a bola. São constatações que podemos fazer a cada rodada. Lógico que nem todos os jogos são espetaculares e muitos tem mais emoção do que qualidade, mas sõ no último final de semana tivemos: Palmeiras x Grêmio; Corinthians x Santos; Atlético-MG x Flamengo e Coritiba x Atlético-PR. Não faço comparações com a Europa, especialmente a Inglaterra, pois são realidades distintas. Mas para os padrões brasileiros, o CB atual mais alegra do que entristece.
Não sem motivos, ficamos resistentes aos elogios. Quem o aplica corre sempre o risco de ser considerado um... ”chapa branca”. Mas a edição 2015 deste CB tem apresentado jogos muito bem disputados, estádios com boa média de público, o que pode ser colocado na conta do conforto oferecido para quem troca a poltrona da sala pela cadeira do estádio, e pela apresentação de boas equipes. Muitas dispostas a buscar o gol de forma incessante.
Para que o jogo ganhe ainda mais qualificação e, consequentemente o espetáculo, é necessário que os jogadores entrem neste vagão de mudança de conceitos e postura dentro do campo. Numa sociedade que rejeita o golpe, repudia a busca por leva vantagem a qualquer preço, simular faltas e querer jogar o árbitro ou o adversário contra a torcida não cai bem. Que todos aqueles jogadores adeptos da simulação, aprendizes, de quinta categoria destaque-se, da pilantragem, entendam que os tempos são outros e as mudanças inevitáveis. É um bom tema para o Bom Senso abordar com quem ainda insiste em trafegar na contramão do presente.
Boa semana para todos.
As lições do senhor Osorio
por PC Vasconcellos
Fonte SPORTV
22 de Setembro de 2015
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