Muricy se prepara para ser dirigente do São Paulo

Afastado do trabalho desde abril, o técnico fala ao DIÁRIO, sobre os seus planos para o futuro

Fonte Diário de SP
Muricy Ramalho chegou ao limite. Físico e emocional. Sua saúde pedia socorro tanto quanto o São Paulo. Ele resolveu, então, se cuidar. Decisão obviamente acertada para dar um novo rumo à sua vida. Cinco meses após deixar o Tricolor, o treinador é uma nova pessoa.
Usa seu tempo para a família e para estudar futebol. Sim, o autor do bordão “Aqui é trabalho” vai buscar um aprendizado no Barcelona para conhecer métodos de trabalho diferentes.
Quer ser um treinador melhor? Talvez. Deseja voltar em janeiro. Mas a sua grande meta é entrar em um cargo diretivo no futuro, como revelou ao DIÁRIO, nesta paciente entrevista.
DIÁRIO_ Você deixou o São Paulo há cinco meses. O que tem feito neste período?
MURICY RAMALHO_
Neste momento (risos), estou assistindo a Ceará x Náutico (segunda-feira, pela Série B). Não perco o costume. Primeiro, cuidei da minha saúde, que eu precisava. São mais de 20 anos dedicados ao futebol e isso tem um preço alto. Uma hora eu teria de pagar. Cuidei bastante disso, passei por cirurgia. Fiz alguns retoques como se fosse um carro velho na funilaria.
Como a cirurgia a que foi submetido, na vesícula?
Sim, operei a vesícula. Mas isso não é o principal. A diverticulite (inflamação na parede do intestino) precisa de atenção integral. É um problema que tenho e é causado pela alimentação. Não posso comer tudo que quero. Tenho de evitar, por exemplo, feijão. Tudo que é grão será um problema porque acaba entupindo o divertículo e causa a dor forte.
Está fazendo bem ficar longe do futebol? Você sempre disse que isso é a sua vida.
Tem um lado muito gostoso. Estou convivendo com a família, coisa que não faço quando estou no futebol. É, na verdade, uma recuperação familiar. E estudei também sobre futebol.
Estudou? Vai voltar a trabalhar com novos conceitos?
Vou para Barcelona em outubro, dia 7. Quero conhecer o Barcelona por dentro, conhecer a estrutura profissional, da base, é um time que revela demais. Vou a treinos, a jogos. Há muita dificuldade para o treinador brasileiro fazer essa aproximação quando está trabalhando. Através do pai do Neymar, tive essa chance. Sou muito amigo dele, do Neymar, do Ricardo Rosa, que é preparador físico do Neymar. Além disso, tenho companheiros que conheci quando estava no México que são espanhóis.
Quanto tempo vai ficar lá?
Vou ficar lá por 15 dias. Não tem como fazer isso trabalhando. Lá atrás, há muitos anos, tinha intercâmbio dos brasileiros com os europeus. Dava pra aproveitar bastante com os jogos, as excursões internacionais. Hoje, não tem como.
Há pouco tempo, você se incomodava com os comentários de que o técnico brasileiro precisa se reciclar. O que fez você mudar de postura?
Antigamente, quando a gente dominava o futebol mundial e era referência, todos vinham aqui no Brasil atrás de conhecimento. Agora, a situação mudou e a gente tem de ir lá também. A maior diferença é que tudo lá na Europa é muito profissional. Aqui o treinador assume e tem de ganhar, senão, corre riscos.
Mas existem diferenças no trabalho de campo também, nos treinamentos...
Não sei, não. Método de treino, de trabalho em campo é parecido, pelo que me falam.
Seu nome já foi comentado para assumir um cargo de diretor técnico no São Paulo. Você toparia?
Tenho o pensamento voltado para isso no futuro. É um campo que falta gente com experiência. A maioria é amador. E um profissional que faz a ligação da presidência com a área técnica é importante. Como recebi vários convites para trabalhar no ano que vem como treinador, vou esperar mais para realizar esse desejo.
Iniciar essa função no São Paulo seria o cenário ideal?
Olha, eu entrei no São Paulo criança. Comecei lá na escolinha de futebol, comecei lá como jogador profissional e comecei também como técnico. Então, é um lugar que conheço muito bem. Por isso, a última vez que estive lá ajudei bastante. Claro que é um lugar em que sou muito visado, que conheço todas as pessoas. Mas, se eu fosse convidado, eu iria.
Não foi convidado ainda?
Ainda sou treinador de futebol (risos). Converso com o Ataíde Gil Guerreiro (vice-presidente de futebol) de vez em quando de maneira informal, mas não fui chamado por ninguém.
Essa viagem para Barcelona está com cara de aprendizado para a nova função diretiva...
Isso é o que mais me interessa, quero tirar muitas informações para o futuro. No dia a dia, o treino é parecido. Quero ver a organização do trabalho profissional e de base.
Até quando vai ser treinador? Vai esperar por quanto tempo para mudar de função?
Vou voltar ano que vem e vou continuar até me sentir bem. Vou escolher um time que me dê condições de trabalho.
O São Paulo demorou, mas conseguiu contratar um técnico estrangeiro, algo que era quase uma obsessão. Você gosta da ideia de gringos no futebol brasileiro, como o Juan Carlos Osorio?
(pausa) Ele é reconhecido como um bom treinador. É um bom técnico como outros brasileiros. Tem virtudes e qualidades como outros. Mas tenta implantar algo que poucos têm paciência para fazer: o rodízio de jogadores.
O rodízio só é obrigatório porque tem o desgaste. Jogador aceita pouco esse tipo de coisa no Brasil. O treinador tem o número na mão (resultado de exames) e vai usando o jogador no limite. Infelizmente é assim. Lá fora (do Brasil), tem muita gente que faz o rodízio, é coisa cultural em outros países, ninguém reclama. No Brasil, se faz quando é necessário. Aqui é mais difícil, a gente ouve críticas da própria imprensa.
Mas você aprova o rodízio?
A gente sabe das dificuldades dos técnicos. Os elencos não são tão grandes. São muitos jogos, com distâncias enormes, o futebol está veloz, aumentou a quilometragem percorrida pelos jogadores nas partidas. Tudo isso faz com que os times percam jogadores por lesão. O Osorio tem de fazer rodízio porque perdeu jogadores.
Você já apresentou algumas mudanças de pensamento neste período em que está sem clube. Quando voltar a trabalhar, que diferenças serão notadas à beira do campo?
Vou voltar mais tranquilo, respeitando meu corpo, sabendo usar mais a experiência. Vou trabalhar mais a cabeça e menos o físico para render mais.
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