Carlos Miguel Aidar está no segundo ano de gestão no Tricolor (Foto: Ale Cabral)
Quatro dias depois de conceder entrevista coletiva e dizer que a dívida do São Paulo era, na verdade, de R$ 137 milhões, o presidente Carlos Miguel Aidar viu uma das instituições financeiras mais conceituadas do mercado rebater suas alegações. Segundo relatório do Itaú BBA sobre as dívidas dos clubes mais importantes do Brasil, o Tricolor tem débitos de R$ 272 milhões.
Os valores, até a última sexta-feira, eram admitidos pelo próprio Aidar, que afirmou ter sido induzido ao erro sobre o caso. Para explicar a diferença nos números, o mandatário afirmou que cerca de R$ 140 milhões faziam parte de passivos bancários, sem obrigação de pagamento imediato. A análise do Itaú BBA é diferente e fala que os são-paulinos têm omitido as dívidas operacionais e fiscais nos cálculos.
A instituição financeira dissecou os débitos do time do Morumbi da seguinte maneira: R$ 150 milhões de dívidas bancárias, R$ 50 milhões de dívidas operacionais (negócios com fornecedores e empresários e investimentos em contratações) e R$ 72 milhões de dívidas tributárias (impostos e os débitos da Timemania, que passaram a ser considerados após mudanças do Profut).
Membro da academia LANCE! e especialista em saúde financeira dos clubes brasileiros, Amir Somoggi concorda com a análise do Itaú BBA. Ele lembra que a situação do São Paulo era muito grave ao fim do ano passado para que a dívida tivesse apresentado tamanha redução como a apresentada por Carlos Miguel Aidar. A diretoria tricolor foi procurada para também comentar o caso, mas o vice-presidente de administração e finanças, Osvaldo Vieira de Abreu não atendeu à reportagem.
- Ele (Aidar) só pegou a dívida bancária, como se fosse o único déficit do clube. Mas há outras dívidas que tem que ser consideradas. No estudo que fiz sobre as finanças dos clubes em 2014, a dívida do São Paulo era de R$ 341 milhões, sendo R$ 60 milhões de dívida fiscal - salientou Somoggi.
Confira as explicações de Cesar Grafietti, gerente de crédito do Itaú BBA, sobre os critérios para o cálculo das dívidas dos clubes:
"Para quem acompanha nosso histórico de análises, uma das premissas que utilizávamos para a definição de Dívida Tributária era a de excluir a Timemania da conta. Adotamos esta prática porque as renegociações no âmbito da Timemania têm uma forma de amortização própria, associada à loteria de mesmo nome.
Ocorre que após a aprovação do Profut, a Lei do Futebol, observamos que muitos clubes têm sinalizado que está dívida passaria a fazer parte do pacote de alongamento que deu origem ao Profut.
A despeito de sempre ter sido uma dívida, a Timemania alongada nesse contexto muda sua forma de amortização e passa a ter uma exigibilidade mais clara e definida. Desta forma, recalculamos as dívidas de todos os clubes incluindo a Timemania na Dívida Tributária".
Relatório de banco contesta dívida apresentado por Aidar no Tricolor
Presidente do São Paulo anunciou, na semana passada, que rombo nos cofres do clube era de 'apenas' R$ 137 milhões, mas Itaú BBA fala em cifras acima de R$ 272 milhões
Fonte LANCE!Net
8 de Setembro de 2015
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