Os números apresentados pelo presidente separaram a dívida financeira de outras obrigações (empréstimos bancários, impostos não pagos, obrigações da Timemania e débitos com fornecedores e empresários). Somados, esses valores estão próximos da primeira soma trabalhada por Aidar: R$ 280 milhões.
- É dívida financeira. Você sabe a data, ele [Aidar] estava analisando o semestre [de 2014]. Se você pega a dívida financeira, bancária, toda a dívida com instituições financeiras, é aquela mesmo - admite Osvaldo Vieira de Abreu, vice de administração e finanças do clube.
Especialistas consultados pelo UOL Esporte divergem da interpretação feita por Aidar para o tamanho da dívida são-paulina. Para os auditores, fica clara a tentativa de maquiar a situação financeira do clube:
- Uma dívida bancária ou um empréstimo é uma obrigação bancária. Uma dívida com o governo por impostos, parcelados ou não, na Timemania ou no Refis, não deixa de ser uma obrigação. Na semântica da coisa, pode ser encarada como dívida. Tanto faz o nome. Você também pode chamar um empréstimo de obrigação. É tudo uma questão de nome. É semântica. Para a contabilidade, nós contadores dizemos que o passivo todo é um conjunto de obrigações - afirma Carlos Aragaki, da UHY Moreira Auditores.
- Esse número é certamente muito maior, quando se fala em R$ 137 milhões, eu não me atentei ao número, mas sabia que era algum uso de retórica na discussão, porque R$ 137 milhões nós sabemos que não é. O endividamento líquido do São Paulo é muito maior do que isso. Não faz sentido nenhum. Está se tentando justificar um número. O São Paulo deve muito mais que isso - defende Fernando Ferreira, da Pluri Consultoria.- Tem muito mais. Tem a parte operacional, a parte tributária e outras coisas. Dizer que a dívida é R$ 137 milhões quando até o ano passado era R$ 341 milhões é complicado - diz Amir Somoggi, consultor de gestão esportiva.
- ?As coisas estão se ajustando, essa reestruturação de gestão está sendo implantada, e realmente o resultado disso demora. Até 2016 com certeza estaremos dentro do equilíbrio em continuando dessa maneira - defende o vice de finanças.
