Juan Carlos Osorio tem aproveitamento de 53,8% no Tricolor / Rubens Chiri/São Paulo FC
Parece que foi ontem, mas o São Paulo apresentou Juan Carlos Osorio há pouco mais de dois meses e meio. Quando chegou ao Brasil, o colombiano imediatamente passou a ser comparado ao último estrangeiro que havia dirigido um grande time do estado: o argentino Ricardo Gareca, que trabalhou no Palmeiras em 2014.
Mesmo aos trancos e barrancos, o técnico tricolor apresentou números bem mais expressivos do que o atual comandante da seleção peruana.
Em 13 partidas, Osorio teve aproveitamento de 53,8% — não foi levada em conta a derrota para o Atlético-PR porque ele cumpria suspensão por ter sido expulso no clássico com o Verdão. Já o argentino obteve apenas 33,3% de aproveitamento no mesmo número de partidas (o quanto durou sua passagem pelo Palestra).
E olha que o cenário para o colombiano não foi nada favorável, diferentemente do que Gareca viveu em sua chegada.
Osorio desembarcou em um clube em turbulência financeira, negociando vários jogadores (Souza, Denilson, Paulo Miranda, Cafu, Boschilia, Ewandro e Dória deram adeus ao elenco).
Por outro lado, Gareca contou com reforços escolhidos a dedo. Não à toa, montou uma legião argentina no clube: Tobio, Allione, Mouche e Cristaldo.
Recuperação/ Apesar de ter conquistado a simpatia de quase todos no CT, o educado treinador são-paulino vem enfrentando dificuldades para implementar sua metodologia.
Assim como o argentino, o colombiano não costuma repetir muito as escalações de suas equipes. O rodízio de jogadores não tem agradado a todos e ele passou a ser questionado.
Depois da derrota (3 a 0) para o Goiás, no fim de semana, o treinador já recebeu as primeiras vaias e gritos de “burro” da torcida. A chance de dar a volta por cima, ele terá na próxima quinta-feira (20), diante do Ceará, na estreia do Tricolor na Copa do Brasil.
Entrevista
Pablo Forlán_ Uruguaio, ex-técnico do São Paulo
‘É preciso ter paciência com o técnico estrangeiro’
DIÁRIO_ É mais difícil um estrangeiro trabalhar no Brasil?
PABLO FORLÁN_ Sem dúvida, não é fácil. Porque quem conhece bem os jogadores leva vantagem. Quem vem de fora não conhece tão bem o país.
É preciso ter calma?
Não dá para acontecer tudo de um dia para o outro. É preciso ter paciência com o estrangeiro. Se um clube traz um técnico como o Muricy (Ramalho) ou o (Vanderlei) Luxemburgo, é diferente. A pessoa tem de conhecer o seu plantel e o da equipe que vai enfrentar.
O idioma atrapalha?
Em pouco tempo, acho que a pessoa se acomoda ao idioma logo e já faz o time entendê-la.
Os jogadores brasileiros são diferentes dos outros?
O jogador de futebol é uma espécie especial. Eles têm um comportamento diferente. Mas, no meu caso, acho os brasileiros parecidos com os uruguaios. A cada dia, eu confio mais na ideia de que o resultado depende 80% dos jogadores e 20% do corpo técnico e de todo o entorno. Se não tem jogador, fica difícil ganhar. Mas acho a importância do técnico grande. Ele não deve inventar na hora de escalar.
Como avalia o Osorio?
Não tenho acompanhado muito, mas ele é um treinador de capacidade. O Brasileiro é um campeonato muito duro, com vários jogos em sequência.
Há pressão contra um técnico estrangeiro no Brasil?
O técnico estrangeiro sofre por causa da imprensa. Fazem força para tirá-lo. Esperam que ele perca para dar chance para um Felipão (Scolari), Muricy (Ramalho) ou (Vanderlei) Luxemburgo, que são bons. Faz parte do jogo. No futebol, não tem outro jeito, tem de ganhar.
Faltou o quê na sua época como técnico do São Paulo?
Faltou paciência. Estava na zona de classificação (do Brasileiro, quando deixou o cargo, em 1990). Mas tenho orgulho de dizer que deixei a base do time que foi campeão de tudo com o Telê (Santana). Depois só chegaram o Muller e o Palhinha. O Telê teve a grandeza de falar isso. Não fiquei magoado.
Osorio supera Gareca e se firma no Tricolor
Com o mesmo número de jogos, o técnico são-paulino apresenta retrospecto superior ao do argentino
Fonte Diário de SP
19 de Agosto de 2015
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