
Em vez de estarmos discutindo a transição para modelos coletivos de negociação como os dos campeonatos europeus, estamos indo na contra mão. Até na Espanha notou-se o absurdo que estava sendo praticado e o governo acabou com a farra através de lei promulgada.
A Globo, motivada por interesses escuros, fará a distribuição das cotas injustamente, com desequilíbrio maior. A diferença de audiência entre os clubes praticamente inexiste quando as médias totais são tomadas. Portanto, os clubes prejudicados precisam se mobilizar por maior lisura e equilíbrio. Ou: romper com o sistema.
Cartolas omissos assinam acordos lesivos e depois reclamam hipocritamente na mídia. Estão agindo a curto prazo, criando uma tragédia a médio prazo. O equívoco causará um apartheid trágico no futebol brasileiro. O Brasil nunca mais vencerá uma Copa do Mundo, a manter como está caminhando.
Privilegiar dois clubes ou mais em detrimento dos demais, por comodidade espanholizadora da emissora detentora dos direitos de transmissão, é falir o futebol verde e amarelo. Com menores verbas, os clubes menores terão times cada vez piores e os jogos perderão apelo.
O espectador e telespectador de futebol, inteligentes, cobram por espetáculos cada vez melhores e competitivos conforme os preços sobem. O interesse por competições dos mais variados esportes reside no equilíbrio. Sem oponente forte em qualquer modalidade, o esporte é assassinado na essência.
Igualdade é o segredo. O interesse pelo campeonato espanhol, por exemplo, vem caindo ano a ano. Quando o telespectador não é torcedor do time A, onde está a graça em saber que esse time A vai enfrentar outro já sabendo que vai golear o adversário com enorme facilidade, em todos os jogos? O apelo desparece.
O fundamento do futebol brasileiro sempre residiu na força dos pequenos clubes, de boas equipes, que alimentavam os grandes com excelentes jogadores revelados. Com clubes fracos, e não revelando jogadores, o resultado será campeonatos inchados de atletas estrangeiros contratados nos vizinhos.
As cotas de TV devem ser igualitárias para equilibrar as competições e torná-las atrativas. O equilíbrio de forças no futebol significa mais gente no estádio e mais gente na tevê acompanhando se o seu time será campeão. A elitização dos grandes com marginalização dos pequenos será fatal para o esporte mais democrático.
Wender Peixoto
Twitter: @peixotowender