Novo técnico do São Paulo, Juan Carlos Osorio já deu algumas dicas de como deve armar o time no começo de trabalho no clube tricolor. Apesar de ser conhecido pela versatilidade e o grande arsenal de táticas, o treinador deve recorrer, pelo menos em um primeiro momento, aos dois sistemas favoritos: o 4-3-3 e o 3-4-3.
Somando Campeonato Colombiano, Libertadores e Superliga, o treinador comandou o Atlético Nacional em 32 jogos desde janeiro deste ano. Em 15 dessas partidas, um dos dois esquemas foi utilizado em algum momento, isso quando não variam entre si durante os confrontos.
Logo na apresentação no São Paulo, o "Lorde", como é conhecido, deixou transparecer a ideia de atuar com apenas um volante, dois meias e três na frente. Uma mudança ainda mais profunda foi indicada: a chance de escalar Ganso como uma espécie de meia pela esquerda, o que faria uma alteração grande no setor ofensivo.
Questionado durante a coletiva de apresentação no CT da Barra Funda, nesta segunda-feira (1), o técnico também sinalizou com a chance de ter mais um zagueiro entre os titulates, caso o adversário atue com dois atacantes.
As táticas do colombiano começaram a ser trabalhadas nos tempos em que ele foi assistente no Manchester City, no início dos anos 2000. Fã do esquema com dois jogadores abertos pelas pontas e um centroavante, o técnico adaptou o estilo de Sir Alex Ferguson nos tempos de Manchester United. Em determinados jogos, o escocês usava atletas nas pontas e deixava apenas o holandês Ruud Van Nistelrooy na área. Desde então, Osorio costuma trabalhar da mesma forma.
O 4-3-3

Tática Atlético Nacional armado por Osorio na derrota para o Cali
Na derrota por 1 a 0 para o Deportivo Cali, que culminou na eliminação nas quartas de final do Campeonato Colombiano, o técnico usou o 4-3-3 para iniciar a partida, com apenas um volante de contensão, um meia saindo para o jogo e outro na armação. Na frente, dois pontas e apenas um centroavante, necessariamente de movimentação.
De acordo com o jornalista colombiano Jorge Bermudez, que atualmente escreve o livro "O caderno de Osorio. Modelo de gestão de um time campeão", a paixão pela disposição tática é antiga e passa até mesmo por Pep Guardiola.
"Quatro defensores, um volante preso na marcação, dois mais soltos no meio de campo, dois pontas e um centroavante. Esse é o esquema que mais gosta e que o fez crescer. Guardiola utiliza no Bayern de Munique (com Ribéry e Robben pelos lados, e Lewandowski centralizado). Ele considera o futebol pelas pontas do campo fundamental", conta.
O 4-3-3 no São Paulo

4-3-3 com Ganso atuando à frente dos volantes
Se optar pelo 4-3-3 no São Paulo, Osorio pode ter algumas dúvidas para montar o time tricolor, principalmente na direita. Paulo Miranda, Hudson e Rodrigo Caio disputam a ala. Polivalentes, os três já atuaram no lado direito e conseguem fechar a defesa em uma variação para o sistema com três zagueiros. Destaque para Paulo Miranda, que teve boa fase na posição. Rafael Tolói, Dória e Reinaldo completam a zaga.
Já Bruno, que tem sido lateral direito titular nos últimos compromissos, possivelmente terá que se adaptar com a ideia de virar central em alguns momentos.
Caso não mude as peças mais utilizadas logo de cara, Osorio deve ter Denilson, Souza (mais solto para atacar) e Paulo Henrique Ganso na formação do meio de campo. Se isso acontecer, o desenho tático pode sobrecarregar o camisa 10 tricolor. O técnico depende de um meia de criação extremamente participativo e com alta velocidade para fazer o sistema fluir. Características diferentes das demonstradas atleta ao longo da carreira.
Vale destacar que Ganso não ficaria preso ao lado direito. Assim, teria que cobrir mais de um setor, principalmente quando o time estiver sem a bola.
"O mais difícil do futebol é marcar gols, o segundo mais difícil é não ceder. É trabalho de todos. Seguramente Pato, Michel Bastos, Ganso, Wesley, são os primeiros defensores na hora em que perdemos a bola. Defender bem é defender pouco e vamos atacar muito mais do que defendemos", cravou Osorio.
Outro papel importante seria o de Souza. Com liberdade para jogar, o atleta pode encarar concorrência forte de Wesley e Boschilia.
O ataque teria Centurión na esquerda (o treinador gosta de ao menos um atleta driblador pela ponta), Michel Bastos na direita (posição em que atuou quando Kaká deixou o clube), ambos possivelmente acompanhando os laterais adversários, e um centroavante fixo. Assim, Alexandre Pato e Luis Fabiano brigariam pela vaga restante. Vantagem para o camisa 11, que tem uma movimentação melhor.
Ganso recuado?

4-3-3 com Paulo Henrique Ganso recuado pela esquerda
Um dos pontos altos da entrevista coletiva do Osorio foi quando o colombiano acenou com a chance de usar Ganso um pouco mais recuado na esquerda.
"O Ganso eu conheço de enfrentar, na época de Santos. Lembro do passe profundo, a técnica. Pode jogar à frente de Denilson e Souza. Mas pode ser que jogue como meia esquerda. Tenho que treina-lo. Tem um grande talento, com três jogadores à frente dele", analisou.
Caso isso realmente aconteça, a formação abriria uma grande disputa no meio de campo. Osorio gosta de utilizar apenas um volante de contensão e outro mais solto. Logo, Denilson, Souza, Wesley, Boschilia e Thiago Mendes brigariam por duas vagas no setor: uma de marcação e outra de chegada ao ataque e aproximação com os pontas. A terceira invariavelmente ficaria com Ganso, que armaria o jogo um pouco mais de trás.
A mudança para o 3-4-3

Atlético Nacional alterado por Osorio para o 3-4-3
A variação mais recorrente de Osorio acontece nas etapas finais dos jogos. Na despedida do Atlético Nacional, o colombiano passa o lateral esquerdo Díaz para o meio de campo, transforma o lateral direito em outro zagueiro e forma um 3-4-3, com um losango no centro do gramado.
A utilização dos dois métodos dentro da mesma partida é um dos principais trunfos do treinador nas conquistas pelo Atlético Nacional. Para que tudo saia dentro do plano, o colombiano aposta em jogadores que saibam atuar em mais de uma posição. A compreensão tática de cada membro do elenco é outro ponto fundamental para o sucesso. Logo, o trabalho realizado Brasil deve exigir certo tempo e muito treinamento caso ele pretenda repetir as táticas.
O 3-4-3 no São Paulo

Simulação de um 3-4-3 com Ganso de armador
A alteração para o 3-4-3 no São Paulo pode criar dúvidas em dois setores. Como não joga com alas e sim com quatro meio-campistas quando alterna, Osorio tem a opção de usar Reinaldo no setor ou realizar a passagem de Michel Bastos para a meia esquerda, o que abriria uma nova disputa na ponta direita. Nas duas últimas partidas do São Paulo - vitória contra o Joinville e empate contra o Internacional - Thiago Mendes, mesmo sem a chegada de um ponta de origem, tem atuado aberto pelo setor direito.
Caso decida utilizar Michel Bastos na direita, Osorio pode colocar Boschilia na esquerda. O time tricolor flertou com o 3-4-3 nos tempos de Muricy Ramalho e a recordação é boa. Com o camisa 8 no lado esquerdo, a equipe venceu o Bragantino por 5 a 0, pelo Campeonato Paulista deste ano.
A segunda opção é contar com Ganso na esquerda. Já Michel Bastos permaneceria aberto pela direita. A dúvida ficaria na posição de meia-atacante.
Outra opção que o técnico pode testar é começar os jogos direto no esquema com três defensores, o que também aconteceu em diversas oportunidades no Atlético Nacional. A utilização do sistema forçaria a saída de um ou ambos os laterais, caso nenhum se adapte ao meio de campo. Vale lembrar que o São Paulo encontra dificuldades para firmar jogadores nas laterais nos últimos anos.

São Paulo no 3-4-3 com Ganso recuado para esquerda
Apesar do carinho pelos dois esquemas táticos preferidos, Osorio não deverá insistir neles caso entenda que o elenco não possui as características necessárias. Para Jorge Bermudez, tudo é uma questão de estudo do futebol, uma das especialidades do treinador.
"Ele tende a se adaptar aos jogadores que treina. Se ele ver que o time não tem jogadores para esses sistemas, ele vai procurar outros. Um dos princípios metodológicos de seus times é a versatilidade tática. A capacidade de mudar de sistema dentro de uma mesma partida ou jogo a jogo. Ele gosta do 4-3-3, mas está apto a usar o 3-5-2, o 4-2-3-1 ou o 3-3-1-3", define.
É importante destacar que Osorio deve mais uma vez apostar no sistema de rodízio, sem titular absoluto. Caso cumpra, o técnico deve alterar algumas peças utilizadas com mais frequência e dar oportunidade a boa parte do elenco.
"Dentro desse desafio está o que os jogadores entendam que o rodízio não é um princípio de jogo, é de vida. Onde não se compara por dinheiro ou história, se respeita o prestígio, mas em um grupo de trabalho todos devem ser igualmente importantes", completou.