Juan Carlos Osório é um profissional moderno, com diplomas de treinador na Inglaterra e gestão técnica na Holanda, pós-graduado em ciência do futebol na Universidade de Liverpool.
A formação técnica, aplicada com êxito no Atlético Nacional, não combina com a preferência da opinião pública daqui ao tratar do esporte.
O São Paulo precisará apoiá-lo irrestritamente, inclusive se houver maus resultados por conta da formação do time ou concepção de jogo.
Ou ele terá que abrir mão de conhecimento para se manter no cargo.
De primeira, faz-se importante a profunda revolução de comportamento no CT da Barra Funda e no Morumbi.
Não é questão de demitir x ou contratar y, mas de impedir que alguém coloque, dentro do próprio clube, obstáculos às ideias dele.
De que adianta trazer o promissor comandante se houver jogador fazendo corpo mole para derrubá-lo porque não concorda com ele?
O próprio Muricy Ramalho já falou da falta de comprometimento.
O colombiano estuda, de fato, as equipes adversárias. Antes de enfrentá-las passa as informações aos jogadores, que precisam decorar tudo.
Ele é treinador, não milagreiro.
Se os comandados não assimilem suas lições, será difícil colocarem-nas em prática e o esforço de pré-avaliação ficará inútil.
O conceito de preenchimento de espaços com ‘flutuações táticas durante os noventa minutos, adotado nos ‘verdolagas’, exige que muitos boleiros cumpram mais de uma função.
Muricy e Milton Cruz fizeram o possível para Ganso, Pato e Luis Fabiano jogarem como gostam – com a menor preocupação defensiva possível – e nem assim houve plena reciprocidade.
Os renomados irão cumprir as determinações de quem pretende ser ‘taticamente europeu’ no Brasil?
A implementação de nova filosofia talvez demore mais que a curta paciência da torcida .
Será chamado de Professor Pardal pela parte da opinião pública superficial nas análises táticas e crédula que o talento resolve tudo?
Juan Carlos Osório é a antítese da ultra-conservadora cultura futebolística que impera aqui e ajuda a empacar o desenvolvimento de nosso futebol.
A tradicional e tola frase “em time que ganha não se mexe” mostra como ‘pensamos’ o futebol.
A maioria das agremiações campeãs é imperfeita e modificações inteligentes podem melhorá-las.
O talento é indispensável se colocado em prol do coletivo.
O ‘toca aqui pai, que nóis resolve’, tradicional em nosso país e lá na Barra Funda, não combina com Juan Carlos Osório e nem com futebol profissional, dentro de campo, de hoje.
Os jogadores brasileiros que pensam assim não carregam essas ideias consigo quando conseguem ir para grandes agremiações da Alemanha, Holanda Itália, Espanha, Inglaterra, Portugal e França.
Nesses locais aceitam trocar de função, tentam se adaptar aos pedidos do treinador, não questionam quando o treinador tem mais de 11 titulares, aceitam a reserva até provarem competência e se enquadram no padrão diário do clube para onde foram.
O São Paulo deve renovar o próprio espírito para oferecer ao técnico mais que a excelente estrutura física de preparação dos times.
Lembro que vários treinadores brasileiros são corporativistas e irão olhar torto.
A melhor notícia para Juan Carlos Osório é que o elenco do São Paulo – de acordo com Vanderlei Luxemburgo o melhor do Brasil – permite a formação de um time capaz de mostrar futebol muito superior ao atual.
O de hoje é conservador na parte tática.
Pode evoluir se houver respaldo dos gestores.
Mais mobilidade de alguns jogadores quando não têm a bola e o tima ataca, tal qual o Juan Carlos Osório aprecia, já terá impacto na dinâmica de jogo.
Isso para não citar a forma e atitude individual na recomposição do sistema de marcação.
De qualquer jeito, será importante paciência para tudo se encaixar.
O treinador não tem medo de dar oportunidades aos jogadores das categorias de base.
É vital para a saúde financeira da instituição – cedo ou tarde pesa no futebol – a revelação de novos futebolistas para o time principal.
No mundo de futebol planejado de maneira racional, não haveria quaisquer cobranças de resultados durante o Brasileirão e a Copa do Brasil..
São Paulo contratou Juan Carlos Osório; agora precisa mostrar que realmente quer o treinador
por Vitor Birner
Fonte Blog do Birner
27 de Maio de 2015
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