José Peseiro: futebol moderno e ofensivo, mas de poucos títulos
Apesar de já ter praticamente acertado a contratação do técnico colombiano Juan Carlos Osorio, o São Paulo tem conversa marcada com outro treinador estrangeiro: o português José Peseiro. Com passagens pelo Sporting e pela seleção da Arábia Saudita, além de um período como auxiliar de Carlos Queiroz no comando do Real Madrid, ele é conhecido pelo estilo de jogo moderno e ofensivo, mas também por ser um tremendo "pé frio", já que só ganhou um título em mais de duas décadas.
Peseiro iniciou sua carreira em 1992, dirigindo o semi-amador União de Santarém. Passou por União Montemor e Oriental até acertar seu primeiro grande trabalho, no Nacional da Ilha da Madeira, time que comandou entre 1999 e 2003. Neste período, tirou a equipe da 3ª divisão e levou até a elite do Campeonato Português.
Impressionado com o futebol dinâmico e ofensivo do Nacional, marca da gestão Peseiro, o então técnico do Real Madrid, Carlos Queiroz, convocou o iniciante para ser seu auxiliar no Real Madrid. A aventura, porém, durou apenas um ano, entre 2003 e 2004, até a demissão de Queiroz.
O trabalho nos merengues, porém, fez Peseiro ficar famoso, e ele foi contratado pelo poderoso Sporting logo após a saída do Real Madrid. Com o clube alviverde, tornou-se nacionalmente famoso e fez sucesso logo em sua primeira temporada, alcançando a final da Copa da Uefa com um time que tinha, entre outros, João Moutinho e os brasileiros Liédson e Rogério (ex-Palmeiras e Corinthians, aquele mesmo das pedaladas de Robinho).
Na decisão da temporada 2004/05, porém, o treinador começou a ganhar sua fama de "pé frio". O Sporting jogava em casa, no estádio José Alvalade, e tinha todo o favoritismo contra o CSKA, da Rússia. O time alviverde saiu na frente, gol de Rogério, e foi para os vestiários vencendo por 1 a 0. Só que, na volta do intervalo, os russos massacraram e viraram com tentos de Berezutskiy, Zhirkov e Vagner Love: 3 a 1 e vice para os comandados de Peseiro, para decepção da torcida lusitana, que lotou o estádio.
Foi o suficiente para que o técnico entrasse em um inferno astral. Logo no início da temporada seguinte, caiu nos playoffs da Uefa Champions League para a Udinese e iniciou muito mal o Campeonato Português. Peseiro durou até 18 de outubro no cargo, sendo demitido do Sporting.
O comandante passou pelo Al-Hilal, da Arábia Saudita, antes de chegar ao Panathinaikos, da Grécia, prometendo títulos, em 2007. Mesmo em uma das maiores potências do futebol helênico, porém, seguiu sem nunca conquistar uma taça na carreira, e foi mandado embora em 2008. No mesmo ano, assume o Rapid Bucareste, da Romênia, mas dura apenas três meses no cargo.

NICOLAS ASFOURI/AFP/GETTY IMAGES
José Peseiro no Sporting
Em 2009, Peseiro foi contratado para tentar levar a seleção da Arábia Saudita até a Copa do Mundo da África do Sul. Começou bem as eliminatórias, mas caiu no final e teve que disputar os playoffs contra o Bahrein, quando sofreu talvez a maior decepção de sua vida como treinador. Após um 0 a 0 no primeiro jogo, os sauditas abriram 2 a 0 no jogo de volta, mas viram os bahrenitas empatarem no último lance e se classificarem para enfrentar a Nova Zelândia na repescagem do Mundial. Acabou demitido em 2011.
Em junho de 2012, o comandante assumiu o Braga, então força ascendente do futebol português. Sempre com seu estilo ofensivo, montou um time cheio de brasileiros que incomodou os poderosos Porto e Benfica. Tanto é que foi nessa época que ele conquistou o único título da carreira: a Taça da Liga de Portugal 2012/13, eliminando os "Encarnados" na semifinal e vencendo a final por 1 a 0 sobre os portistas, com gol do baiano Alan.
Mesmo com a taça, Peseiro acabaria demitido ao fim do Campeonato Português daquela temporada, no qual terminou em 4º lugar, fora da zona da Liga dos Campeões. O técnico então, foi para o Al-Wahda, dos Emirados Árabes, onde ficou dois anos, mas uma vez sem títulos, até rescindir seu contrato, em fevereiro desse ano, por divergências com a diretoria.
Agora desempregado, ele aguarda uma chance de comandar o São Paulo para, quem sabe, buscar seu segundo troféu na carreira.