Testemunhas dos feitos de Ceni, mineiros relembram jogos marcantes

Cruzeirenses e são-paulinos que presenciaram atuações marcantes de Rogério Ceni no Mineirão registraram depoimentos curiosos à reportagem do LANCE! em Belo Horizonte

Fonte LANCE!Net

Rogério Ceni jogará, às 19h30 desta quarta-feira, sua primeira partida no novo Mineirão, reformado para a Copa do Mundo de 2014. Mas a relação do goleiro-artilheiro do São Paulo com o estádio começou há muito tempo. E para relembrar os episódios marcantes do Mito na casa do futebol de Belo Horizonte, o LANCE! convidou algumas "testemunhas" mineiras para contarem suas experiências antes do segundo jogo das oitavas de final da Libertadores contra o Cruzeiro.
9 de julho de 2000 - Cruzeiro 2x1 São Paulo - final da Copa do Brasil
Há 15 anos, Ceni fechava o gol tricolor até os minutos finais da decisão, quando Axel perdeu a bola no campo de defesa e obrigou o zagueiro Rogério Pinheiro a cometer falta na entrada da área. Aconselhado pelo ídolo são-paulino Müller, o meia Geovanni bateu rasteiro, por baixo da barreira paulista e iludiu Ceni, que nada pôde fazer a não ser lamentar a perda de um título inédito. O cruzeirense Fabio Juste Moreira, 31 anos, dono de pizzaria em BH, conta o que viu no Mineirão em 2000:
"Lembro que o primeiro jogo foi 0x0 e que falaram que o resultado foi ótimo para o São Paulo. O Cruzeiro tomou o primeiro gol e foi pra cima, mas o Rogério fechava o go! Estávamos xingando muito ele! (risos). O Muller, ex-São Paulo, entrou e mudou o jogo. Deu passe para o empate e depois deu a dica na hora da falta para o Giovanne bater por baixo da barreira, que foi empurrada por um jogador do Cruzeiro. Lembro quando a bola entrou de ver o Rogério lamentando! Xingamos mais ainda! Não adiantaram as defesas, porque fomos campeões. Foi um dos jogos mais emocionantes que fui!"
20 de agosto de 2006 - Cruzeiro 2x2 São Paulo - 18ª rodada do Campeonato Brasileiro
Abalado pela falha fatal na final da Libertadores, cometida dias antes contra o Internacional, Rogério Ceni tentava se reerguer contra o Cruzeiro no Mineirão. Começou levando dois gols em poucos minutos, mas evitou o pior ao defender pênalti de Wagner. Ainda no primeiro tempo, em jogada ensaiada de falta, recebeu de Souza, marcou seu único gol com bola rolando e ainda igualou o paraguaio Chilavert como maior goleiro-artilheiro do mundo. Na etapa final, fez de pênalti e se firmou como o goleador máximo do planeta entre os arqueiros. André Santos Alencar, 30 anos, consultor previdenciário e cruzeirense, relembra:
"As reações do Rogério Ceni, tanto no pênalti defendido, quanto nos gols eram meio frias, sem tanta empolgação. Parecia mesmo que estava abatido ainda pela falha na Libertadores mas que queria dar a resposta dentro de campo. Por infelicidade, mais uma vez, o adversário era o Cruzeiro. O Rogério é um exímio cobrador de faltas, sua qualidade é indiscutível e reconhecida por qualquer torcedor de qualquer time. Por azar, o goleiro que mais sofreu gols de falta dele foi o Fábio, que é tão ídolo da nossa torcida quanto Rogério é dos são-paulinos. Por isso nossa apreensão é sempre maior quando ele vai para a cobrança. O goleiro que na mesma partida consegue defender uma cobrança de pênalti e ainda marcar gol numa cobrança de falta, principalmente após ter falhado na Libertadores, naturalmente sai como herói de sua torcida e algoz da torcida adversária".
5 de setembro de 2007 - Atlético-MG 0x0 São Paulo - 24ª rodada do Campeonato Brasileiro
Quando visitou o Galo no Mineirão, o Tricolor já não sofria gols há sete partidas no Brasileirão de 2007. Mas, aos 45 minutos do segundo tempo, a marca defendida pela defesa são-paulina quase desmonorou com o pênalti cometido por Richarlyson sobre Danilinho. Rogério Ceni se adiantou, voou no canto direito e assegurou o empate sem gols. O Mito só seria vazado nos minutos finais do jogo seguinte, contra o Santos, e acumulou 988 minutos sem sofrer gols. O tricolor Josias Alves, 28 anos, é motorista (procura emprego!) e se recorda muito bem do sufoco no Mineirão.
"Eu estava saindo do estádio já quando aconteceu o pênalti. Estava saindo porque são Paulo e Atlético-MG é um jogo complicado, as torcidas são rivais, é ruim para o setor visitante sair depois. Saiu o pênalti e eu parei assustado para ver o que ia acontecer. Sabia que o Rogério ia defender. Fiquei esperando, tive que abaixar para poder enxergar alguma coisa e saí comemorando muito no caminho para ir embora. Mas quando passei o portão da área dos visitantes tive que parar, era muito tenso. Sou muito fã do Rogério. Tenho quase mil fotos dele, várias camisas e meu e-mail é com o nome dele".
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