Grande sensação do futebol brasileiro atualmente, o meia-atacante Roberto Firmino era um "fenômeno" nos tempos da base do Figueirense, clube pelo qual se profissionalizou, em 2009, e que o acolheu após se reprovado em um teste rápido no São Paulo. Segundo seu primeiro treinador, ele deixou todos boquiabertos ao fazer dois gols de bicicleta em 30 minutos de primeiro treino em Santa Catarina.
Quem conta a história é o técnico Hemerson Maria, hoje à frente do Joinville. Foi ele quem se impressionou com o desempenho do atleta logo em seu trabalho inicial no CT alvinegro e deu o aval para Firmino ficar no Figueira, em 2008.
"O Firmino chegou para um período de testes e eu era treinador do sub-17. Já no primeiro treino, ele fez dois gols de bicicleta em 30 minutos! Foi impressionante! Era pra ser um período de testes, mas não foi nem um período, precisou só de meia hora pra ver que o moleque era bom", conta, em entrevista à Rádio ESPN.
"Nisso eu estava no CT do Figueirense e já liguei para o coordenador da base, que era o Erasmo Damiani, hoje na CBF. Falei: 'Damiani, tem um fenômeno aqui, cara. Já apronta os papéis pra gente regularizar esse menino'", recordou o treinador.
Em seus primeiros meses em Florianópolis, Firmino mostrou que não era apenas o garoto que fez dois gols de bicicleta em 30 minutos. Sua ascenção foi tão rápida que logo na sequência já foi promovido do sub-17 para o sub-20, categoria na qual atuou apenas uma temporada antes de ser profissionalizado.
O problema é que o garoto era tão tímido que poucos no clube sabiam seu nome, já que ele era praticametne "mudo". Isso ocasionou até alguma situações cômicas.
"Ele sempre foi um menino muito introvertido. Eu sou bom de gravar nomes, tenho boa memória, geralmente lembro o nome de todos os garotos que estou treinando, mas ele me complicou. Passei uma semana chamando o moleque de 'Alberto', e ele me atendia (risos). 'Alberto, faz isso', 'Alberto, faz aquilo', e ele atendia tudo", gargalha.
"Aí o preparador físico me corrigiu: 'Hemerson, o nome dele é Roberto!'. Chamei ele de canto: 'Alberto, vem cá', e ele veio. 'Escuta, teu nome não é Alberto?'. E ele: 'Não, senhor... É Roberto'. 'Pô, garoto, tô há uma semana te chamando de Alberto e você respondendo?'. Ele mudo, com uma cara de vergonha (risos). É um menino muito bonzinho, mas muito envergonhado", completa o treinador.

Hemerson Maria hoje comanda o Joinville
Nas mãos de Hemerson, "Alberto" Firmino estourou, se destacando na Copa São Paulo de 2009. No mesmo ano, foi profissionalizado e disputou sua primeira Série B. Na temporada seguinte, já era o camisa 10 da equipe e foi um dos principais nomes do acesso do Figueirense para a elite.
Não demorou para chamar a atenção do Hoffenhein, da Alemanha, que o comprou por 4 milhões de euros em dezembro de 2010. Na Bundesliga, desandou a fazer gols e ter grandes atuações, sendo eleito a revelação do torneio na temporada 2013/14. Chegou à seleção brasileira pelas mãos de Dunga e está na mira de gigantes da Europa, como o Manchester United.
Tudo dentro do previsto, segundo seu primeiro técnico.
"Eu já imaginava que ele ia ser diferenciado. Ano passado, antes dele ser convocado pela primeira vez, o César Sampaio, que estava na diretoria do Joinville, me perguntou quem era o melhor atleta que eu havia trabalhado na base. Respondi na lata: 'Roberto Firmino, que hoje está no Hoffenhein. Você vai ver o que esse moleque ainda vai fazer'. Quando veio a convocação, o César reconheceu: 'Bem que tu falou, mesmo!", narra.
"Quando ele estiver em um time de primeiro escalão da Europa, com jogadores de maior qualidade, vai explodir. Pode ver que na seleção o Neymar já está procurando o Firmino pras jogadas e tabelas. É como diz o ditado: 'cobra identifica cobra'. Ele é jogador de nível dos grandes da Europa, pode ter certeza disso", finaliza.
Portato, não estranhe se na próxima janela de transferências um tal de "Alberto" pintar em um dos elencos mais poderosos do futebol europeu...