Independentemente de quem for, o substituto de Muricy Ramalho terá uma ingrata missão: além de resultados rápidos, vai precisar resgatar a alma de time.
O São Paulo hoje é um clube sem identidade e o reflexo é o horror visto em campo. Não há, seja na Barra Funda ou no Morumbi, um interlocutor consultado que apresente cenário positivo sem recorrer ao coração otimista dos fanáticos.
A saída de Muricy, sacramentada na última segunda-feira, é emblemática. Trouxe alívio até mesmo aos defensores do técnico. A análise é: nem Muricy estava fazendo bem ao São Paulo nem o São Paulo a Muricy.
A saúde do técnico, apontada pelo vice-presidente de futebol, Ataíde Gil Guerreiro, como única razão para a saída, é importante, mas não a essência do episódio. Quem acompanha Muricy de perto é taxativo ao dizer que se tivesse resultados, ele permaneceria.
Muricy sai com 473 jogos à frente do Tricolor. Deixou seu mestre Telê Santana para trás em maio do ano passado, mas vê agora distante o sonho de ultrapassar Vicente Feola, treinador que mais comandou o clube na história, com 532 partidas. Haverá outra passagem? O técnico não descarta.
– Preciso neste momento dos devidos cuidados com a minha saúde. Não é um adeus, é um até breve pela relação que tenho com o São Paulo. Desejo muita sorte a todos – disse o técnico, por nota oficial.
Com uma arritmia cardíaca e um quadro de diverticulite recentes, Muricy disse que fará uma cirurgia na próxima semana para retirada de pedra na vesícula. A diretoria, por sua vez, já busca outro.
Não havia, até ontem, um nome de consenso, mas duas alternativas apresenta-se como mais viáveis, de acordo com o discurso da cúpula: Abel Braga e Mano Menezes, ambos desempregados e com identificação com o futebol gaúcho, mas bem diferentes no estilo.
Abel é visto no clube como da estirpe de Muricy e manteria a linha de trabalho. A aposta seria num chacoalhão nos jogadores. Deixou o Internacional no fim de 2014.
Mano sofre grande rejeição por parte da torcida e Ataíde disse que nunca cogitou seu nome. Mas há quem o defenda. Seu último trabalho foi no Corinthians, em 2014.
Seja qual for o escolhido, ele chegará sob pressão. No próximo domingo, o time já começa a disputar as finais do Campeonato Paulista. Além de bons resultados, o novo treinador vai precisar conduzir uma revolução. Um Messias?
Muricy e o futuro do São Paulo ainda sem nome
por Marcio Porto
Fonte LANCE!Net
7 de Abril de 2015
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