Divisórias e prateleiras de madeira do vestiário foram arrancadas e tinham algumas marcas de sangue
O confronto desta quarta-feira contra o San Lorenzo será o primeiro do São Paulo frente a um argentino no Morumbi em mais de dois anos. O estádio não é palco de duelo com uma equipe do país vizinho desde dezembro de 2012, ocasião em que o Tigre não voltou a campo para o segundo tempo da final da Copa Sul-americana por conta de uma briga no intervalo até hoje não esclarecida.
Mesmo depois de a arbitragem ter declarado a partida suspensa, a delegação da equipe estrangeira levou mais de duas horas para sair do local protegida por um cordão de policiais, deixando para trás madeiras quebradas e marcas de sangue nas paredes do vestiário visitante. Segundo dirigentes e jogadores, eles foram agredidos por seguranças do São Paulo - versão que apresentaram também em depoimento prestado no Decradi (Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância).
As informações, porém, são desencontradas. A versão são-paulina foi de que os argentinos tentaram invadir o vestiário mandante e foram contidos pelos seguranças. Os argentinos falaram até que revólveres foram sacados, o que foi negado por policiais que puseram fim à briga. Do que se pode ter certeza é apenas a motivação de tudo isso. No fim do primeiro tempo, o meia-atacante Lucas, autor do primeiro gol – o placar final foi de 2 a 0 para o São Paulo –, tirou um pedaço de algodão no nariz e mostrou ao lateral Orban, do Tigre, que havia desferido nele uma cotovelada. A partir daí, estabeleceu-se a confusão, que foi estendida aos vestiários.
Mas todo o clima criado antes mesmo da decisão já caminhava para aquilo. No dia anterior, o time argentino foi proibido de reconhecer o gramado do Morumbi, em desacordo com o regulamento da Conmebol. Ao chegar ao estádio para a final, o ônibus da equipe teve quatro janelas quebradas por pedras e latas arremessadas. O elenco então mal entrou no vestiário e já saiu para o campo, desvencilhando-se de seguranças que tentaram impedir a entrada dos jogadores. Sob vaias incessantes da torcida são-paulina, o atacante Maggiolo passou perto das arquibancadas e chegou a ironicamente pedir mais gritos.
Até hoje, não houve desfecho na investigação do ocorrido, também em função da falta de provas ou imagens. As decisões, além de ratificar o título do São Paulo, limitaram-se a punições da Conmebol para os dois clubes. Ambos foram multados em R$ 100 mil, e o time brasileiro perdeu um mando de campo na competição continental seguinte.
Passados dois anos e três meses da final da Sul-americana, o São Paulo voltará a jogar no Morumbi contra um argentino, desta vez o San Lorenzo. – em 2013, recebeu o Arsenal de Sarandí, mas no Pacaembu As duas situações são bastante diferentes, porém. Embora a partida esteja sendo tratada como definitiva para as pretensões dos dois times, que ganharam três pontos em seis disputados, o rival de quarta-feira (e campeão da edição passada do torneio) é concorrente ainda na fase de grupos do torneio. Além disso, foi autorizado a treinar no Morumbi na véspera e terá recepção cordial, comandada diretamente pelo vice-presidente de futebol do clube brasileiro, Ataíde Gil Guerreiro.
Da escalação formada por Ney Franco na data do até aqui último título conquistado pelo São Paulo, não são muitos os remanescentes. Apenas Rogério Ceni, Paulo Miranda, Rafael Toloi e Denilson foram titulares na vitória por 2 a 0 em 45 minutos e continuam no elenco atualmente treinado por Muricy Ramalho. O atacante Luis Fabiano não atuou contra o Tigre porque havia sido expulso no jogo de ida, em Buenos Aires.
Último duelo com argentino no Morumbi teve sangue e um só tempo
Fonte Gazeta Esportiva
17 de Março de 2015
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