Caros amigos Soberanos, boa tarde! A segunda-feira, por si só, não costuma ser festejada pela grande massa, imagina então quando se perde um clássico. É... não é fácil chegar ao trabalho e aguentar aquela risadinha sarcástica do colega ao lado. Sair às ruas com o manto sagrado então, se torna prova de amor. E esse ano ainda não sentimos o doce sabor de tirar uma casquinha daquele amigo pentelho, que enche o saco quando ganha e não aguenta piadinha quando perde.
Mas voltamos um pouco no tempo. Dezembro de 2014. A temporada acaba com boas perspectivas para o Tricolor. Com uma base mantida, um técnico muito bem definido, vaga direta para a Libertadores e promessa de boas contratações feitas pelo “arrojado” Aidar. Pela primeira vez em muito tempo os clubes tiveram uma pré-temporada, se não adequada pelo menos decente, para preparar os elencos para o extenso 2015.
Nosso querido Muricy Ramalho, o qual sou extremamente fã e grata não somente pelos títulos, mas principalmente por nos livrar da vexatória série B, fez pedidos para a montagem do seu plantel. Todos eles foram atendidos. É... não veio um tal de Dudu, mas chegou Centurión, que a meu ver é melhor.
Tínhamos a faca e o queijo na mão para sermos disparadamente os melhores neste início de ano. Mas o que vimos em dois Majestosos foi um time sem padrão de jogo, sem raça e vontade, sem esquema definido, sem liderança, sem perfil vencedor. A grande questão que fica, então, é de quem é a culpa? Do Muricy, que já treina este time a muito mais tempo do que o Tite treina esta equipe dos Travecos, e ainda não deu cara ao São Paulo? Dos jogadores, que com exceção do Centurión RECÉM CHEGADO, não demonstraram um pingo de gana em jogos grandes? Da diretoria, que pelo o que sabemos tem atrasado direitos de imagem dos jogadores? Na minha humilde opinião, um pouco de tudo.

Foto: Rubens Chiri/saopaulofc.net
Vendo os Gambás jogarem parece um aglomerado atrás da linha da bola. Um bando de caneludos que tem vontade, raça e SORTE. Mas, será que é só isso mesmo? Esse time é praticamente o mesmo que terminou 2014 desacreditado, sem técnico e com uma “temida” pré-libertadores. Em apenas três meses venceram a desconfiança, se credenciaram fortemente para terminar em 1º lugar em NOSSO grupo na Libertadores e já são candidatos a chegaram forte no mata-mata da competição. Eu intitulo parte deste bom momento SIM ao Tite. Um técnico que ficou um ano sem trabalhar, o que não significa sem estudar. Ele viajou para a Europa, falou com grandes nomes (Ancelotti, por exemplo), aprendeu coisas novas.
Às vezes sinto falta desta vontade de inovar do Muricy. Não estou dizendo que o Tite é o novo Guardiola, Mourinho. Não estou dizendo também que os Travecos são invencíveis. O que estou dizendo é que aparentemente o Tite aproveitou muito mais a pré-temporada do que o Muricy aproveitou este tempo todo no comando do Tricolor. Era para já termos um time muito mais pronto. Era para ganharmos este clássico sim, e digo por quê. Tivemos uma semana só de treinos, de ajustes, tempo para estudar o adversário e reconhecer e corrigir nossas fraquezas. Não tivemos preparo físico, e olha que tínhamos um homem a mais, e nem psicológico para buscarmos o resultado que se não seria importante para o Paulistão em termos de tabela, seria importante para a confiança na sequência que teremos.
O Muricy precisa ser mais arrojado, mais abusado. Tem-se um genial PH Ganso que faz questão de guardar só para si esta genialidade e não aparecer em jogos importantes? Tira o cara. O Bruno não vem rendendo o esperado? Coloca o Auro. Boschilia está treinando bem? Porque não colocar? O esquema tático não vem dando certo? Muda! Jogamos tão bem aquela partida de estreia do Centurión num esquema legal, sem laterais de ofício, e com três zagueiros. Não que tenhamos que fazer isso sempre, que isso daria certo em clássicos e decisões. Mas porque não arriscar?

Foto: Rubens Chiri/saopaulofc.net
Os jogadores precisam entender que isso daqui é SÃO PAULO FUTEBOL CLUBE. É time três vezes campeão da América e do mundo. É hexa campeão brasileiro. Temos Recopa e temos Sulamericana. Temos uma camisa, uma reputação. Não dá para ficarmos 8 anos sem vencer do maior rival dentro do nosso próprio estádio. Não dá para suportar os caras chamando o Morumbi de salão de festas. Não dá para ser apático o tempo todo. Tem que respeitar essa agremiação, essa torcida que se corneta o time é porque ama o Tricolor (viu Souza – mas te dou um desconto, porque foi bem e estava no calor do jogo) e porque queremos o São Paulo no lugar que ele merece. Quem quiser vestir o manto tem que se dedicar, se doar. (Rogério, obrigada por tudo, meu maior ídolo dentro do SPFC, a maior referência, mas caramba não perde o pênalti. Tá certo que o Cássio é feio demais, mas está te assustando hein? Já perdeu dois contra ele, pô).
E você, Aidar, deixa de ser tão falastrão e paga os direitos de imagem. Ninguém merece trabalhar de graça. Tem-se este plantel e se comprometeu a pagar é porque dava para pagar. Sempre honramos com nossos compromissos. Não dá para cobrar o Muricy e o time publicamente e não cumprir com as próprias obrigações.
O que todos nós desejamos é que estas derrotas em clássicos sirvam de lição. Que todos cumpram com seus deveres, e que sejamos humildes de reconhecer que hoje estamos atrás dos Travecos, porque a humildade é um grande passo para melhorar. No papel temos um elenco infinitamente melhor. Agora vai do Aidar pagar os jogadores, do Muricy sentar e rever seus conceitos, e dos jogadores honrarem a camisa. É isso que falta para o Morumbi voltar a ser temido, e para nossa camisa entortar, como sempre foi o varal.
Desculpem o desabafo, Tricolores. Mas hoje estou decepcionada com o nosso São Paulo. Assim como acredito que a maioria de vocês. Fica aqui meu desejo de voltar a escrever um novo texto, elogiando novamente a grandiosidade do Soberano. Que tiremos aprendizado de tudo. Saudações!

Foto: Rubens Chiri/saopaulofc.net