Intenso, Corinthians vence o 4-2-3-1 de posse do São Paulo - e levanta reflexões

por Leonardo Miranda

Fonte Painel Tático
Foto: Rubens Chiri/saopaulofc.net
A postura de Corinthians e São Paulo em mais um Majestoso não foi novidade: o time de Muricy alterou o esquema, indo para o 4-2-3-1 com Centurión e Michel nos lados, mas não o modelo: manutenção da posse, Denílson fazendo a saída de 3 e ofensividade. O Corinthians, no 4-2-3-1 do jogo contra o San Lorenzo, manteve a intensidade e modelo reativo.

Com 11 minutos, quando os encaixes e setores ainda estavam se ajustando, veio o gol que mudou a partida. Uma falha de recomposição do São Paulo, que viu Guerrero sair da área e Danilo penetrar após falha bisonha de Michel. Mais um do carrasco da camisa 20.

E o que se viu no primeiro tempo inteirinho foi um Corinthians com 31% de posse de bola, esperando o São Paulo avançar as linhas e roubar para sair rápido. No 4-2-3-1 do Tricolor, Centurión sempre tentava a jogada individual e Gil marcava Fabuloso enquanto 3 da defesa saíram, deixando os meias em impedimento. Ou a marcação começava no próprio campo, com Danilo e Guerrero marcando Denílson e Souza.

Que esse é o modelo de jogo do Corinthians todos sabem. Você já leu aqui que o time é taticamente compacto, obediente e Tite até tem variações táticas. Mas será que ter 34% da posse e 6 conclusões não é um tanto reativo demais?
O segundo tempo mostrou que sobra intensidade e compactação ao Corinthians, mas falta atacar. Ou melhor, se o modelo de jogo é contra-atacar, falta contragolpear. Qualquer modelo de jogo no mundo é válido - desde que bem executado.
Muricy tentou deixar seu time ainda mais ofensivo. Colocou Michel na lateral, depois mandou Kardec e Cafu num 4-2-4 que tentava ter superioridade nos lados quando Gil já estava fora. Mas aí não tem milagre: é difícil jogar contra fortes sistemas defensivos. Não faltou movimentação ao Tricolor. O que aconteceu é que sobrou obediência ao adversário.

O Corinthians mereceu vencer. O futebol mudou: para bater o Barcelona, Mourinho testava jogar em máxima intensidade e Chelsea e Bayern ensinaram como: compactação, saída rápidas e intensidade. Borussia, Atlético de Madrid e Real Madrid chegaram em finais assim. Mesmo assim, Bayern, Arsenal, Liverpool estão em outro patamar: sabem atacar também.
É claro que o Corinthians é moderno. A reflexão é outra: será que o torcedor aceitaria a Seleção jogando assim se Tite tivesse assumido ao invés de Dunga? E por que Dunga era chamado de retranqueiro em 2010, sendo que jogava da “mesma forma” que Tite? E Mourinho, por que é tão criticado se é tão reativo como Tite?
Para pensar.
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