Grande destaque da Lazio na temporada do Campeonato Italiano, Felipe Anderson saiu do Brasil sem deixar muitas saudades no torcedor do Santos. O meia, que alternou boas e más atuações com a camisa alvinegra, acredita que o técnico Muricy Ramalho e a fama de "novo Ganso" pesaram para isso.
Em entrevista ao ESPN.com.br, por telefone, o jogador disse que acreditar que a cobrança excessiva do treinador pesou. "Sendo um jovem, já tendo a cobrança da torcida, é difícil, porque você fica inseguro. Mas ele sempre conversava comigo, falava que me cobrava porque eu tinha qualidade e queria que eu demonstrasse. Por isso nunca guardei mágoa, nada de ruim", afirmou o meio-campista.
Ao ser perguntado se poderia render mais com outro treinador, Felipe Anderson foi taxativo. "Com um pouco mais de liberdade, com certeza. Aqui, tenho isso e dá para ver nos números. Tenho essa liberdade que os jovens precisam", seguiu, acrescentando, porém, que aprendeu com Muricy. "As coisas aconteceram de uma forma que me ajudou. Cresci bastante na questão psicológica."
O meia diz que precisou se fortalecer para resistir às críticas da torcida, que apostava que ele tivesse o mesmo rendimento de Paulo Henrique Ganso, promovido ao time profissional pouco antes. "As pessoas esperavam que eu fizesse igual ou melhor que ele. A expectativa era muito grande, e nem sempre um menino de 17 anos é capaz de fazer. Foi um momento complicado".
Problemas à parte, Felipe Anderson, que fez 110 partidas pelo Santos, não se arrepende da saída para a Europa com apenas 20 anos, ainda que tenha tido problemas para se adaptar. "Depois da temporada que eu não fui muito bem, todo mundo falava de eu ser emprestado para poder ter mais oportunidade. Mas eu sempre acreditei que poderia mostrar meu trabalho aqui."
Quem também confiou que o jogador poderia mostrar seu trabalho com a camisa da Lazio foi o novo técnico da equipe, Stefano Pioli, que chegou nesta temporada. "Quando ele chegou, falou comigo, me deu liberdade. Foi importantíssimo. Os trabalhos durante a semana, específicos, também têm ajudado. Não só eu, mas os outros jovens da equipe", avaliou.
Se não guarda mágoas do passado no Santos, Felipe Anderson também não pensa muito no futuro, ainda que seu bom momento na Itália deva atrair o interesse de outros centros do futebol europeu ao final da temporada.

Felipe Anderson sonha em voltar à seleção
"A mim não chegou nada. Tenho pensado mais aqui na Lazio, no campeonato, a cada partida. Concentrado, você joga bem e pode aparecer. Mas nem parei pra pensar", garantiu, citando Real Madrid, Barcelona, Manchester United e Chelsea como times que "todo jogador quer defender".
Mais do que outros times da Europa, o meia revela que está pensando mesmo em ser convocado para a seleção brasileira - o técnico Dunga convoca para os amistosos contra França e Chile nesta quinta. "Se for, vou ficar muito feliz. É o sonho de todo jogador ir para a seleção. A partir desse momento que estou vivendo, tenho esperança. Vai ser uma alegria enorme, mas estou tranquilo. Na hora certa vai vir."