Muricy: 'Vou parar uns três meses, preciso de descanso'

Fonte Blog do Jorge Nicola
Apesar de ter sido fritado, Muricy jura que não pensou em se demitir (Almeida Rocha/Diário SP)
Muricy Ramalho esteve no olho do furacão nos últimos dias. Desde a derrota para o Corinthians, ele virou alvo de fritura interna e teve sua demissão pedida pela maior uniformizada do São Paulo. A turbulência levou o treinador a tomar uma decisão que ele já ensaiava havia tempo: “Vou parar uns três meses, no fim do ano. Não penso em me aposentar ainda, mas preciso descansar”, revela Muricy, em entrevista exclusiva que você confere a seguir.
BLOG_ Você quase nunca se meteu em polêmica com jogadores, mas está sempre na mira dos dirigentes. Foi assim no São Paulo, no Palmeiras, no Santos… Por quê?
MURICY RAMALHO_ Acho que é porque eu falo muito “não”. Já recusei mais de 30 jogadores oferecidos aqui no São Paulo. Também não aceito almoçar com os caras, não faço média… Chego aqui, faço meu trabalho e vou para casa.
Muita gente no Morumbi diz que o presidente Carlos Miguel Aidar não confia em você.
Ele é o presidente, eu sou o treinador e a gente tem de se dar bem. Se ele não está satisfeito, que me mande embora. O que não dá é para ficar nesse meio-termo. Mas eu falei umas coisas para ele e ele, também. Deu pra ver que está tudo resolvido, apesar de existirem uns caras no meio que sempre inflam as coisas.
Quais caras?
Os mesmos malas que ficaram de ondinha na minha última passagem (que terminou em 2009). Não vou falar nomes, mas sei exatamente quem são.
Por que você aparentou desconforto quando o presidente foi ao CT para lhe dar a mão?
Estava uma baita chuva, eu tinha acabado de terminar o treino… também não sou de ficar dando risadinha, cambalhota e essas coisas.
Existe alguma chance de você se aposentar no fim do ano, quando acaba seu contrato com o São Paulo?
Vou dar um tempo, mas não vou parar. O futebol é dinâmico e muda bastante, mas minha intenção é dar uma brecada. Preciso ficar com a minha mulher, meus filhos, ir para Ibiúna, para a praia…
Por quanto tempo?
No mínimo, uns três meses. É claro que pode chegar uma baita proposta maluca no fim do ano, mas o meu pensamento é de parar, até para cuidar da minha saúde.
Então, você não vai renovar seu contrato com o São Paulo?
Estou numa sequência muito pesada. Não tenho férias desde que saí do Santos (em 2013). Acredita que só viajei uma vez com a minha mulher para o exterior desde que nos casamos?
Nos últimos cinco meses, você já esteve na UTI, por causa de uma taquicardia, e foi internado após uma diverticulite. Como anda a sua saúde?
Estou bem melhor e me sinto forte. Até por isso descarto me aposentar. Fiz uma dieta grande, tenho corrido, feito caminhada, musculação.
Quantos quilos já perdeu?
Nove. E quero parar por aí, mesmo. Quando a gente fica mais velho, não dá para ser muito magro.
Você está triste?
Eu estava triste, sim, porque futebol é coletivo e as pessoas têm de estar juntas. Não dá para fazer nada sozinho e essa divisão que existia no São Paulo não estava legal. Tanto que chegou a passar para o grupo.
Mas ainda atrapalha?
Eu tive de tomar a frente e dar uns gritos. Percebi que a coisa tinha desandado quando os jogadores começaram a dar entrevista na imprensa sobre esse assunto (da falta de apoio da diretoria a ele). Mas agora está tudo zerado.
Durante as últimas semanas, pensou em pedir demissão?
Não posso fazer isso por causa do carinho que o são-paulino demonstra por mim no supermercado, no restaurante… Até hoje recebo carta de gente dizendo que gosta de mim. Fico chateado, mas não baixo a guarda, não.
Você é amigo do Juvenal Juvêncio mesmo?
Passei bons momento com ele e não posso descartar uma amizade por causa de política (Juvenal e Aidar estão em guerra). Eu defendo meus amigos sempre. O Juvenal gosta tanto de mim que, sem jeito de me mandar embora em 2009, fugiu de mim o dia inteiro. Quando o encontrei, à noite, ele ainda perguntou o que eu achava que deveríamos fazer.
E ele ainda demonstra gratidão a você?
Claro. Eu aceitei assumir um clube no qual tinha sido tricampeão brasileiro à beira do rebaixamento (em 2013). Já pensou se o time cai? Eu queimaria tudo o que havia construído. E o Juvenal sabia de tudo isso, tanto que, quando quis me contratar, foi pela primeira vez na minha casa.
É o melhor dirigente com quem você trabalhou?
Está entre os melhores, como o Fernando Carvalho, que entende tudo de futebol e também de pessoas.
Pela ligação que você tem com o São Paulo, aceitaria trabalhar no Corinthians?
Sou profissional. Inclusive, fui convidado várias vezes pelo Andrés Sanchez (ex-presidente do Corinthians), que é meu amigo pessoal.
O que planeja para o futuro, além dos três meses de férias?
É sempre difícil projetar alguma coisa no futebol, mas eu diria que quero me aposentar aqui. É um sonho que eu tenho comigo há algum tempo.
Como você tem lidado com os atrasos de salário tão recorrentes no São Paulo?
Estou em um dos maiores clubes do mundo, então nem me preocupo. Até já tranquilizei os jogadores. É certeza de que mais cedo ou mais tarde tudo vai ser pago.
Se você pudesse voltar no tempo, escalaria outro time contra o Corinthians?
(Risos) Depois que perde, é mole… Mas, na hora, quis fazer o melhor, pus dois atacantes, liberei o lateral-esquerdo (Reinaldo). Não deu certo.
Se o presidente perguntar sobre gastar R$ 5 milhões para escalar o Pato no jogo da volta, o que você diz?
É muita grana. Não que ele não valha. Vale muito mais, só que no futebol brasileiro não dá para gastar isso. Tem de ter responsabilidade.
Ele dá trabalho?
Dá nada. Moleque bonzinho, não enche o saco, chega cedo, é educado, cumprimenta as pessoas, não reclama do bife… Eu que encho o saco dele, porque acho que ele pode render ainda mais do que atualmente.
Vê chance de o Rogério Ceni repetir o sucesso de goleiro como treinador?
É difícil prever, porque vida de técnico é bem mais difícil do que a de jogador. Técnico tem de se preparar muito, passar por categoria de base, viver as dificuldades sem tanta cobrança… até para ficar forte.
Então seria um erro, por exemplo, se você deixasse o São Paulo em dezembro e ele assumisse em seguida?
Eu acho até que, se o chamarem no fim do ano, ele pega, mas não é o certo, não. Já vi vários técnicos começarem desse jeito e não durarem nada. Se ele pedisse meu conselho, eu diria que tem de se preparar, estudar… E é o que ele tem dito que pretende fazer.
Os treinadores brasileiros são desunidos?
Muito. O futebol virou um grande negócio e muitos passam o dia todo caçando negócio, especulando, se oferecendo. Eu, por exemplo, fui convidado para treinar um grande clube no começo deste ano, mas não deixei ninguém saber.
Como assim? Qual clube?
Não vou falar, porque acho errado com o clube que me convidou. Soube que outros técnicos foram procurados por esse time e também não aceitaram. Mas os caras usam essa situação para se valorizar, ganhar aumento…
Você nunca fez isso?
Fiz uma vez, no ano do tricampeonato (em 2008), mas foi diferente. Umas malas queriam minha saída do São Paulo quado recebi uma proposta milionária do Catar. Mostrei para o seu Juvenal, para saber se ele me queria. Ele disse que sim e rasguei o contrato na hora.
A grana era boa?
Boa não, era maravilhosa. Ia ganhar umas cinco vezes mais, com direito a passagens, vários carros… Coisa de louco.
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