Carlos Miguel Aidar, presidente do São Paulo, estava bastante sorridente após a Federação Paulista de Futebol (FPF) sortear os grupos do Campeonato Paulista do próximo ano, nesta segunda-feira. Nem parecia que ele reprovava repetição da fórmula do torneio do ano passado, em que os grandes clubes do Estado ficam como cabeças de quatro chaves – times de um mesmo grupo não se enfrentam na primeira fase.
“Isso aí passa pelo interesse comercial da rede de televisão detentora dos direitos de transmissão, que quer os clássicos. É por isso que temos essa fórmula maluca que vocês estão vendo aí na parede”, criticou Aidar, apontando para um painel com a composição dos grupos do Paulista. O São Paulo caiu na chave 1, a mesma de Ituano, São Bernardo, Mogi Mirim e Red Bull.
A “fórmula maluca” proposta pela FPF desde o ano passado obriga os quatro grandes clubes do Estado a se enfrentarem já na fase de grupos. Nas quartas de final, os dois melhores de cada chave jogam entre si em partida única. “São os clássicos que dão audiência. Infelizmente, não adianta colocar dois clubes pequenos na disputa, que a audiência é quase nula. É um exercício de muita paciência conciliar interesses comerciais, desportivos, dos clubes grandes, dos pequenos, daqueles que não têm base, divisões de receita, arrecadações”, enumerou Aidar.
Como representante dos interesses de um grande clube, o presidente do São Paulo gostaria da redução da participação dos menores na primeira divisão para não desgastar demasiadamente o seu elenco. O time de Muricy Ramalho atualmente sofre com a sequência de jogos do Campeonato Brasileiro e da Copa Sul-americana.
“Mas ninguém falou nada sobre isso na nossa reunião. Não tenho uma solução mágica, mas gostaria de ver a redução dos clubes tanto no Paulista quanto no Brasileiro. Deveria cair primeiro de 20 times para 18, depois de 18 para 16, de 16 para 14 e eventualmente poderíamos ficar com 12. Isso dá mais tempo de trabalho, condições de recuperação, maior qualidade técnica... E não usaríamos as datas Fifa para os jogos do campeonato”, pregou.
O próprio Aidar encara o seu desejo como uma utopia. “É a velha história: isso não interessa à Confederação porque a sua sustentação política está nas presidências das federações, que querem campeonatos longevos”, lamentou, sem deixar de usar uma notícia recentemente divulgada pela revista Veja como provocação. “Li que os presidentes de federações serão aquinhoados com uma mesada de R$ 15 mil. Até vou reivindicar a mesma mesada para os presidentes de clubes. Gente, tchau, um abraço”, despediu-se, irônico, virando de costas para quem o entrevistava e para a tabela do Campeonato Paulista.
Deixa para depois
Presidente da Federação Paulista de Futebol (FPF) e sucessor de José Maria Marin na Confederação Brasileira de Futebol (CBF), Marco Polo Del Nero se esquivou das críticas em relação ao regulamento do Estadual. Ele lembrou que era obrigado a repetir em 2015 o formato do torneio utilizado em 2014, porém existe a possibilidade de mudanças para 2016.
“Hoje é isso o que nós temos. O amanhã vamos discutir mais para a frente, no meio da temporada. Lá para julho e agosto, vamos começar a ouvir os clubes sobre outras possibilidades”, postergou Del Nero.
Aidar critica "fórmula maluca" e prega redução de clubes participantes
Fonte Gazeta Esportiva
3 de Novembro de 2014
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