Alexandre Pato não é mais aquele menino de 17 anos, que, em 1º de agosto de 2007, contra o Vasco, fazia sua última partida pelo Inter no Beira-Rio. Ele cresceu, ganhou a Europa, agitou o mundo das fofocas com namoros e espalhou tatuagens sobre o corpo. Também deixou de ser aquele badalado atacante com pinta de fenômeno. Assim, mais maduro e "pé no chão", Pato retorna ao estádio em que nasceu no futebol para enfrentar o Colorado pela primeira vez em Porto Alegre, a partir das 22h desta quarta-feira, pela 16ª rodada do Brasileirão.
Hoje no São Paulo, Pato já tem uma missão contra o ex-clube: tentar acabar com a série de cinco jogos da defesa colorada sem sofrer gols pelo Nacional. Apesar de todo o carinho pelo clube gaúcho, promete fazer de tudo para dar os três pontos ao grupo de Muricy Ramalho:
- Tenho muito respeito pelo Internacional, mas hoje jogo pelo São Paulo e vou fazer de tudo para que a gente possa sair com um grande resultado. É um jogo decisivo, contra um rival direto e precisamos conseguir uma vitória para seguir em busca do nosso objetivo maior que é o título.
Não será a primeira vez que o atacante vai ao estádio para atuar após sua venda ao Milan desde 2007. Em 2009, atuou na vitória da Seleção por 3 a 0 sobre o Peru pelas Eliminatórias da Copa, quando entrou na vaga de Robinho. Tampouco fará seu reencontro com o Colorado. Pato já enfrentou o Colorado em duas oportunidades. Não soube o que é vencer, mas já fez gol no ex-clube. Foi em 2011, na disputa pelo terceiro lugar da Copa Audi entre Inter x Milan (2 a 2, com vitória gaúcha por 2 a 0 nos pênaltis). No ano passado, quando ainda atuava pelo Corinthians, substituiu Danilo no empate em 0 a 0 no Pacaembu, válido pela penúltima rodada do Brasileirão.

Alexandre Pato defendeu o Inter na final do Mundial de 2006 (Foto: Getty Images)
ENFIM, OS GOLS NO SÃO PAULO
No Morumbi, aos poucos, Pato começa a recuperar a boa fase. Voltou a ser titular. Tem feito gols. Já são sete em 21 partidas. Um deles no clássico contra o Palmeiras no último final de semana (vitória do São Paulo por 2 a 1). Na rodada anterior do Brasileirão, tinha feito dois no triunfo por 3 a 1 sobre o Vitória. O atacante celebra o novo momento, mas divide os méritos com o grupo.
- Estou feliz com o meu momento, mas devo isso aos meus companheiros. O Muricy também tem me ajudado muito e, por isso, tenho desempenhado o meu papel. Quero ajudar cada vez mais a equipe e mostrar o meu futebol - avalia.
O início, no entanto, foi de críticas, inclusive de Muricy Ramalho, principalmente depois de atuações abaixo do esperado. Muricy chegou a declarar que só ter talento não seria o bastante e que o jogador precisava “querer um pouco mais” para se destacar. As duras acabaram colocando Pato no banco de reservas durante os treinos nos Estados Unidos. A reação só aconteceu há algumas semanas, quando o atacante atuou e fez um gol diante do Bragantino, em Ribeirão Preto, pela Copa do Brasil. Foi a senha para engrenar.
PATO ESPERA CARINHO COLORADO
É provável que, ao deixar o ônibus que trará a delegação do São Paulo ao Beira-Rio, Pato tome um susto com as mudanças pelas quais passou o Beira-Rio. O campo segue o mesmo tapete em que fez gols como na decisão da Recopa de 2007, goleada por 4 a 0 sobre o Pachuca, seu segundo e último título pelo Colorado, depois do Mundial.
Remodelado para sediar cinco partidas da Copa do Mundo, o estádio lembra os palcos europeus. Não há mais as arquibancadas em que torcedores utilizavam máscaras de pato e cantavam a música “Pato Maravilha, nós gostamos de você”, em alusão ao sucesso de Jorge Ben Jor “Fio Maravilha”, ex-atacante do Flamengo. O camisa 11 olhará cadeiras por todos os lados, circundados por suntuosos camarotes.
- Depois de muito tempo vou ter a felicidade de voltar ao Beira-Rio. Foi lá onde comecei no futebol. Morei na concentração que ficava debaixo da arquibancada. É uma sensação muito boa. No Internacional pude ganhar dois títulos importantes e vivi momentos especiais. Espero ser recebido com carinho pelo torcedor - projeta.
Pelo Inter, caso seja perguntado, talvez o próprio jogador não lembre. Ou prefira não lembrar de sua última partida no Beira-Rio com a camisa vermelha. No dia 1º de agosto, não conseguiu ajudar a equipe, então treinada por Alexandre Gallo, a superar o Vasco e saiu de campo derrotado por 2 a 0. Um dia depois, teria sua venda oficializada por US$ 20 milhões ao Milan. Deixava o Colorado após 27 jogos e 12 gols, sem ter disputado um Gre-Nal sequer pelos profissionais, mas com o título do Mundial de Clubes, quando chegou a marcar um gol nas semifinais (na vitória por 2 a 1 sobre o Al-Ahly, do Egito).
D'ALESSANDRO NÃO DESEJA SORTE
A caminhada parecia fadada ao sucesso. Mas duas Copas se passaram e o atacante não esteve em nenhuma. No Milan, apesar de ter conquistado um Campeonato Italiano e assinalado 63 gols em 150 partidas, ficou marcados pelas reiteradas lesões musculares, seu principal rival na carreira. Em 2013, voltou ao Brasil, contratado pelo Corinthians. Em 63 partidas, anotou apenas 17 gols e amargou a reserva. Acabou envolvido em uma troca por Jadson, então no São Paulo. Para ter Pato, o Timão desembolsou R$ 40 milhões ao Milan. E hoje paga metade dos salários.
D'Alessandro também comentou sobre a vinda de Pato ao Beira-Rio como rival. O capitão colorado elogiou a trajetória do agora tricolor, mas brincou ao dizer que espera que não faça a diferença nesta quarta:
- O Pato voltará ao Beira-Rio. Tem uma história aqui no clube. É muito respeitado por nós e será bem recebido. Que ele vá bem, mas não amanhã.
A partir das 22h desta quarta, Pato entrará pelo lado visitante. É possível que receba aplausos daqueles que o idolatraram. Mas durante o jogo será rival. E tentará acabar com a solidez defensiva colorada. Desafio para poucos. Quem sabe, para Pato.

Pato em jogo da seleção brasileira no Beira-Rio em 2009 (Foto: Alexandre Lops/Divulgação Inter)