Muricy não consegue dar padrão ao São Paulo
Acabou o salvo-conduto de Muricy Ramalho no São Paulo. A vexatória eliminação para o Bragantino em casa na Copa do Brasil pôs fim à paciência com o técnico, que em mais de oito meses de trabalho ainda não conseguiu dar um padrão tático ao time e amargou a terceira queda diante de equipes do interior de São Paulo nos últimos meses. O Estado conversou com diretores e conselheiros e todos foram unânimes ao admitir que o técnico precisa fazer a equipe render mais.
O primeiro impacto será sentido nessa sexta pela manhã, quando o vice-presidente Ataíde Gil Guerreiro enquadrará o grupo e a comissão técnica em uma reunião fechada no CT. O dirigente, homem forte do futebol tricolor, com amplos poderes no departamento, é o mais irritado com a instabilidade da equipe e quer uma reação imediata do grupo já no clássico contra o Palmeiras. Um dos maiores defensores de Muricy, Ataíde começa a demonstrar insatisfação.
Os questionamentos sobre os métodos e as escolhas de Muricy partem também do restante da diretoria, que aumentou o tom das críticas após a queda na Copa do Brasil. Apesar de enxergar culpa também nos jogadores, os aliados do presidente Carlos Miguel Aidar direcionaram os canhões para o treinador. “Estamos quase no fim da temporada e o time joga de qualquer jeito. É uma correria horrorosa, jogam a bola para o Ganso e esperam que ele resolva”, reclamou ao Estado um dos membros da diretoria.
A eliminação para o Bragantino foi o mais recente contratempo do treinador. Antes da queda na Copa do Brasil, o São Paulo já havia caído diante da Ponte Preta na semifinal da Copa Sul-Americana do ano passado (perdeu o jogo de ida no Morumbi por 3 a 1, o que acabou sendo determinante) e, no Paulista deste ano, sucumbiu para a Penapolense nos pênaltis, no Morumbi. Dos vexames, apenas o último foi na atual gestão.
A mudança de cenário mais significativa é que antes tanto Aidar quanto Ataíde defendiam Muricy, mas reservadamente as críticas começam a surgir. Em entrevista coletiva, Aidar voltou a manifestar apoio ao treinador, mas não deixou de dar estocadas no desempenho da equipe. “Segundo minha terapeuta, minha paciência está no fim. Ela me disse: ‘Carlos Miguel, tenha um pouquinho mais de paciência. Em mais duas semanas o time entrosa’. (risos)”
O presidente também exibiu a sua insatisfação quando lhe perguntaram se a contratação de jogadores prestigiados como Kaká e Michel Bastos, apresentado ontem, não aumentaria a pressão sobre a equipe. “Aumenta a obrigação, um time como esse não pode performar mal. Jogadores desse nível devem ter apresentações que agradem à direção e à torcida.”
EXEMPLO ALEMÃO
Apesar dos maus resultados, Aidar diz que mantém a ideia de não demitir Muricy. “A longevidade ajuda a trazer o resultado. Veja o técnico da Alemanha (Joachim Löw), ele perdeu uma Copa em casa e depois deu show no Brasil.”
Quem está próximo ao presidente, porém, pensa diferente. “Carlos Miguel é um homem esperto e saberá não ser refém da palavra. Aquela declaração foi em começo de mandato”, ponderou um dirigente.
A chance de Muricy acalmar os ânimos é bater o Palmeiras no domingo. Mas, mesmo em caso de vitória no clássico, os dias de intocável do treinador estão chegando ao fim.
Vexame transforma Muricy em 'mortal' no São Paulo
Treinador perde apoio, vê Aidar e Ataíde começarem a mostrar desconforto e sofre para dar padrão à equipe
Fonte Estadão
15 de Agosto de 2014
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