No último domingo, o “quadrado mágico”, expressão dada ao quarteto ofensivo da Seleção Brasileira de 2006 que tinha Kaká, Ronaldinho Gaúcho, Ronaldo e Adriano, são-paulino esteve em campo junto por um pouco menos de 40 minutos e teve grande desempenho no triunfo são-paulino por 3 a 1 sobre o Vitória. Pato foi autor de dois gols, Alan Kardec de um, Ganso de uma assistência e Kaká de uma boa partida no retorno ao Morumbi. A formação tricolor tem até semelhanças, guardadas as devidas proporções dos jogadores, com aquele Brasil, já que tem um meio-campo técnico e um ataque com dois jogadores que tem como especialidade os gols, mas peca nas jogadas pelos lados do campo.
A Copa do Mundo de 2006 terminou com críticas ao desempenho, principalmente defensivo, do Brasil, eliminado pela França nas quartas de final. A falta de apoio dos quatro homens de frente à defesa virou motivo de preocupação nos anos seguintes e a Seleção não viu mais um grupo de quatro astros na linha de frente preocupando-se quase exclusivamente com o ataque.
Muricy sabe disso e busca um meio-termo no São Paulo. Com Pato criticado por não ajudar na marcação, cobra o atacante, mas também busca alternativas sem o atleta – na estreia de Kaká contra o Goiás, havia testado um time com Ademílson, que ajuda mais na recomposição. Para o treinador, o importante está em como a equipe se comporta dentro de campo, não com os nomes dela. Kaká e Ganso, por exemplo, mostraram completa liberdade no ataque contra o Vitória, mas precisaram ajudar na marcação.
“São jogadores (Kaká e Ganso) que você não pode deixar em uma função só porque vão ser marcados, não vão ficar bem dentro de campo. Quando acabar a jogada, vão ter que marcar, mas dificulta o adversário, que vai ter que marcar eles. Kaká e Ganso jogam entre as linhas, não abrem para jogar, e isso complica a marcação adversária. Aí quando perder a bola, o que tiver pelo lado, volta pelo lado, o que tiver pelo meio volta pelo meio. Mas são jogadores inteligentes, acima da média, e isso facilita bastante”, explicou Muricy.
O comandante são-paulino terá um problema assim que Luís Fabiano voltar de lesão, quando o quarteto de astros virar quinteto. Entretanto, o treinador citou possíveis desfalques para dizer que a “dor de cabeça” será contornável. E foi logo avisando: só jogará quem estiver melhor.
“Não tenho dor de cabeça. Isso é ótimo, o ruim é olhar para o lado e não ter quem mudar. Olhar pro lado e ter opção é muito bom. Então com a quantidade de jogos que nós temos, com suspensões, vai ter lugar para todo mundo. E quem entrar vai ter que estar preparado, vai jogar quem estiver melhor e aproveitar a oportunidade. Aqui eles sabem que são assim”, contou.
Veja os números do “quadrado mágico” do São Paulo contra o Vitória, de acordo com o Footstats:

*Alan Kardec ficou apenas 37 minutos em campo