Para Muricy Ramalho, técnico do São Paulo, a discussão sobre a crise do futebol brasileiro passa também pelos treinadores do país, mas não podem ser eles os únicos culpados pela fase ruim. Em entrevista ao ‘Bate-Bola', do ESPN Brasil, o comandante tricolor disse que "o todo no Brasil não é bom".
"Os técnicos não são tão ultrapassados como dizem. A gente estuda, olha com carinho o que acontece lá fora. Mas a gente está desviando. Nosso todo não é bom. Tem que começar de cima para baixo", opinou o são-paulino. "É uma coisa ampla. Parece que o técnico é culpado até pela inflação no país", seguiu.
Ao elencar os problemas do futebol do Brasil, em sua visão, Muricy apontou dois cenários, que interferem na formação de jogadores: as pessoas que estão, principalmente, cuidando dos novos talentos e também a legislação que, segundo ele, torna os clubes reféns de empresários.
"Há muito que não temos um craque. Hoje temos um só. É muito pouco pelo tamanho que nós temos. E estamos discutindo só um seguimento. Claro que é difícil, porque também tem lei para rever. Hoje, não se consegue manter o jogador. Empresário vem e tira. Os caras não querem saber", afirmou.
"Trabalhei na base, comecei lá, em uma época de investimento baixo. Treinava a turma de 12 anos e levava colete e bola no meu carro. Saiu Denílson e um monte de gente. Não é investimento, é questão de pessoal. Antes, os pequenos formavam. Hoje não mais. Senão o empresário vai lá e leva."
"As pessoas de fora sabem 10% do que acontece no futebol. É acho isso, acho aquilo. Tem que fazer mais congresso voltado para futebol. A gente não conversa de futebol. Os técnicos poderia se juntar e conversar. Tem muita coisa boa para fazer. Mas tudo isso parte de cima para baixo", acrescentou.
E a solução, Muricy? Para o são-paulino, somente uma ‘revolução', incluindo os treinadores, mas também passando por outros polos. "Vai ser difícil se não tiver uma revolução total. Se não, não muda nada. Eu estou aqui (empregado), então seria fácil chegar e dizer que está tudo bem. Mas não está, não".