Na derrota do São Paulo, o dilema de Muricy, que tenta se afastar do "Muricybol"

Por Mauro Cezar Pereira

Fonte ESPN
O São Paulo fez 30 cruzamentos na área da Chapecoense, sábado, no Morumbi. A simples apresentação de tal número leva muitos a uma conclusão que pode ser precipitada: "Ah foi só Muricybol". Será? O time não tem sido apenas isso e vale ressaltar que tal conceito futebolístico não se limita à bola cruzada. O time batido em casa gosta de ficar com a bola. Nesta derrota por 1 a 0 foram 585 passes, com 91% de acerto. Os tricolores finalizaram 11 vezes, três no alvo, perdendo no único arremate certo do time catarinense, que somou quatro tiros na direção da meta são-paulina. Os números são do Footstats.
Terceira no ranking de passes certos (atrás de Flamengo e Fluminense), a equipe do Morumbi tem média de 367 por cotejo. No Brasileiro do ano passado, o São Paulo liderou esse ranking com 370 a cada jogo. Antes do retorno do treinador a média era de 369 e praticamente não se alterou com a reestréia de Muricy na 21ª rodada. O problema? Muitos toques laterais, posse de bola sem produtividade. O perfil não se modificou mas o time saiu da zona do rebaixamento com o novo-velho "professor". E melhorar isso é o desafio do técnico conhecido pelo estilo de jogo competitivo, mas duro, pragmático.
A exemplo do Santos de Muricy em 2012, no ano passado os são-paulinos ficaram apenas no 17º posto do ranking de times que mais cruzaram. Só Bahia, Santos e Ponte Preta levantaram menos a bola na área inimiga nas 38 rodadas de 2013. Neste campeonato o São Paulo tem cruzado mais e a derrota para a trancada equipe de Chapecó fez o time entrar no "top 5" das pelotas alçadas. No mapas de movimentação (abaixo) você observa por onde o time paulista atuou, mais pela esquerda, com Álvaro Pereira, Osvaldo e Souza.

ESPN TRUMEDIA
Os catarinenses, observe (abaixo), jogaram em seu campo, fechadinhos. Mesmo com apenas 34% de posse de bola, a Chapecoense desarmou menos do que o São Paulo, que recuperou a bola 19 vezes contra 17. Paulo Henrique Ganso, ao lado de Douglas, apareceu entre os melhores neste fundamento, com quatro cada. A pressão fez o time de Santa Catarina rebater a bola 56 vezes! Número elevadíssimo. Quem mais a rechaça para longe de sua área, o Atlético Paranaense, tem média 52 por peleja.

ESPN TRUMEDIA
Fica claro que o sistema defensivo bem montado pela Chapecoense barrou um São Paulo que tentou fazer o seu jogo. O time de Muricy já tem a bola. Precisa se aprimorar para saber exatamente o que fazer com ela, principalmente diante de defesas fechadas. Desde a goleada por 4 a 0 que sofreu em 2011, no comando do Santos, quando perdeu a decisão do torneio Mundial da Fifa, o treinador tenta mudar o perfil de suas equipes. Com os jogadores que conta, pelo menos em tese, ele tem essa chance. Terá capacidade? Tempo? Imprensa e torcida demonstrarão paciência? Taí o problema.
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