No final de sua primeira passagem pelo São Paulo, Kaká foi criticado por diversos motivos. Seja porque atraía mais mulheres no Morumbi ou então porque fez parte, junto com Luis Fabiano e Rogério Ceni, de uma época em que os jogadores eram tidos como "pipoqueiros". Hoje, no entanto, o meia de 32 anos garante que não sente rancor.
"De alguma forma, tudo ocorre para o bem. Minha saída sendo criticado por parte da torcida fez com que eu aprendesse, crescesse, amadurecesse. Essa demonstração da torcida hoje é um incentivo pra mim. Demonstra que eles queriam minha volta. Eu tive propostas de outros lugares, mas é desejo meu retornar por aqui, de certa forma está todo mundo feliz", disse Kaká, na sua primeira entrevista coletiva como jogador do São Paulo.
O meia chega por empréstimo junto ao Orlando City pelos próximos seis meses. Mais velho, Kaká admite que não será o mesmo garoto de 11 anos atrás que corria alucinadamente em campo, mas que ainda assim pode contribuir.

"Hoje eu estou mais maduro em campo, visão de jogo melhor. Acho que isso mudou um pouco. Quando você é moleque vai muito no impulso, improviso e é muito legal também. Hoje sou mais experiente, enxergo um pouco mais o jogo. O torcedor pode esperar o Kaká da última temporada do Milan, bom nível técnico, fui um dos artilheiros, tive uma boa temporada", continuou o meia.
Kaká também disse que não se frustrou com o fato de não ter sido chamado por Luiz Felipe Scolari para a Copa do Mundo de 2014. "Não foi uma frustração porque fiz tudo que podia, desde a saída do Real Madrid para o Milan porque precisava recuperar a alegria de jogar, ter mais quantidade de jogo. Isso fez com que eu trabalhasse, lutasse. O Felipão fez outras escolhas. Não estou lá, estou torcendo. E de verdade espero que o Brasil seja campeão".
Aos 32 anos e com contrato firmado com o Orlando City, que fará sua estreia na Major League Soccer em março de 2015, o meia diz que não pensa que sua ida aos Estados Unidos signifique o final de sua carreira.
"Sempre construi coisas a longo prazo, sempre relações muito longas porque eu sempre quis construir as coisas dessa forma. Minha escolha de ir para os Estados Unidos é também construir um laço. Meu objetivo é começar uma coisa nova, num lugar onde o futebol está desenvolvendo. Não estou indo para os EUA para encerrar minha carreira. A parte financeira nunca foi minha prioridade. Por escolha financeira poderia ter ido ao Manchester City, não teria voltado ao Milan. Sempre demonstrei isso para criar um relacionamento a longo prazo", afirmou.
Imagens de GAZETA PRESS