Top 5: de Seleção à Europa, Amoroso elege maiores conquistas da carreira

Ex-atacante completa 40 anos neste sábado e destaca momentos por Guarani, São Paulo, Udinese, Borussia Dortmund e Brasil. Também fala de algumas lamentações

Fonte Globo Esporte
Amoroso guarda camisas de clubes que defendeu ou enfrentou: coleção de dar inveja em muitos (Foto: Murilo Borges)
Craque vence o tempo. Dribla o ponteiro do relógio biológico. Deixa a idade para trás na corrida. Amoroso sabe bem disso. Com a agilidade que entortou zagueiros e encantou torcidas mundo afora, o ex-atacante segue em atividade no imaginário de quem teve a sorte de vê-lo jogar. Quem não conseguiu, tem a chance de aproveitar momentos por Guarani, Udinese, seleção brasileira, Borussia Dortmund e São Paulo.
Em comemoração aos 40 anos do ex-atacante, completos neste sábado, o GloboEsporte.com lista, com ajuda do próprio, as principais glórias da carreira. Do surgimento no Bugre ao lado do eterno amigo e parceiro Luizão, Amoroso conquistou a glória na Europa, ao ser artilheiro de duas das ligas mais disputadas do mundo (Italiana e Alemã), e voltou a tempo de tirar um dos clubes de mais sucesso do país de uma fila incômoda.
Além disso, conseguiu defender a Seleção em parceria aos maiores craques da sua época, como Cafu, Roberto Carlos, Rivaldo e Ronaldo. Mesmo sem disputar uma Copa do Mundo (preterido em 1998 por Zagallo e ignorado quatro anos depois por Luiz Felipe Scolari), Amoroso guarda mais lembranças positivas do que negativas.
– Poderia ter permanecido mais no futebol italiano. A saída do São Paulo também poderia ter sido contornada de outra maneira, com uma permanência mais duradoura, quem sabe. Mas isso dependia também dos dirigentes, não só de mim. Esses dois momentos me deixaram um pouco arrependidos, mas não tenho que reclamar – diz o craque, que lista abaixo o que considera mais positivo em uma carreira repleta de conquistas.
GUARANI: NASCE O CRAQUE
Arrancadas, passes em velocidade e finalizações precisas. Quem esteve no Brinco de Ouro naquele 27 de agosto de 1994 teve a certeza que dali sairia um craque. Com a camisa 10 às costas, Amoroso tirou a defesa do Santos para dançar. Não à toa, liderou a goleada do Guarani por 4 a 0, ao lado do parceiro Luizão.
Fruto da base, a dupla de ataque marcou dois gols cada um e deixou Edinho, filho do Rei Pelé, com a cara no chão. O lance mais marcante é o primeiro gol de Amoroso, que arrancou desde o meio-campo, deixou três marcadores para trás e concluiu com um toque rasteiro na saída do santista.
Aquele Bugre teve participação sólida no Campeonato Brasileiro, ao superar o favoritismo de muitos e alcançar a semifinal. Só parou no estrelado Palmeiras, já sem Amoroso, que machucou o joelho e precisou passar por cirurgia. Os bugrinos falam até hoje que, com ele, a história seria outra.
– Aquele primeiro gol contra o Santos foi muito bonito. Foram dois meus e dois do Luizão, que foi meu parceiro de ataque desde a base do Guarani. Foi um momento marcante – lembra o ídolo.

Amoroso festeja gol contra o São Paulo, em campanha destacada do Guarani no Brasileirão de 1994 (Foto: Ag. Estado)
UDINESE: PRIMEIRO BRASILEIRO ARTILHEIRO
As atuações acima da média despertaram interesse do futebol italiano. Campeão carioca pelo Flamengo em 1996, Amoroso recebeu um convite para defender a Udinese. Nem teve muito o que pensar, já que o ídolo Zico havia feito história com a mesma camisa alvinegra na década de 80. Na apresentação, recebeu justamente as boas-vindas do Galinho. A chance de sucesso era grande.
Foram três anos pela Udinese, em que dividiu boa parte dos créditos pelas vitórias com o alemão Oliver Bierhoff. A saída do companheiro de ataque, no entanto, marcou o auge de Amoroso pelo clube. Em 98-99, tornou-se o primeiro brasileiro artilheiro do Campeonato Italiano, com 22 gols. O desempenho lhe fez recuperar prestígio na seleção brasileira e ser cobiçado pelo Parma, para onde se transferiu no segundo semestre daquele ano.
– Ser artilheiro do Campeonato Italiano é difícil demais. A gente tinha meia chance de gol por jogo e tinha que fazer o gol. Era diferente de quem jogava em Milan, Juventus, Roma, que recebe mais oportunidades. Valorizo muito esse título, ainda mais quando se disputa com Weah, Ronaldo, Batistuta, Del Piero, Vieri, Bierhoff, Inzaghi, Baggio... – comenta o craque.

Amoroso marca época no futebol italiano, em especial com a camisa da Udinese (Foto: Agência Getty Images)
SELEÇÃO: TÍTULO COM RONALDO E CIA
Se comparada com a carreira em clubes, a trajetória de Amoroso com a seleção brasileira é pouco recheada de conquistas. O ex-atacante estreou em 1995 e foi convocado até meados de 2003, mas nunca teve grande sequência com um treinador ou fez parte de um título memorável, como a Copa do Mundo de 2002. A exceção da regra é a Copa América de 99.
Então comandado por Vanderlei Luxemburgo, o Brasil viajou ao Paraguai com um esquema mais ofensivo que de costume. Rivaldo e Ronaldo ganharam as companhias de Alex e Amoroso na criação. O quarteto durou pouco (Zé Roberto assumiu a vaga do hoje meia do Coritiba), mas o ex-bugrino soube ganhar espaço. Marcou quatro gols e terminou como um dos destaques da conquista invicta (seis vitórias em seis jogos).
– Jogar pela Seleção é sonho de qualquer jogador. A conquista foi marcante, porque o Brasil fez uma campanha sólida, terminou invicto a competição e tinha jogadores como Ronaldo, Roberto Carlos, Cafu, Rivaldo e a aparição do Ronaldinho Gaúcho, que também ficou marcada – lembra Amoroso, que ainda atuou sob comando de Luxemburgo nas Eliminatórias e com Zagallo e Carlos Alberto Parreira em amistosos entre 2002 e 2003.

Amoroso passa por Scholes em amistoso em Wembley, em uma das passagens pela Seleção (Foto: Getty Images)
DORTMUND: IDOLATRIA E MÚSICA ESPECIAL
Depois de passagem triunfante pela Itália, Amoroso teve a chance de atuar na Alemanha, país de características semelhantes em termos de futebol. E mostrou que a experiência na Bota o fez evoluir como jogador. Entre 2001 e 2004, o atacante brasileiro se transformou no maior ídolo do Borussia Dortmund e recebeu carinho especial da torcida, que até lhe fez uma música especial que virou hit na cidade.
Dentro de campo, Amoroso correspondeu com gols. Na campanha da conquista do Campeonato Alemão, em 2001-02, assinalou 18 tentos e liderou a tabela de artilheiros, muitos da mesma forma (arrancada pela esquerda e chute colocado e cruzado). Nem mesmo as desavenças com alguns técnicos, como o durão Mathias Sammer, impediram o sucesso do brasileiro.
– Foi o clube que me deu o primeiro título de expressão da carreira. Quando cheguei, o Borussia não ganhava título desde 1997 (foi campeão da Liga dos Campeões e do Mundial Interclubes naquele ano). O carinho da torcida, que fez uma música que tocava em discoteca e bares, é inesquecível. A artilharia do campeonato e o título com aquela torcida que lotava qualquer estádio ficou marcado para mim – recorda o ex-jogador, que brilhou com a camisa 22 na Alemanha.

Amoroso notabilizou-se por gols importantes no Borussia, principalmente em clássicos (Foto: Agência Getty Images)
SÃO PAULO: COLEÇÃO DE TROFÉUS
Bem sucedido na Europa, Amoroso aceitou o desafio de liderar um dos clubes mais tradicionais do Brasil na tentativa de acabar com um jejum de conquistas importantes. Após atuar no Málaga, o atacante foi apresentado pelo São Paulo como maior aposta para o mata-mata da Copa Libertadores de 2005. Ele chegou ao Morumbi para substituir Grafite. Fez mais: assumiu a camisa 9 com tanta naturalidade que quase ninguém lembrou que ela pertencia a outro jogador. Em quatro partidas, fez dois gols e garantiu o troféu que não era do Tricolor desde 1993.
A passagem pelo Morumbi valeu por muitos motivos. Primeiro, o reencontro com o amigo Luizão, em parceria que durou quatro jogos apenas, mas foi suficiente para marcar a história são-paulina. Depois, por alcançar o topo do mundo. Com mais dois gols, Amoroso foi peça-chave na conquista do Mundial de Clubes em cima do Liverpool, em noite histórica para o clube. Pena para a torcida que, após a decisão, o atacante encerrou o ciclo vitorioso no Tricolor para atuar no Milan, devido a desacertos na renovação de contrato – Amoroso queria estender o vínculo por mais três anos, ao contrário da vontade dos dirigentes.
– Ficou eternizado pelos torcedores são-paulinos. Foram os maiores títulos da minha carreira, como expressão mesmo. Naquele momento, não só o título foi marcante, mas o retorno para jogar ao lado do Luizão, que foi meu grande parceiro de ataque. Foram momentos que marcaram. Pena que durou pouco – lamenta o atacante, que sabe que poderia ter feito mais pelo São Paulo.

Amoroso festeja gol na decisão da Libertadores contra o Atlético-PR: dois títulos e status de ídolo (Foto: Agência Reuters)
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