Kaká está de volta: relembre a primeira passagem do meia

Meia revelado pela equipe do Morumbi volta ao clube por empréstimo até 31 de dezembro, antes de iniciar sua aventura no futebol dos EUA pelo Orlando City

Fonte Globo Esporte
Ele saiu como uma joia que ainda precisava ser lapidada, tornou-se o melhor do mundo e, 11 anos depois, volta para matar a saudade de casa antes de enfrentar outro desafio (talvez o último) de sua vencedora carreira.
Até o fim do Campeonato Brasileiro, o torcedor do São Paulo poderá ver Kaká novamente em ação com a camisa tricolor. O clube do Morumbi confirmou a contratação do meia por empréstimo de seis meses, tempo que falta para iniciar suas atividades junto com o Orlando City, time pelo qual disputará a liga norte-americana a partir de março de 2015.
A negociação ocorreu com a ajuda do clube dos Estados Unidos, que pagará uma parte dos vencimentos do jogador. Como estava de férias, ele ainda precisará melhorar sua forma física. Mesmo assim, será recebido com festa: neste domingo, fará aparição para a torcida às 10h45 no Morumbi - o portão 1 estará aberto a partir das 8h30, com entrada franca.
Kaká tinha vínculo de mais um ano com o Milan, mas o contrato foi quebrado sem custos por causa de uma cláusula que permitia a rescisão pelo fato da equipe italiana não ter garantido vaga para a Liga dos Campeões da Europa.
Na equipe profissional do Tricolor, Kaká atuou por dois anos, disputou 131 jogos, marcou 48 gols e conquistou o título do torneio Rio-São Paulo de 2001. Ele vestirá a camisa 8, que hoje pertence ao meio-campista Souza.

Kaká visitou o centro de treinamento do São Paulo no mês passado (Foto: Carlos Augusto Ferrari)
Promissor desde criança
Ricardo Izecson dos Santos Leite nasceu em Brasília, no dia 22 de abril de 1982. Filho de Bosco, um engenheiro civil, e de Simone, professora, ele foi morar em Cuiabá quando tinha quatro anos. Aos sete, por causa do trabalho de Bosco, a família se mudou para São Paulo. No colégio em que estudava, chamou a atenção do professor de educação física, que enxergou talento no pequeno Ricardo e orientou os pais a matriculá-lo em uma escolinha de futebol. Quando a família foi morar no bairro do Morumbi, Zona Sul da capital paulista, o pai comprou um título familiar no São Paulo. Kaká, que na época era conhecido como Cacá, começou a treinar na categoria fraldinha.
A joia foi subindo de categoria em categoria até chegar ao infantil. Apesar da qualidade com a bola nos pés, era franzino. Por isso, aos 15 anos, começou a fazer um tratamento para ganhar massa muscular. Logo esticou, ganhou corpo, e todos no clube passaram a ter certeza de sucesso.
Sucesso que quase foi interrompido em 2000, quando o garoto sofreu um acidente na piscina da casa de sua avó e quebrou um pedaço de uma vértebra. Com o risco de ficar paraplégico, ele ficou dois meses sem sair da cama. Aos poucos, sua situação foi melhorando, e a recuperação, plena. Tanto que, um ano depois, ele brilhava na Copa São Paulo de Futebol Junior com a camisa tricolor.

Na Europa, Kaká marcou época com a camisa do Milan, da Itália (Foto: Agência Reuters)
Sucesso no profissional
Kaká chamou a atenção do então técnico do profissional, Osvaldo Alvarez. O São Paulo passava por dificuldades financeiras, e a ordem da diretoria era apostar nas pratas da casa. Kaká foi um dos atletas promovidos ao profissional e seu sucesso foi imediato. Como uma arma secreta, ele brilhou no dia 7 de março daquele ano, dia em que saiu do banco no segundo tempo para marcar os dois gols da vitória sobre o Botafogo, por 2 a 1, resultado que garantiu o título do Torneio Rio-São Paulo e fez a festa de 70 mil torcedores presentes no Morumbi.
Kaká foi imediatamente alçado à condição de ídolo, ganhou um belo aumento salarial e, dali para frente, passou a chamar a atenção dos times europeus. O ótimo futebol mostrado no São Paulo ainda garantiu ao craque uma vaga entre os 23 convocados que disputaram e ganharam a Copa do Japão e da Coréia do Sul.
Mesmo sem jogar, o meia voltou ainda mais valorizado do Mundial e, a partir daí, começou uma queda de braço entre a diretoria tricolor e o empresário do atleta, Wagner Ribeiro, que queria vender Kaká a qualquer custo. Dentro de campo, o atleta passou a ser mais cobrado pela torcida. Sempre que o time fracassava em um jogo importante, ele era um dos mais vaiados.
Em 2003, Kaká fez um gol que marcou sua carreira, em jogo contra o Juventus, pelo Campeonato Paulista, arrancando da defesa até o gol adversário. Mas a marcação da torcida ainda era cerrada. A tensão atingiu seu maior nível na final do Campeonato Paulista. Fora do time por causa de uma lesão muscular, Kaká foi desfalque contra o Corinthians.
Como o time perdeu, ele foi crucificado. A princípio, o jogador disse que estava preparado para encarar as críticas. Mas, com o passar dos dias, mudou de ideia e, em agosto de 2003, teve sua transferência para o Milan anunciada. O São Paulo foi obrigado a aceitar US$ 8,5 milhões (valor bem abaixo da multa) porque o vínculo do atleta acabaria seis meses depois e, assim, o clube corria o risco de não receber nada.

Kaká foi recepcionado por diversos torcedores do Orlando City na última segunda-feira (Foto: AP)
Melhor do mundo e queda no Real
No Milan, Kaká atingiu o auge. Conquistou títulos importantes e foi eleito o melhor jogador do mundo em 2007, conseguindo se destacar mesmo fazendo parte do vexame que a Seleção deu no ano anterior, na Copa da Alemanha, já atuando como titular. Em 2009, foi contratado pelo Real Madrid por incríveis R$ 178 milhões. Na Espanha, no entanto, não reeditou seu bom futebol e acabou se tornando um fiasco. Tanto que, em 2013, voltou para o Milan, onde teve um comportamento bastante irregular.
Animado, o craque volta ao São Paulo antes de iniciar sua aventura nos Estados Unidos, num campeonato que não tem visibilidade, mas paga muito bem. No Tricolor, o craque reencontrará Rogério Ceni e Luis Fabiano, que foram seus parceiros no passado.
Resta saber onde Kaká vai jogar. Muricy Ramalho, do meio para frente conta com opções de muita qualidade: Paulo Henrique Ganso, Alexandre Pato, Osvaldo, Luis Fabiano e Alan Kardec. O torcedor do São Paulo aguarda com ansiedade e aposta na formação de um “time dos sonhos” para quebrar o jejum de títulos no Campeonato Brasileiro e na Copa do Brasil.
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