Galvão Bueno: bola murcha
O pior da Copa do Mundo, já se sabe, não serão os comentários idiotas, mas o próprio narrador Galvão Bueno, da TV Globo. Por Nirlando Beirão
Fonte Carta Capital
16 de Junho de 2014
Circula pelo YouTube um filmete mostrando os entreveros, nos bastidores, entre o então jovencito Galvão Bueno e Pelé quando o craque atuou na Globo como comentarista da Copa dos Estados Unidos, em 1994. Pelé falavamuito e dizia nada. O locutor entrava em combustão. Pelé foi prudentemente removido das transmissões. Galvão continua falando pelos cotovelos.
Fico inquieto ao perceber que as emissoras decidiram reforçar suas equipes da Copa com ex-astros da bola – e outros nem tão astros assim. Têm eles, naturalmente, certa intimidade com o assunto, mas nada disso implica a capacidade de iluminar o espectador com alguma observação mais criativa, driblando a imagem óbvia que a própria telinha exibe.
Nosso Afonsinho é outro sábio a se esquivar do spot. Na tevê, a arte consiste em construir um personagem que nem sempre tenha a ver com o original. Nesse aspecto, Neto, ex-Corinthians, é campeão.
O pior da Copa, já se sabe, não serão os comentários idiotas, mas o próprio Galvão Bueno. Aqui vale a sacrossanta cautela do cardeal Paulo Arns, que, fanático, tirava o som da tevê e botava música. Na hora da Seleção do Felipão, daria para escolher entre a contagiante Cavalgada das Valquírias, de Wagner, ou o sombrio Requiem, de Pergolesi.
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