Da retranca ao suicídio - Por Cleber C. Oliveira

Fonte SPFC.Net
Saudações Tricolores!
Muito pensei sobre o que vi no último jogo do São Paulo, como podemos ter dois times tão distintos sem nenhuma alteração? Um primeiro tempo com total controle, muita posse de bola, jogadas em profundidade e muita correria para o adversário. No segundo tempo não conseguiu sair do próprio campo, não teve qualidade para desenvolver jogadas e a bola queimava com a forte marcação adiantada do Fluminense. O que aconteceu?
O técnico Cristóvão Borges percebeu algo que a torcida do São Paulo já sabe a muito tempo: não temos volantes no time e que se ele pressionasse o sistema defensivo, a bola não chegaria ao ataque do São Paulo que deu muito trabalho no primeiro tempo. Após um ataque avassalador do time carioca, eles conseguiram a virada rapidamente. O que o Muricy fez? Tirou um meio campista e colocou outro atacante! Recuou Ganso para fazer a função de volante, e o que estava ruim piorou e virou goleada. Daí percebi que Muricy, cansado de ser chamado de retranqueiro, resolveu virar suicida! Ele deixou em campo CINCO jogadores de frente, quatro atacantes e o Ganso.
Quando viu que o problema do time não era o ataque e sim o meio campo, já estava 5x2 para o Fluminense, e ele colocou o Hudson, volante de origem e eleito o melhor na função do campeonato paulista para controlar o jogo, e o Boschilia para ajudar na criação. O jogo de fato equilibrou, mas já era tarde demais e todos já sabiam que seria este o resultado final.
MUDOU MUITO
Muricy está diferente daquele que comandou o São Paulo entre 2006 – 2009 e mudou radicalmente! Do famoso 3-5-2 e times com forte marcação, compacto e seguro, para um time extremamente ofensivo sem sistema de marcação que aposta muito na eficiência de seu ataque. Quando a bola não está nos pés do São Paulo o time não sabe o que fazer! Marcação confusa, má distribuição e dificuldade em roubá-la ou até mesmo afastá-la. E a diretoria contesta a qualidade de “#VoltaLugano”. Enquanto não chegar um bom zagueiro e um bom volante, nosso time terá dificuldades em enfrentar equipes que tenham bons meio campistas, caso do Fluminense (Jean, Diguinho, Conca e Vagner). Onde os meio atacantes sabem que tem dois volantes que marcam bem e sabem aparecer para o jogo.
Entendo ele. A qualidade do time está na frente, então ele tenta fazer o time todo deixar a bola lá, sabe que atrás está difícil. Mas espero que ontem sirva de lição e ele tire o Maicon para colocar o Hudson e trabalhe com a hipótese de que o São Paulo não terá posse de bola o tempo inteiro! Sem volante, em um esquema 4-3-3 ou você ganha bem, ou perde de muito. Ontem, perdemos de muito.
Cleber C. Oliveira
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