Daniel Alves descasca banana jogada em campo no jogo do Barcelona (Foto: Reprodução)
A questão do racismo é odiosa. Combater essa praga exige mais do que o discurso correto que a Fifa, a CBF, as autoridades do futebol e além dele têm adotado nos últimos anos. Placas na beira do gramado, jogadores entrando em campo com faixas em defesa da igualdade, postagens de solidariedade às vítimas no Twitter podem até ser muito bonito. Mas tudo isso é quase nada, soa apenas como um lava-mãos, uma hipócrita afirmativa de que "estamos fazendo a nossa parte". Não estão.
É preciso ação. Punição severa de quem protagoniza esse tipo de manifestação nos estádios pelo mundo. Atitudes como a dos dirigentes do Villarreal, que prontamente identificaram o sujeito que jogou a banana que Daniel Alves comeu, ainda são raras. A condescendência, a cumplicidade têm sido a marca nesses casos. Como aconteceu com o cruzeirense Tinga na Libertadores, humilhado por sons que imitavam macacos vindo das arquibancadas do estádio peruano. Sem que a Conmebol tomasse uma atitude realmente impactante.
Mas, e a partir daí? Será que basta impedir o agressor de frequentar estádios, caçar-lhe o registro de sócio como fez o clube espanhol? Será que basta cassar mandos de campo, aplicar multas quase simbólicas ao time desses maus torcedores ou até tirar pontos nas tabelas de classificação? Certamente que não. A reação dos americanos às manifestações racistas de Donald Sterling, proprietário do Los Angeles Clippers, da NBA, servem como exemplo pela contundência. Em menos de 24 horas, a franquia perdeu cinco de seus patrocinadores. Empresas de porte na economia americana. E o dono está em vias de ser obrigado a desfazer-se do lucrativo negócio, pressionado pelos próprios jogadores do time e outros astros do basquete americano.
O racismo no mundo está longe de ser um problema do esporte, do futebol ou do basquete. Nos estádios é apenas o reflexo do que se passa na sociedade. Na Espanha, no Brasil, nos EUA, onde quer que seja. Onde motivos culturais ou econômicos parecem alimentar outra vez esse tipo de sentimento excludente. A força da lei penal, mais ou menos rigorosa nesse ou naquele país, precisa impor-se sempre. Muito além das sanções esportivas.
Off: O racismo vai muito além do esporte
Fonte LanceNet!
29 de Abril de 2014
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