Marco Aurélio dá tempo a Aidar, mas critica postura inicial

Membro da oposiçaõ do São Paulo espera mudança em relação à administração de Juvenal e critica postura de Aidar

Fonte Terra
Marco Aurélio Cunha conversa durante eleição do São Paulo
(Foto: Ricardo Matsukawa / Terra)

Ex-aliado de Juvenal Juvêncio, Marco Aurélio Cunha foi um dos poucos membros da oposição a votar no pleito do São Paulo realizado em 16 de abril, no Morumbi. Com a derrota matematicamente encaminhada após eleição de conselheiros, Kalil Abdala retirou a candidatura e instou os companheiros a não comparecer para evitar a votação do projeto financeiro e jurídico para instalação da cobertura do Estádio do Morumbi, que a situação havia marcado para o mesmo dia. Marco Aurélio participou mesmo assim: votou em Leco para a presidência do Conselho Deliberativo e o restante em branco. Ali mesmo, viu de perto em Aidar aquilo que define como “gosto pelo litígio”.
“Ninguém ali não é são-paulino”, afirma Marco Aurélio, em entrevista ao Terra. “Você gosta do clube, você quer o clube bem”, ressalta, ao afirmar que esperava postura mais agregadora por parte do adversário. Na ocasião, em 17 minutos de discurso após a confirmação da vitória, Aidar afirmou que Kalil “fugiu” do pleito, criticou a postura da oposição e disse que ela usou a má fase do time no Brasileiro de 2013 para, com antecedência, fazer campanha e angariar votos. “Ele precisa ser conciliador, mas no início mostrou gosto pelo litígio”, lamentou Marco Aurélio Cunha, vereador de São Paulo pelo PSD.
Com a experiência da atuação na Câmara, ele promete aguardar para agir na oposição: reconhece que Aidar precisa de tempo de adaptação e se diz na torcida pelo bem do clube. Mas avisa: apesar da desistência na eleição, a oposição é forte. Tão forte que causou a entrada do próprio Aidar como sucessor de Juvenal, por não ter a rejeição causada a outros potenciais candidatos. Forte também para gerar mudanças na área social do clube. A preocupação, agora, é o futebol. “O clube ganhou a eleição, mas o futebol perdeu”, avisa Marco Aurélio Cunha.
Veja a entrevista de Marco Aurélio Cunha
Terra: Marco Aurélio, falando sobre o cenário político do São Paulo após as eleições, você pretende fazer oposição? De que forma ela deve ser feita para que tenha efeito?
Marco Aurélio Cunha:
Você faz oposição quando as coisas não andam bem. Ela serve a alguns rumos, você não faz oposição por oposição. Você não é contra o São Paulo, você é a favor. Não cabe a mim, em hipótese nenhuma. Mesmo na Câmara. Eu sou de um partido que não é o do governo, e não voto contra o governo o tempo todo. Há de se dar tempo para o Carlos Miguel e sua nova diretoria. Torço para que deem certo, quero um clube forte. Eu acho que não houve mudanças como gostaríamos, mas ainda há tempo. No campo ideológico, vejo algumas coisas que são do mesmo estilo e tom, então isso, para mim, não é mudança. Não é só mudar as pessoas, é mudar o estilo, mudar a conduta. Ser uma pessoa mais agregadora. Ele precisa ser conciliador, mas no início mostrou gosto pelo litígio. Tenho obrigação de esperar para não atrapalhar esse início.
Terra: Esse “gosto pelo litígio” inclui também essa primeira polêmica do Aidar? (Aidar afirmou, em entrevista à Rádio Bandeirantes, que gostaria de contratar o meia Kaká porque tem a cara do São Paulo: “é alfabetizado, tem todos os dentes na boca, bonito, fala bem”)
Marco Aurélio Cunha:
Ele foi infeliz nessa. Talvez tenha se empolgado com a vitória, querendo fazer graça ou agradar ao torcedor do São Paulo. Acho que ele conseguiu isso no primeiro momento. Talvez tenha sido um pequeno lapso que não vai se repetir. Digo mais em relação ao discurso de posse, em que falou mal da oposição, quando, na verdade, ninguém ali é não-são-paulino. Você gosta do clube, você quer o clube bem. Eu sempre vou chamar as pessoas para estarem próximas de mim, trabalhando ou não, porque todos são são-paulinos. Eu não afasto, eu agrego. Tem que puxar para dentro, não tirar para fora, com o perdão da redundância.

Terra: No caso de uma postura mais agregadora por parte da diretoria, você aceitaria ou teria interesse em participar do São Paulo de maneira mais próxima, de repente com algum cargo?
Marco Aurélio Cunha: Não tenho nenhuma pretensão a cargo. Já deixei claro que só voltaria um dia sendo uma conversa com todos aqueles que me acompanharam nesse processo no nosso lado. Temos grupos lá, e eu jamais tomaria uma atitude isolada sem conversar com o grupo a que eu hoje pertenço
Terra: Para o caso da necessidade de se fazer oposição, que força ela teria, especialmente depois de a eleição do São Paulo ter se decidido por antecipação (a oposição foi derrotada na eleição para o conselho e, com isso, não teria número para se ameaçar a vitória de Aidar)
Marco Aurélio Cunha:
Ela já é forte para isso. É tão forte que ela trouxe o Aidar, que não era um candidato idealizado pelo Juvenal Juvêncio, para vencer a eleição pela sua força, pelo passado (Aidar foi presidente do clube entre 1984 e 1988). A oposição fez com que as coisas no futebol mudassem, inclusive a contratação do próprio Muricy Ramalho. A oposição fez com que a área social do São Paulo fosse rapidamente remodelada, com benefícios para os sócios muito visíveis nos últimos seis meses. Várias medidas foram tomadas para o bem. A oposição influi porque existe, obriga e estimula a situação a se movimentar, e ela se movimentou: gastou muito dinheiro na eleição e promoveu shows, ações na minha opiniões legítimas, mas claramente eleitoreiras. E o sócio ganhou com isso.

Carlos Miguel Aidar (centro) é saudado por Juvenal Juvêncio (à dir.) e Carlos Augusto de Barros de Silva
Terra: Como fica o futebol nesse processo?
Marco Aurélio Cunha: O futebol precisa de tempo, precisa de paciência. Não é na primeira derrota que vamos sair atirando. Isso é injusto. Ele (Aidar) tem que ter a oportunidade de trabalhar, pensar, analisar o que recebeu, porque até então ele era um mero observador à distância. Nos últimos meses, fez campanha, não se inseriu nas dificuldades do clube. Agora ele vai sentir na pele a questão financeira, de contrato de jogadores, custo da folha de pagamento e a obrigação, uma palavra que eu odeio no futebol, de vencer. Agora ele realmente começa a sentir o que é o clube depois de vinte e tantos anos, e isso não será fácil. Como sempre, estarei pronto a colaborar. Não com participações com cargos, mas como conselheiro, como alguém experiente.
Terra: É essa, então, a possibilidade de participar da atual administração?
Marco Aurélio Cunha:
Toda vez que ele quiser me ouvir, estarei absolutamente livre e pronto, mas as pessoas têm que querer. Eu jamais vou lá me oferecer, dar opiniões. Sempre que ele quiser o que penso ou uma opinião técnica que eu saiba, estou disposto, porque tenho a obrigação de ajudar ao clube. Sou conselheiro, essa condição é primária. Desejo toda a sorte do mundo a ele e ao futebol do São Paulo. O clube venceu a eleição, mas o futebol perdeu.
Avalie esta notícia: 22 9
VEJA TAMBÉM
- EXCLUSIVO: São Paulo foi buscar Everton Cebolinha no Flamengo! Veja nossa apuração
- GOLLLLLL DO SÃO PAULO!! O Tricolor abre o placar; Confira
- SERÁ NEGOCIADO? Peça titular do SPFC fica fora diante do Botafogo e pode dar adeus
- FICA NO G4?! São Paulo x Botafogo no Brasileirão: onde assistir
- MONSTRO NA ZAGA? Livre no mercado, zagueiro histórico vira assunto no São Paulo com crise defensiva


URGENTE! Dorival Júnior é o novo técnico do São Paulo

Comentários

Nenhum comentario!
Enviar comentário
Para enviar comentários, você precisa estar cadastrado, clique Aqui. Para fazer login, clique Aqui.

Próximo jogo - Brasileiro

Sáb - 17:00 - MorumBIS -
São Paulo
São Paulo
Botafogo
Botafogo
FórumEntrar

+Comentadas Fórum

Entrar

+Lidas Notícias

LogoSPFC.net
©Copyright 2007 - 2026 | SPFC.net