Carlos Miguel Aidar Deve Ser Eleito Novo Presidente Do São Paulo Trazendo Esperança E Contradições
Após três mandatos à frente do São Paulo Futebol Clube, Juvenal Juvêncio colecionou sucessos inéditos e fracassos retumbantes, protagonizou momentos hilários, envolveu-se em polêmicas com grandes personagens do futebol, escreveu seu nome na história do Tricolor, cometeu erros que custaram caro para o clube e, acima de tudo, entrou para o folclore do esporte mais popular do país.
A eleição de hoje marca o fim de uma era que rendeu um inédito tricampeonato brasileiro, mas também alguns micos e vexames para o são-paulino. Kalil Rocha Abdalla, da oposição, tentará, provavelmente sem sucesso, desbancar o representante da situação, Carlos Miguel Aidar. Apesar de contar com o apoio do influente e adorado pela torcida Marco Aurélio Cunha, o oposicionista deve ser vencido sem grandes dificuldades pelo candidato de Juvenal.
O que a sucessão presidencial deverá representar para o São Paulo? Caso seja eleito, Aidar apenas dará prosseguimento ao trabalho de JJ, ou irá promover mudanças e imprimir uma nova forma de gestão? Kalil Abdalla seria uma melhor opção para o clube? O que o torcedor pode esperar daqui para a frente? Perguntas tão difíceis de se responder quanto fazer o Wellington terminar uma partida sem tomar cartão amarelo.
O Legado Juvenal
Dando continuidade à vitoriosa gestão Marcelo Portugal Gouvêa, JJ conseguiu manter uma equipe competitiva e entrou para a memória futebolística nacional ao sagrar-se o primeiro e único tricampeão brasileiro. Aos poucos, sua direção começou a mostrar sinais de desgaste que o levaram a tomar decisões controversas e que surtiram pouco efeito.
Em relação ao futebol, o principal erro foi aplicar no tricolor a política da contratação bombástica, do grande vendedor de camisas, do nome de peso. Na tentativa de acalmar a torcida e mascarar os reais problemas do time, a diretoria tricolor buscou atletas renomados que chegassem com status de craque para "resolver o problema". Assim vieram Luís Fabiano, Paulo Henrique Ganso e, last but not least, o zagueiro Lúcio.
Independentemente do quanto rendeu cada uma das estrelas, ficou provado que este não é o melhor caminho para se montar um elenco forte. Aos poucos, os rumos foram sendo corrigidos. Recentemente, dois jogadores de renome chegaram ao Morumbi, porém trazidos de maneira mais criativa: Álvaro Pereira, titular da seleção uruguaia, foi um achado que veio para suprir uma real deficiência do time; Alexandre Pato, por sua vez, foi envolvido em uma troca com o Corinthians que, ao menos financeiramente, parece ter sido benéfica ao tricolor.
Situação Contraditória
O candidato da situação Carlos Miguel Aidar tem gerado muita desconfiança em suas entrevistas ao comentar sobre suas propostas de campanha.
A mais polêmica de suas ideias é a de transformar o Centro de Treinamento de Cotia em uma espécie de universidade do futebol, aproximando-se do formato dos esportes americanos. Na prática, seria oferecida aos garotos uma formação completa, para que saíssem de lá verdadeiros profissionais, tal como em qualquer outra faculdade tradicional. O CT tornar-se-ia independente do clube, o que permitiria que outras agremiações negociassem com os jovens atletas em formação, tendo o São Paulo uma preferência de negociação.
O projeto sofreu críticas e Aidar foi acusado de abrir mão do CT de Cotia para entregá-lo aos rivais. Curiosamente, de todo seu plano de governo, este é um dos pontos mais inovadores e inteligentes, que foge do lugar comum e traz uma abordagem mais profissional ao futebol. Basta uma análise profunda e livre de preconceitos para que se enxergue as qualidades.
Infelizmente, a inovação dá lugar à "mesmice" quando o assunto é contratações. O candidato propõe, por exemplo, parcerias com grandes investidores para trazer jogadores de nível internacional ao São Paulo. Aidar chega a citar o nome de Ibrahimovic como exemplo de que não se pode pensar pequeno e que tudo é viável quando se faz o planejamento e a negociação correta.
E, com isso, o candidato de Juvenal, que inclusive já presidiu o clube nos anos 80, nivela-se por baixo e cai na mesma armadilha de seus pares, jogando para a torcida ao invés de mudar o establishment tricolor. Assusta mais ainda pensar que há quem compre a ilusão e fique inebriado com a possibilidade de ver um craque europeu vestindo o manto sagrado. Geralmente, é o mesmo torcedor que ainda sonha com Nilmar, Guiñazu ou com o retorno de Lugano.
É o que tem pra hoje
Ainda que prometa mudança e apresente, de fato, algumas boas ideias, o são-paulino ainda não sente confiança em Aidar. O problema é quando, ao olhar para o outro lado, tudo o que vê é um candidato com propostas ainda menos estruturadas e que parecem ter tanto foco quanto os chutes de fora da área do Pabón.
Sempre que pressionado para expor com clareza e objetividade cada uma de suas promessas, Kalil Abdalla pega os atalhos mais desgastados, como "não tenho acesso às informações", "não é o momento certo" ou "minha experiência mostra que tenho capacidade". Esta última, aliás, deveria ser usada com mais parcimônia pelo candidato que também concorre à presidência da Santa Casa e enfrenta bastante resistência tanto de mantenedores quanto de servidores da instituição.
O oposicionista pega carona na popularidade de Marco Aurélio Cunha junto à torcida. É inegável que o velho MAC encantava são-paulinos com suas tiradas bem-humoradas e provocações dirigidas aos corintianos. Mas, quando se trata de uma eleição presidencial, a questão vai muito além de piadas e brincadeiras com rivais, envolvendo pontos muito mais sérios a serem considerados, como por exemplo a filiação de Marco Aurélio a partidos como o DEM e o PSD de Kassab, cujas bandeiras são difíceis de serem definidas, para dizer o mínimo. A discussão acerca das qualidades e defeitos do ex-dirigente e vereador, no entanto, fica para um próximo artigo.
Em suma, a eleição presidencial no São Paulo deve terminar com Carlos Miguel Aidar eleito e dando prosseguimento ao trabalho iniciado por Juvenal Juvêncio. Com sorte, a mentalidade ultrapassada de se pensar o futebol essencialmente como paixão e tomar decisões baseadas na rivalidade com outros clubes será, aos poucos, deixada para trás.
Boa sorte ao novo dirigente tricolor.
A situação tricolor: ruim com eles, pior sem eles?
Por Gustavo Fernandez
Fonte Esporte Interativo
16 de Abril de 2014
Avalie esta notícia:
5
4
VEJA TAMBÉM
- SERÁ NEGOCIADO? Peça titular do SPFC fica fora diante do Botafogo e pode dar adeus- FICA NO G4?! São Paulo x Botafogo no Brasileirão: onde assistir
- MONSTRO NA ZAGA? Livre no mercado, zagueiro histórico vira assunto no São Paulo com crise defensiva
- BAITA ATITUDE! Roger Machado abre mão de parte da sua rescisão contratual
- ALVO DEFINIDO: São Paulo busca a contratação de defensores para a equipe
URGENTE! Dorival Júnior é o novo técnico do São Paulo