Nos dois casos, o problema encontrado pelo judiciário tem a ver com o processo eleitoral que deu posse aos dirigentes. A CBF ainda não tomou providências a respeitos das duas filiadas. A Fifa, por exemplo, teria suspendido as duas organizações, pois não aceita intervenção de fora em suas associações.
O mineiro Paulo Schettino, que estava há quase dez anos na presidência, foi afastado na última semana de fevereiro por estar em sua função há mais tempo do que o regulamento previa. Em um assembleia com clubes no final do seu mandato, há dois anos, ele propôs ficar até o fim de 2014, por causa da Copa do Mundo, mas sem realizar um novo pleito.
"Eu achei absurda a decisão da Justiça. O aumento do mandato foi decidido em assembleia, com todos os filiados. Não faz nenhum sentido. Mas essa é uma longa história, tem muita coisa envolvida. Mas estou fora e não vou voltar. Agora vamos esperar as eleições. E na eleição da CBF um dos interventores estará presente", disse Schettino, para o ESPN.com.br.
Enquanto uma nova eleição não acontece, duas pessoas foram nomeadas para assumir de forma interina as funções do ex-presidente: Fernando Lago de Souza, administrador de empresas, e o tesoureiro da federação, Cristiano Aguiar de Pinho. Por ser mais velho, Lago é quem deve representar Minas Gerais na CBF.
O caso da paraibana Rosilene Gomes é mais nebuloso. Há 25 anos no comando da entidade, ela foi afastada por suspeita de irregularidades e descumprimento de regras estatutárias nas eleições de 2010, segundo a decisão judicial. Para ficar no lugar dela, a autora da decisão, a juíza Renata Câmara, formou uma Junta Administrativa, composta por Ariano Wanderley, dirigente do Botafogo-PB; João Máximo Malheiros Feliciano, ligado ao Auto Esporte; e Eduardo Faustino Diniz, classificado como "bacharel em Direito com larga experiência jurídico-administrativa".
Até agora, a CBF não se meteu em nenhuma das duas situações. Como está escrito acima, a Fifa, por exemplo, não aceita intervenção em suas filiadas e suspende as federações que passam por isso. Recentemente, a Federação Camaronesa sofreu por esse motivo.
No estatuto da entidade máxima do futebol brasileiro, o artigo que chega mais perto dessa questão é o décimo quinto, em seus artigos segundo, terceiro, quarto e quinto.

Estatuto da Confederação Brasileira de Futebol
Eleições da CBF: funcionamento
As eleições para presidente e vices da CBF acontecem de quatro em quatro anos e contam com um colégio eleitoral de 47 filiados: os 20 clubes da Série A do Brasileirão e as 27 federações do país. Segundo o estatuto da entidade, o voto é secreto e não pode haver forma diferente desta para se aprovar os nomes do mandato em questão.
Para formar uma chapa, que deve ter um presidente e cinco vices (Sudeste, Sul, Norte, Nordeste e Centro-Oeste), o grupo precisa conseguir o apoio formal de no mínimo oito federações e cinco clubes para poder ser registrada. Qualquer pessoa maior de 18 anos pode pleitear as vagas.
A inscrição de concorrentes para a CBF pode acontecer até no máximo cinco dias antes da data marcada para se realizar a votação. Os clubes e federações precisam estar em dia com suas obrigações, como ter publicado seus balanços financeiros até o dia 30 de abril do ano seguinte da avaliação, segundo a Lei Pelé.
Para esta quarta-feira, há apenas uma chapa na dispurta: a de Marco Polo Del Nero, atual vice da entidade e presidente da Federação Paulista de Futebol (FPF). Ele vai contar com Fernando Sarney (Norte), Gustavo Feijó (Norte), Delfim Peixoto (Sul), José Maria Marin (Sudeste) e Marcus Vicente (Centro-Oeste).
Um movimento de oposição chegou a surgir, mas não foi pra frente. Com o presidente da federação gaúcha, Francisco Novelletto, e o ex-presidente do Corinthians Andrés Sanchez, o grupo tentou se articular, mas não conseguiu as assinaturas necessárias para oficializar a candidatura.