Os torcedores do São Paulo conhecerão no próximo dia 16 de abril o nome do homem que presidirá o clube pelos próximos três anos. Após a eleição de conselheiros realizada no último dia 6, os 80 recém-eleitos se juntarão aos 155 vitalícios para que o sucessor de Juvenal Juvêncio no comando do clube do Morumbi seja definido.
Filho do ex-presidente Henri Aidar e representante da chapa de situação, o advogado Carlos Miguel Aidar, de 67 anos, tem longa história no São Paulo. Sócio n° 96 do clube do Morumbi, foi o presidente mais jovem a ocupar o cargo, com apenas 37 anos. Durante dois mandatos, entre 1984 e 1988, teve influência não apenas no Tricolor, mas também no futebol brasileiro. Idealizador e co-fundador do Clube dos 13, foi um dos responsáveis pela Copa União de 1987. Durante sua gestão, o clube inaugurou o Centro de Treinamento da Barra Funda, na zona oeste da capital, apontado como referência até os dias atuais.
Candidato da oposição, o também advogado Kalil Rocha Abdalla, de 71 anos, acumula também longa experiência nos corredores do Morumbi. Sócio do clube (n° 70) desde 1951 e conselheiro vitalício, ocupou o cargo de Diretor Jurídico do São Paulo por 15 anos, muitos deles durante a gestão de Juvenal Juvêncio no Tricolor. Dissidente, tem como um de seus principais apoiadores o vereador Marco Aurélio Cunha, figura carimbada no futebol são-paulino.
Na semana em que chegará ao fim a segunda passagem de Juvenal Juvêncio pela presidência do São Paulo, o FOXSports.com.br preparou um raio-x com os principais pontos apresentados pelos candidatos ao principal cargo do clube.
Kalil Rocha Abdalla
Queriam impor um projeto. Há um ano houve uma sessão no salão nobre do conselho do São Paulo, a imprensa estava lá, governador, prefeito. Ele [Juvenal] fez aquela cena dantesca, risos de todo mundo, aquele jeito típico dele. Levou arquiteto, engenheiro, gente de fora. E mostrou tudo aquilo.
Só que isso faz mais de um ano, e não veio mais nada. Este projeto não passou no jurídico. Aí agora o Juvenal trouxe esse contrato, queria impingir do jeito que eles fizeram. Ninguém viu o contrato. Queria impingir na base que, ou dá ou desce. Tinha que se aprovado de qualquer jeito. Só que para poder modificar esse contrato, alterar cláusulas, precisaria ter 75% de aprovação. E eles não tinham esse número dentro na sala. Nos recusamos a entrar, eu liderei esse movimento.
O que abrangia esse contrato: cobertura, uma arena e um estacionamento. A cobertura eu acho razoável, acho que teremos condições até de fazê-la. Isso não foi feito porque perdemos a Copa do Mundo por causa de intransigências. Se ele quiser fazer isso hoje, com R$ 500 ou 600 milhões que estava falando que ia arrecadar, podia ter feito isso na época que se cogitou a Copa do Mundo. Não quis naquela ocasião, mas agora está querendo. Veja o contrassenso. Decididamente, não me convence, a não ser que venha outra fórmula para resolver o problema. Senão, nós ficaremos fazendo do mesmo jeito [jogos e shows no Morumbi], nós podemos fazer isso que nós estamos fazendo. Então não há necessidade de fazer diferente.
Por isso provavelmente não vamos assumir nada, ou quase nada, a não ser a cobertura que eu posso voltar a conversar com a Andrade Gutierrez. Depois cancelou, não quis mais fazer, mas eu posso conversar. Tenho diálogo com eles, conheço muito bem o pessoal da Andrade, como conheço de outras empresas também.
Carlos Miguel Aidar
Esse era o grande sonho do Juvenal, terminar a gestão com o projeto aprovado. E assim que ele ficou totalmente pronto, o Juvenal quis colocar no conselho. Mas ninguém se deu conta que precisava de um quórum de 75%. E aí nós soubemos que eles [oposição] boicotariam não entrando no plenário, para não dar o quórum necessário. Eles achavam que isto seria um beneficio ao meu favor, candidato do Juvenal.
Então agora nós estamos na seguinte situação: ou nós convocamos isso para o dia 16, junto com a eleição, porque aí vai ter quórum, ou não fazemos. E aí eu terei que fazer isso depois. Na expectativa de que depois, passado o clima eleitoral, as pessoas passem a entender aquilo que é óbvio que é a melhor coisa para o São Paulo. Senão o Morumbi vai virar um campo de jogos para o São Paulo. O resto vai tudo pro Parque Antártica e o Parque São Jorge. Não tenho a menor duvida.
Mas se ele não fizer [a convocação para o dia 16], eu vou convocar uma reunião extraordinária do conselho, vou fazer um apelo dramático, pessoal, vou me matar para ter esse quórum. Se não der o quórum, eu vou partir para a reforma estatutária, para mudar o quórum. Aí não tem jeito. Não vou ter alternativa.
Kalil Rocha Abdalla
Eu vou ter um vice-presidente, que é o vice-presidente de diretoria. E depois terão os vice-presidentes de futebol, administrativo, social, enfim. E vai ter um vice-presidente e um diretor de futebol, os dois trabalhando em comum, e eu pretendo levar um superintendente profissional, contratado, remunerado, que vai participar. Não pode continuar do jeito que está. E um técnico também, mas um técnico de nome, de peso, para administrar Cotia.
Eu vou trabalhar para ter atleta para nós, os meninos vão trabalhar para nós. Eventualmente, eu posso vender alguém, mas normalmente, eles vão trabalhar em função do São Paulo. É gente que vai ser trazida, que vai ser passada de lá para o profissional, mas pretendo ter um entrosamento entre o técnico de lá e o Muricy. Hoje o Muricy, amanhã poderá ser outro, não sei.
Carlos Miguel Aidar
Imagino fazer de Cotia uma unidade autônoma de negócio. Embora Cotia tenha dado alguns bons jogadores, eu acho que poderia dar mais. Acho que tem muitos jogadores lá em Cotia, gente demais. Não é que da quantidade você tira a qualidade, é da qualidade média que você tira a qualidade boa. Cotia tem que ter autonomia, de gestão na formação de atletas, sob o comando do São Paulo Futebol Clube. Jamais tirar a definição do modelo de gestão e de politica do São Paulo.
O menino chega, faz o vestibular, que é o teste, entra na faculdade, cursa a faculdade, e se forma. Quando ele se forma, qual é o caminho dele? No São Paulo, se ele não for aproveitado, ele é dispensado. Então você botou dez anos de investimento em cima do menino e aí você dispensa por que ele não tem lugar no São Paulo. Você tem que pegar esse menino que não vai aproveitar no seu time e colocar no mercado. De preferência no São Paulo. Se não tiver lugar no São Paulo, vai para o Corinthians, vai para o Palmeiras, para o Santos, sem frescura.
Cotia, com tudo que se investe, tem que se tornar realmente em um grande centro formador. A grande maioria dos jogadores vai ter que sair de lá. E eu vou pegar jogador da base de os outros times sim, senhor. Não tem essa coisa de ‘mentira, não é que o São Paulo vai atrás do jogador’. São os pais dos jogadores que procuram o São Paulo. Eles sabem que o São Paulo paga em dia, que o São Paulo dá boa comida, tratamento médico, odontológico, estrutura para o cidadão, cuida da cabeça do cara. As portas estarão abertas para os jogadores que quiserem ir para o Morumbi.
Kalil Rocha Abdalla
Eu entrei dizendo que não tinha acerto com ninguém, não estava negociando cargo com ninguém, nem fazendo conchavo com nenhum grupo politico. Ia ter liberdade total. Porque o São Paulo é diferente até na eleição: a eleição não elege nem vice-presidente. A eleição só elege o presidente, e mais ninguém. O presidente nomeia a sua diretoria. É tudo nomeado, até o vice.
Há poucos dias atrás é que eu indiquei o nome do Marco Aurélio como diretor de futebol. No inicio não existia isso. Eu cedi agora, há poucos dias atrás teve uma reunião, na qual eu declarei publicamente que o Marco Aurélio seria o vice-presidente de futebol.
Eu vou ter um vice-presidente, que é o vice-presidente de diretoria. E depois terão os vice-presidentes de futebol, administrativo, social, enfim. E vai ter um vice-presidente e um diretor de futebol, os dois trabalhando em comum, e eu pretendo levar um superintendente profissional, contratado, remunerado, que vai participar.
Carlos Miguel Aidar
Nem que você me ponha um revólver na barriga eu te conto. E tem uma razão. Tenho alguns nomes na cabeça. Tenho vários quadrinhos para preencher. E tenho vários cartões de visita para colocar nesses quadrinhos. Tem nomes que não podem ficar de fora, nomes mais ou menos óbvios, mas seria muita ingenuidade da minha parte hoje falar antes da eleição.
A única coisa que eu posso dizer com segurança é que a minha ideia é dividir o futebol em quatro. O estatuto do São Paulo prevê a figura do vice-presidente de futebol e do diretor de futebol. A minha ideia é ter o vice de futebol, que vai ser o big boss do futebol, o diretor de futebol profissional, o diretor de futebol de base e o diretor de relações internacionais de futebol. Isso é o que eu tenho na cabeça.
Eu lembro que lá atrás a gente fazia o seguinte: os treinadores das equipes menores vinham aprender a ser treinador com o treinador da equipe maior. Do jeito que a equipe maior jogava, as equipes menores tinham que jogar. Isso me parece que não existe hoje. A ideia é fazer isso. Como fazer essa distancia física se aproximar, é uma coisa que vamos ter que ter os diretores, e conversar com as equipes técnicas das diversas divisões da base, junto com o Muricy, enfim. Não tenho um nome pronto, mas tenho ideias que podem compor esse quadrado de quatro.
Kalil Rocha Abdalla
A grande reclamação da parte social é o estacionamento. Esse é o ponto primordial. E coisa que eu acho principal: cuidar da inundação. O piscinão, que não depende do São Paulo, depende do poder público, mas o São Paulo tem influência, tem prestígio, vereadores, gente que pode nos ajudar e tentar verificar.
Já teve uma inundação no Portão 7 quando carros estavam boiando, flutuando. Tempos atrás teve dentro das piscinas, inundou tudo. Nós temos um problema de um rio, que passa embaixo do São Paulo, e nós temos o problema das enchentes lá. Isso precisa ser solucionado antes de qualquer coisa. Este é o ponto principal. Não dá voto, não dá nada, mas é disto que nós temos que cuidar. Depois o estacionamento, que o sócio reclama. O sócio reclama de restaurantes, querem coisa, mas isso tudo nós vamos estudar, vamos verificar o que pode ser feito.
Carlos Miguel Aidar
Social do São Paulo está tão bom, tão bonito, está tão forte, tão pujante, tão aconchegante, que se eu mantiver o que tem, o nível de satisfação do sócio não muda. Se puder fazer mais alguma coisa, vou fazer. Nosso futebol realmente tá precisando de uma pilha alcalina. É o que eu acho que vou fazer. Que eu quero fazer.
Reportagem de João Felippe França