Primeiramente, nós, brasileiros, temos muito a aprender com a Europa, que utiliza os recursos de maneira responsável sem evocar essa empáfia de desqualificar o clássico e tradicional, pelo novo e absurdamente caro. O São Paulo nunca foi de esnobar recursos, e não será desta vez. Amamos o clube que sempre adotou medidas coesas, sem adesão a modismos. Se o Morumbi fosse de qualquer outro clube, o derrubariam. Mas acontece que esse clube não brinca com coisa séria. O Morumbi é rentável e viável, porque no São Paulo há responsabilidade.
Apelida-lo de elefante branco ou dizer que precisa dinamitá-lo é desconhecer o estádio mais ocupado e vivo do Brasil. Hoje, o Morumbi abriga camarotes, bufê infantil, megaloja de materiais esportivos, bar temático, 81 bares e lanchonetes, restaurantes, livraria, auditório para 240 pessoas, academia de ginástica, pista de atletismo, unidade REFFIS. O Morumbi tem vida durante a semana inteira. E o principal, é palco de grandes jogos.
Quem detona o Morumbi, são recalcados rivais traumatizados pelo histórico aluguel de quatro décadas. Deve ter sido dolorido se utilizar e implorar de joelhos pelo Morumbi, em diversas oportunidades. Até amistosos fizeram no Templo Tricolor, cedido gratuitamente, para evitarem falências com arrecadações importantes.

Dizem constantemente que o Morumbi será fechado, desde que deixaram de jogar lá. Mas, com a saída, as receitas só aumentaram. O São Paulo é subestimado por rivais desde o seu surgimento, em 1930. É exatamente por isto que o Tri-Mundial trabalha forte e cala os faladores linguarudos, década após década. O time da vanguarda, modernidade e inovação sempre se reinventa. É ilibado e sinônimo de seriedade com competência.
Em uma conta simples: construir um novo Morumbi custaria três vezes mais do que modernizá-lo. A moda do estádio novo fez encarecer demais os projetos. Estas arenas serão como caixas novas para sapatos velhos. Após um ano, a empolgação passará e novamente estarão vazias devido aos fracos campeonatos e futebol local desorganizado que temos aqui. Ingressos caríssimos colarão no começo, mas, depois não. Vejam o Maracanã vazio e dando prejuízo.
Em Roma e Berlim há dois belos estádios tradicionais. E outros pelo mundo. Não há nada mais bonito e imponente no esporte do que um estádio olímpico. Quando houve a copa de 2006, a FIFA exigiu da Alemanha a construção de um novo estádio para o jogo mais importante da competição. Mas os alemães modernizaram o seu belo estádio olímpico, mantendo a pista de atletismo e arquitetura original. Isso se chama preservação da história e respeito às origens.
A vida útil das novas Arenas pré-moldadas terão uma durabilidade questionável frente a robusta estrutura do Morumbi. Uma conversa com qualquer engenheiro civil é suficiente para entender o quanto custará, a curto prazo, esta afobação toda, a correria. A manutenção desses novos estádios será custosa, nada menos que R$30 milhões anuais. E os formatos de negócio adotados são passíveis de dúvidas e maiores questionamentos, até na justiça.

O melhor negócio será o daqueles que não reformaram e não construíram seus estádios, ainda. Passada a euforia, o São Paulo terá sobre a mesa todos os modelos de negócio como exemplo e poderá elaborar/ajustar o melhor contrato com diversas e carentes construtoras implorando, após a recente recessão mergulhada pelo setor da construção civil. Afinal, por que a pressa, se a NOSSA casa está quitada? Não somos locatários.
O atual projeto de modernização do Morumbi é fantástico. Com o metrô chegando (dois: há 1 km e ao lado), estacionamento para sócios e torcedores, arena climatizada para 25.000 lugares, cobertura e shopping no anel inferior com várias lojas, o Morumbi seguramente será o estádio mais versátil da capital de São Paulo. Um dos tradicionais cartões postais da cidade será ainda mais grandioso e facilmente acessível – não demorará muito.

O Templo Tricolor é amado, porque tem história. Há suor e árduo esforço naquelas vigas e colunas. Tem tradição, respeito. É o Empire States do futebol de São Paulo. Uma série de empenhos tornou possível a captação de verbas para a construção do sonho:
1. Contenção de despesas e fila de 13 anos sem títulos.
2. Parcerias e permutas comerciais com grandes empresas.
3. Empreendedorismo e campanhas publicitárias.
4. Empréstimos financeiros.
5. Venda de Cadeiras Cativas (o goleiro e ídolo José Poy vendeu mais de 8.000).
6. Venda de Títulos Patrimoniais.
7. Carnê Paulistão.
8. Doações de torcedores ilustres.
9. Aluguéis do Morumbi a outros clubes.
10. Promoção de torneios com clubes do exterior.
11. Cessão de espaços comerciais e publicitários.


Para o projeto do Estádio Cícero Pompeu de Toledo foram necessárias 370 pranchas de papel vegetal. Cinco meses foram consumidos nas terraplanagens e escavações, com o movimento de 340 mil metros cúbicos de terra. Um córrego foi canalizado. O volume de concreto usado para construir foi de 50 mil metros cúbicos. Daria para construir 90 prédios de 10 andares cada, com dois apartamentos de 150 metros por andar. Tudo em área própria.

Uma fabrica de cimento – a Companhia do Cimento – foi criada pelo São Paulo e municiou o consumo de parte dos 400 mil sacos de cimento (corresponde a 1666 caminhões de 12 toneladas carregados). A quantidade de ferro usada chegou a 50 mil toneladas. Se fosse soldada de ponta a ponta, a quantidade daria para circundar a Terra duas vezes e meia. E mais: a construção foi executada salutarmente, sem mortes – e sem benesses escandalosas.

Alguns jogos e eventos históricos marcaram o Morumbi na história do futebol mundial.
1960 - Partida inaugural do estádio parcial. São Paulo 1x0 Sporting Lisboa, em 02.10.1960.
1962 - O primeiro jogo da seleção aconteceu em 24.04.1962 em um amistoso Brasil 4x0 Paraguai.
1969 - Foi o ano do primeiro jogo de decisão de campeonato. Mais 54 decisões ocorreriam contabilizando Paulistas, Brasileiros, Libertadores, Copa do Brasil e Torneio Rio São Paulo.
1970 - Primeira partida da inauguração plena do Morumbi. São Paulo 1x1 Porto.
1971 - Palco do último gol de Pelé com a seleção brasileira no jogo Brasil 1x1 Áustria.
1980 - 200.000 pessoas lotaram a Missa do papa João Paulo II, em 16/11/1980.
1981 - 200.000 pessoas lotaram o Show do Queen de Freddie Mercury, em 21/03/1981.
1992 - Palco da primeira Libertadores do São Paulo em uma comemoração histórica, jamais vista no Brasil.
1993 - Maradona jogou no Morumbi, atuando pelo Sevilla, em amistoso vencido pelo São Paulo por 2x0.
2005 - Palco do Tricampeonato da Libertadores conquistado pelo São Paulo.
2012 - A última partida da seleção no Morumbi foi contra a África do Sul, em 2012. O Brasil jogou 30 vezes no Cícero Pompeu de Toledo. Entre Copa América e Eliminatórias para a Copa do Mundo, a seleção atuou 10 vezes no Morumbi.
2014 - Show do Metallica. Desde a inauguração, o Morumbi recebeu 40 grandes shows.
Portanto, não se pode ignorar a importância do maior estádio de São Paulo. O único capaz de receber shows para 80.000 pessoas. Não se pode desprezar sua história e tradição. Continuará sendo o palco esportivo mais importante da cidade.
Em tempo: o estádio de Itaquera não poderá receber shows e o estádio das Perdizes não poderá receber grandes shows. Nos dois casos, o aluguel, por três décadas, suprimirá todas as receitas. E para alguns torcedores do suíno freguês falido, que também têm colocado as manguinhas de fora, quanto ao Morumbi, só uma lembrança de quando os ajudamos.

Wender Peixoto
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